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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Ach.Brito assinala este mês o seu centenário, com a determinação de conquistar o mundo. Quer fechar o ano com mais de oito milhões de faturação.

A Ach. Brito, a mais antiga fábrica de sabonetes em Portugal, comemora este mês o seu centenário.

 

A operar, oficialmente, desde 20 de julho de 1918, a empresa sobreviveu a duas guerras mundiais, às piores crises financeiras globais (em 1929 e em 2008), à instauração da República, à ditadura, à Revolução de Abril e até à adesão portuguesa à então Comunidade Económica Europeia (CEE), com a entrada da grande distribuição em força no país.

 

Hoje fatura mais de seis milhões de euros, dá emprego a mais de cem pessoas e está, através da sua marca de luxo, a Claus Porto, em mais de 60 mercados e em algumas das melhoras lojas do mundo. Com duas lojas próprias em Lisboa e Porto, a empresa prepara-se para conquistar o mundo, abrindo um espaço próprio em Nova Iorque. Pormenores não são, para já, desvendados.

 

Aquiles de Brito, a quarta geração na empresa, assume que o “salto internacional” é um objetivo e que as negociações do espaço devem estar “finalizadas em breve”. A ideia é avançar, ainda neste ano, diz Aquiles de Brito, que está na Ach. Brito desde 1986, quando, aos 22 anos, e em cooperação com a irmã, Sónia, comprou a totalidade do capital ao tio. “Foi um ato emocional.

 

Eu nunca fui treinado nem educado para seguir o negócio da família, até porque o meu pai morreu aos 39 anos, tinha eu 10 anos. Mas quando o meu tio anunciou que pretendia vender a sua posição, achei que tinha de fazer alguma coisa”, conta. Assim se tornou líder de uma empresa em dificuldades, num país onde “não havia marcas portuguesas porque as pessoas tinham vergonha do que era nacional”.

 

Reestruturou a empresa, sediada em Vila do Conde, emagreceu a estrutura, mas deu a volta. Pelo caminho, enfrentou “o risco de falência duas ou três vezes”, mas nunca equacionou desistir, assegura. Em 2008, associou-se à InovCapital, atual Portugal Ventures, para financiar a compra da bracarense Saboaria e Perfumaria Confiança. Em 2015, cedeu a maioria (já tinha, entretanto, recomprado a posição da InovCapital) à Menlo Capital, liderada por Ricardo Cunha Vaz, como forma de impulsionar a expansão internacional da Claus Porto, reposicionando-a como marca de luxo.

 

Permanece na empresa, mas como administrador não executivo. “Foi uma decisão extremamente difícil, mas hoje faria o mesmo. Na vida tudo muda e, para mim, o importante é que a Ach. Brito perdure e que, dentro de 20 ou 30 anos, outros estejam na empresa a reconhecer o trabalho que foi feito”, admite. A quinta geração? “Tenho dois rapazes, o Aquiles Gustavo e o Aquiles Afonso. Tal como eu não fui formatado, também não os formato para trabalharem na empresa. Ensino-os, sim, a terem respeito pelo trabalho que desenvolvi e pela história da empresa e orgulho neste legado familiar”, acrescenta Aquiles de Brito.

 

A entrada da Menlo Capital, com um investimento de cinco milhões de euros, visou “dar vida ao plano de expansão” da Claus Porto, a marca mais internacional do grupo. Parte importante dessa verba foi para “reforçar as competências internas” e contratar novos trabalhadores, cujo número quase duplicou. Mas, também, para o desenvolvimento de produto, com novas linhas, para o redesign de embalagens e para a parceria com perfumistas de topo internacionais, caso da britânica Lyn Harris, e para o desenvolvimento de novos canais de negócio. Em setembro de 2016 foi inaugurada a loja Claus Porto, na Rua da Misericórdia, em Lisboa, em junho de 2017 a “flagship store” no Porto.

 

 “Quisemos devolver a marca aos portugueses, disponibilizando o acesso a um espólio imenso do grupo que não estava acessível ao consumidor”, diz Aquiles de Brito, em referência ao espaço museológico da Ach. Brito na loja do Porto, que fica na Rua das Flores. Além disso, há um reforço da aposta nas vendas online, com uma nova plataforma, e da presença nos EUA, mercado prioritário para a Claus Porto, e onde o grupo criou já uma subsidiária. Segue-se, até ao final do ano, a loja em Nova Iorque. O objetivo é fechar 2018 com uma faturação acima dos oito milhões de euros. Metade serão vendas nos mercados internacionais.

 

E para celebrar tão importante marco histórico, a Ach. Brito desenvolveu uma coleção de produtos comemorativos, composta por sete edições especiais, inspiradas em produtos icónicos da marca que farão as delícias dos fãs e dos colecionadores. A Água de Colónia Lavanda, há mais de 80 anos no mercado, ganha uma nova embalagem e um rótulo “Especial Centenário”, a par de um sabonete da mesma linha. Há, ainda, caixas várias com reedições de sabonetes históricos, algumas das quais com fotos antigas, quer da fábrica, quer da campanha da marca durante a Exposição Colonial Portuguesa, nos jardins do Palácio de Cristal, no Porto.

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