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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Nova entidade chama-se Portugal In e é presidida por Bernardo Trindade, ex-secretário de Estado do Turismo de José Sócrates.

Portugal vai tentar aproveitar o Brexit (o processo de saída do Reino Unido da União Europeia), formalizado esta semana, criando uma “missão” que vai aliciar empresas e investimentos que queiram deslocalizar-se da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, mas manter-se na União Europeia.

 

Neste caso, em Portugal. Esta nova entidade vai chamar-se Portugal In, será presidida por Bernardo Trindade, antigo secretário de Estado do Turismo de José Sócrates, e vai ser tutelada pelo próprio primeiro-ministro, António Costa. O Conselho de Ministros desta quinta-feira decidiu “criar uma estrutura temporária designada por Portugal In, que terá como desígnio atrair para Portugal investimentos que pretendam permanecer na União Europeia após a saída do Reino Unido”. A nova entidade ficará “sob a dependência do primeiro-ministro” e visa “contribuir para o cumprimento do objetivo definido no programa de governo de captação de mais e melhor investimento direto estrangeiro, essencial para reforçar a competitividade da economia nacional”, diz uma nota do Conselho de Ministros.

 

O governo acena aos eventuais interessados com as condições especiais do país em termos das suas pessoas e da geografia. “Através da promoção dos fatores de diferenciação e complementaridade que Portugal oferece, nomeadamente ao nível dos recursos humanos e da posição geoeconómica do país, pretende-se dinamizar a capacidade empresarial nacional e a criação de emprego, reafirmando o compromisso com o projeto europeu”, lê-se na mesma nota.

 

A Portugal In – Estrutura de Missão para o Investimento Estrangeiro “será constituída por uma comissão executiva de que são membros Bernardo Trindade (presidente), Chitra Stern e Gonçalo da Gama Lobo Xavier”. Bernardo Trindade, o ex-governante do executivo de José Sócrates, gere os hotéis da família, em Lisboa, o grupo Porto Bay, que tem origem na Madeira. Chitra Stern, natural de Singapura é casada com o gestor e empresário suíço, Roman Stern, e é administradora da rede de hotéis de luxo Martinhal (Sagres, Quinta do Lago, Cascais). Gonçalo Lobo Xavier é assessor da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP) e membro indicado pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal para o Conselho Económico e Social Europeu (CESE). O mandato destes três dirigentes terminará a 31 de dezembro de 2019, diz o Conselho de Ministros. IDE caiu 12% em 2016 Esta iniciativa do governo surge depois de os fluxos de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) na economia portuguesa (novo IDE) registarem uma queda significativa ao longo de 2016.

 

Segundo a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, que cita dados do Banco de Portugal, no ano passado, Portugal recebeu 5,5 mil milhões de euros em investimentos do exterior, menos 768 milhões (ou menos 12,3%) do que em 2015. A maior quebra absoluta aconteceu com o Luxemburgo, que dirigiu menos 5,4 mil milhões de euros a Portugal, totalizando 1,2 mil milhões de euros em aplicações. O maior investimento veio de Espanha, com 1,3 mil milhões de euros injetados cá em 2016. Reino Unido foge de Portugal Os investidores do Reino Unido, que em 2015 meteram em Portugal 831 milhões de euros, fugiram em debandada. O respetivo fluxo de IDE caiu 759 milhões (menos 91%) para apenas 72 milhões de euros ao longo do ano passado, mostram os dados do banco central. A AICEP, agora liderada por Luís Castro Henriques, repara que a distribuição do IDE por tipo de instrumento financeiro foi de 2.785 milhões de euros em títulos de participação em capital e 2.698 milhões de euros em instrumentos de dívida”. “Por setor de atividade residente, os serviços captaram 3.553 milhões de euros de IDE líquido, com destaque para as atividades financeiras e de seguros, com 2.380 milhões de euros e as atividades Imobiliárias, com 644 milhões de euros.” “Em termos de grandes blocos geoeconómicos, a União Europeia e os países terceiros observaram valores líquidos de IDE de 3.672 milhões de euros e 1.811 milhões de euros, respetivamente”, refere a agência. “Espanha e Luxemburgo foram as principais origens do IDE com 1.298 milhões de euros e 1.161 milhões de euros, respetivamente. Com registo líquido negativo há a destacar o IDE da Bélgica (-205 milhões de euros) e da Alemanha (-165 milhões de euros).”

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