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CABEÇALHO

O presidente de extrema-direita já anunciou o arranque das privatizações que tinha prometido durante a campanha.

O novo presidente brasileiro anunciou que vai avançar "rapidamente" com concessões de portos, ferrovia e aeroportos. Estas privatizações seguem a linha de pensamento de Paulo Guedes, o braço-direito de Jair Bolsonaro para as finanças do país.

Foi no Twitter que Bolsonaro fez o anúncio nesta quinta-feira, 3 de janeiro: "Rapidamente atrairemos investimentos iniciais em torno de 7 biliões de reais, com concessões de ferrovia, 12 aeroportos e 4 terminais portuários", escreveu o recém empossado presidente brasileiro. "Com a confiança do investidor sob condições favoráveis à população resgataremos o desenvolvimento inicial da infraestrutura do Brasil", argumentou.

 

As concessões e as privatizações fazem parte de um plano para reduzir o défice orçamental - que foi de 7,8% do PIB em 2017 - e, consequentemente, a dívida pública do Brasil que está nos 74% do PIB. Esse foi exatamente o foco do discurso de Paulo Guedes, que já criou uma Secretaria Especial de Privatização, na tomada de posse. Nas contas do "super-ministro", o PIB pode crescer 3,5% por ano com as privatizações.

O objetivo do novo Governo brasileiro é abrir mais a economia ao exterior e implementar reformas estruturais que potenciem o crescimento económico. A estratégia é privatizar os ativos públicos - admite-se até a privatização da Petrobras - para reduzir o endividamento público. A meta é cortar a dívida pública em 20% com um programa de privatizações que poderá chegar aos 700 mil milhões de reais (152,3 mil milhões de euros).

Na tomada de posse a 1 de janeiro, Bolsonaro garantiu "o Governo não gastará mais do que arrecada". "Realizaremos reformas estruturantes essenciais para a saúde financeira e sustentabilidade das contas públicas", afirmou, garantindo que todo o setor produtivo terá menos regulamentação e burocracia.

Ontem, Jair Bolsonaro anunciou também no Twitter que quer "garantir a posse de arma de fogo para o cidadão sem antecedentes criminais", o que beneficiou a fabricante de armas brasileira Forjas Taurus. As ações da cotada dispararam quase 30%.

Salário mínimo não subiu mais por causa da inflação


O presidente brasileiro citou a explicação de uma economista brasileira para rejeitar a tese de que o salário mínimo subiu menos do que o esperado por sua decisão. De acordo com um post - partilhado por Bolsonaro - de Renata Barreto, que se auto-intitula de economista liberal, foi a inflação que ficou abaixo do esperado.

Segundo a economista, o salário mínimo no Brasil é atualizado tendo em conta o PIB dos dois últimos anos e a inflação do ano anterior. "O valor divulgado de 1.006 reais era apenas uma previsão, de acordo com a expectativa de inflação. Como a inflação foi menor do que o esperado, também ficou menor o salário mínimo. Todo esse orçamento foi aprovado no governo Temer, apenas assinado pelo novo Presidente", explicou Renata Barreto.

O salário mínimo acabou por aumentar 4,61% para os 998 reais (cerca de 225 euros) em 2019. Este aumento representa mais 44 reais (9,9 euros) face aos atuais 954 reais (214,8 euros).

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