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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Apesar das dos cancelamentos causados pelo coronavírus, os agentes do imobiliário garantem que o sector se profissionalizou e está preparado para esta crise.

O surto do Covid-19 não está a afetar apenas a saúde dos portugueses. Se agora luta é travada nos hospitais e unidades de saúde, não tardará que os seus efeitos comecem a sentir-se na economia. O sector imobiliário – que acompanhou o crescimento exponencial do turismo e alavancou a recuperação do país – poderá vir a sofrer fortes perdas. O futuro, tal como o surto, parece imprevisível. Mas alguns agentes estão já a enfrentar cancelamentos de escrituras e adiamentos.

 

“Estamos num segmento premium e, neste momento de incerteza, achamos que estamos bem posicionados. Como temos uma força de vendas direta isso também nos ajuda, mas, nos últimos dias, verificámos que clientes da Asia cancelaram as suas reservas, e clientes europeus pediram para adiar a assinatura de contrato promessa. Estamos confiantes que vamos resolver esta situação”, disse José Cardoso Botelho, Managing Director da Vanguard Properties, durante a conferência online sobre o impacto do novo covid-19 no mercado imobiliário.

 

Organizado pela revista Vida Imobiliária e pela Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), o debate contou com a presença de António Gil Machado, Diretor da Vida Imobiliária, José Cardoso Botelho, Managing Director da Vanguard Properties Hugo Santos Ferreira, Vice-Presidente Executivo da APPII, Pedro Vicente, Board Member da Habitat Invest, Ricardo Sousa, CEO da Century 21 e José Araújo, Diretor da Direção de Crédito Especializado e Imobiliário do Millennium BCP.

 

Apesar de ter começado o ano “com muita cautela”, Ricardo Sousa, da C21, lembrou que o passado mês de fevereiro foi “o melhor de sempre”, embora Março tenha trazido “alguns cancelamentos”, consequência da pandemia. “Temos vindo a registar uma suspensão de visitas, sobretudo do mercado internacional. Sentimos um abrandamento, aquisições suspensas, o que não significa que foram anuladas. Essa é a vantagem do nosso sector, suspende-se até a a situação normalizar, para voltar ao mercado”, afirmou, fazendo uma analogia: “estamos numa corrida, entrou o pacecar em pista, que vai nivelar a competição”. Significa que os preços podem ser revistos em baixa? O CEO da C21 considera o que o momento atual vai nivelar o mercado.

 

“Os prorietários nao têm tanto poder. Este arrefecimento é visto pelos compradores como uma oportunidade, o que vai provocar um aceleramento no segmento dos imóveis usados. Os particulares vão rever em baixa o preço dos seus imóveis, uma situação que se começava a verificar-se no ano passado mas que vai acelerar com o problema da pandemia”.

 

Consensual entre os participantes do debate é que o sector se profissionalizou e está preparado para esta crise. “Estão mais preparadas para o impacto”, refere Pedro Vicente, Board Member da Habitat Invest, antecipando uma “suavização dos preços”, apesar da descapitalização de algumas empresas e da dependência do investimento estrangeiro. Tido como certo, dizem, é o impacto do vírus no turismo. “No Aojamento Local é dramático”, assegura Hugo Santos Ferreira , Vice-Presidente Executivo da APPII. “Quebras acentuadíssimas. O segmento hoteleiro e o residencial serão os mais afetados, tudo o que envolva turimo e investimento residencial, tanto a nível nacional como internacional”.

 

AL VOLTA AO ARRENDAMENTO

 

Registando-se quebras acentuadas no turismo, uma das consequências prováveis é a reconversão de unidades de Alojamento Local em arrendamento de longa duração, uma tendência já verificada – ainda que residual – desde o ano passado. “Há mais imóveis a regressar ao mercado de arendamento”, garante Ricardo Sousa. “No AL, ou se tem escala para reduzir os custos de manutenção, com várias unidades, ou deixa de ser rentável para quem tem um único imóvel. Com a dimiuição do turimo, este movimento acelerou nas últimas semanas.”

 

Pedro Vicente afirma que existe “uma franja de AL que não é profissional”, operada de forma familiar. “Essas unidades vão passar ao mercado de arrendamento”. É por isso que os operadores do sector apelam ao governo que tome medidas para suavizar os efeitos da pandemia no imobiliário, além da linha de crédito de €200 milhões já anunciada pelo executivo de António Costa. “Tudo o que possa auxiliar pessoas que ficam sem rendimento é importante, desde que isso seja visto na sua extensão. A questão social não termina nas pessoas que sao arrendatárias, os senhorios tambem fazem parte”, disse José Araújo, Diretor da Direção de Crédito Especializado e Imobiliário do Millennium BCP.

 

Entre os principais apelos do sector ao Governo está a redução do IVA para 6% na construção, como medida para “aumentar a oferta imobiliária”, diz José Cardoso Botelho. “Deveria aplicar-se na reabilitaçao mas também na construção nova. E é preciso uma redução dos prazos no licenciamento que se tem agravado em algumas câmaras”, afirmou o Managing Director da Vanguard Properties. Hugo Santos Ferreira , vice presidente da APII, vai mais longe com uma série de medidas: isenção de IMI vencidos até ao fim do ano, isenção do IRC a pagar em Julho, simplificação dos processos nas autarquias, linhas de apoio a tesouraria, entre outras.

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