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CABEÇALHO

O designer de sapatos de luxo Luís Onofre é um dos cerca de 20 industriais do calçado que, por estes dias, garante a produção de 15.000 máscaras e viseiras por dia. A solidariedade atravessa setores.

Numa parceria técnica com o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, o conhecido designer de calçado iniciou esta semana a produção diária de 500 máscaras na sua fábrica, em Oliveira de Azeméis. A máscaras não são cirúrgicas e serão doadas a várias instituições — desde unidades hospitalares a lares de idosos — deste e de concelhos limítrofes.

 

O Hospital de Santa Maria da Feira, o Hospital de Famalicão, o Centro Dial, a Cruz Vermelha e os lares Geribranca, Pinheiro da Bemposta e Pró Outeiro são alguns dos destinatários para os quais já estão garantidas doações. Em breve, o designer português espera, na próxima semana, aumentar a produção diária para 800 unidades.

 

Em comunicado, Luís Onofre, cuja marca de calçado e marroquinaria de luxo exporta para mercados como Espanha, Itália, França, Rússia, Estados Unidos e China, informou estar a seguir o movimento iniciado pela empresa Vitorino Coelho, “uma das primeiras do setor a iniciar a produção de máscaras”. Mas o movimento cresceu significativamente ao longo desta semana. Paulo Gonçalves, diretor de comunicação da APICCAPS (Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos) fala em cerca de 20 empresas voluntariamente mobilizadas para a produção de máscaras não cirúrgicas e viseiras, um número que no início da semana não ia além das três. No total, estima que, neste momento, estejam a ser produzidas entre 12.000 e 15.000 unidades diárias

 

“Há dois meses, uma empresa de calçado não podia fazer estas máscaras. O Ministério da Saúde tornou a lei mais flexível para o possibilitar neste momento de emergência”, refere Paulo Gonçalves ao Observador. Em marcha está já um plano para garantir a certificação das máscaras produzidas pelas fábricas de calçado que, de momento, não sendo cirúrgicas, têm algumas limitações no seu uso, nomeadamente não poderem ser utilizadas dentro de blocos operatórios.

 

“Tendo menos trabalho, as fábricas começaram a responder ao desafio da sociedade civil”, refere ainda, fazendo notar que este movimento de empresas teve início na passada segunda-feira. A APICCAPS neste momento a trabalhar com o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal de forma a fornecer às empresas toda a informação técnica necessária à produção do equipamento, proveniente do Ministério da Saúde. O porta-voz ressalva ainda o facto de a indústria ter dado prioridade a dois focos prioritários — Santa Maria Feira e Felgueiras –, cujos centros hospitalares e autarquias manifestaram especial preocupação.

 

A APICCAPS tem montado, por estes dias, um gabinete de crise para apoiar os industriais de setor e está a levar a cabo um inquérito semanal às empresas — neste momento, 14% das fábricas estão temporariamente encerradas; na próxima semana, a associação estima que esta percentagem aumente para 35%. As motivações prendem-se com uma quebra da encomendas internacionais, com dificuldades no abastecimento de matérias-primas e com constrangimentos logísticos na hora de despachar mercadoria.

 

Fora do setor do calçado, há outras empresas a dedicarem-se à produção de equipamento para combater o surto de Covid-19. O primeiro-ministro fez referência, esta sexta-feira, à mobilização das indústrias têxtil e de vestuário na produção de bens como fardamentos de proteção individual, máscaras, tocas, entre outros. Isto acontece depois de a ANIVEC (Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção) ter posto os ativos das empresas associadas ao serviço da saúde pública.

 

Também esta semana, a colaboração do Politécnico de Leiria com empresas de Leiria e da Marinha Grande deu frutos.

 

Depois de terem sido produzidas as primeiras viseiras com recurso a impressoras 3D, a região inicia agora a produção massificada com 2.000 unidades diárias, segundo informa esta sexta-feira o Jornal de Leiria. O objetivo é doar os materiais a profissionais de saúde, bombeiros, polícias e trabalhadores de lares.

 

O mesmo meio regional refere que o projeto envolve o Centro de Desenvolvimento Rápido e Sustentável de Produto, a Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, a Escola Superior de Saúde de Leiria, instituições integradas no Politécnico de Leiria, a Associação Nacional da Indústria de Moldes, a Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos e seis empresas de Leiria e da Marinha Grande, além de “colaboradores a título individual”.

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