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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O diretor da Faculdade de Indústrias Criativas da Universidade de São José disse hoje é essencial criar uma incubadora de empresas e um centro de investigação para diversificar a economia de Macau, muito dependente do jogo.

Do ponto de vista da universidade essas duas medidas podiam ser muito atrativas e dar um apoio muito grande à comunidade de Macau", na área das indústrias criativas, defendeu Carlos Sena Caires, em declarações à agência Lusa.

"Abrir uma incubadora de empresas, seria muito importante, ligada às indústrias criativas", assim como "abrir um centro de investigação", frisou, à margem do seminário "Indústrias Criativas e Desenvolvimento Social e Económico", promovido pela delegação de Macau da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

 

"Seria fundamental" para impulsionar as indústrias criativas, sustentou, e, assim, contribuir para a diversificação da economia de Macau, a capital mundial do jogo, onde em 2018 as receitas dos casinos cresceram 14%, para 302.846 milhões de patacas (32.796 milhões de euros).

 

O diretor sublinhou que "ainda há muito trabalho a fazer no índice de criatividade" num território que tem mais de 1.050 associações e deu conta que a instituição está a tentar lançar um projeto-piloto na cidade vizinha de Zhuhai com um centro de inovação (Inno Valley) no qual se estão a juntar várias 'startups'.

 

"É uma coisa embrionária, está a ser discutida entre a Faculdade de Indústrias Criativas, a Faculdade de Gestão e Direito e o Inno Valley, (...) que serviria para levar para aquele espaço a nossa mais-valia do ponto de vista formativo, com tecnologia inovadora ao nível da prototipagem", explicou.

 

No seminário, a coordenadora do Creative Macau -- Centro de Indústrias, um projeto desenvolvido e gerido pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau, aproveitou para ilustrar as oportunidades para o setor, dando o festival internacional de música e curtas-metragens Sound & Image como "um caso de sucesso".

 

"Este ano já recebemos cerca de dois mil filmes [candidatos]", sublinhou Lúcia Lemos, lembrando que este foi um projeto que nasceu em 2010 concebido para a escala de Macau e que em 2015 "conseguiu garantir a expansão internacional".

Ainda assim, e apesar do apoio do Governo de Macau, "a falta de agregação" de alguns "nichos de indústrias criativas" acaba por as tornar "presas fáceis das grandes empresas", salientou a responsável.

 

A diversificação da economia do território, hoje muito dependente do jogo, é uma ambição de Pequim patente na estratégia para a Grande Baía, uma metrópole mundial que a China quer criar a partir de Macau, Hong Kong e nove cidades chinesas da província de Guangdong, com cerca de 70 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior que o da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

 

Em 2018, o Governo de Macau concedeu 77 milhões de patacas (8,34 milhões de euros) a 24 projetos e dois programas na área das indústrias culturais, através de um fundo criado em 2013 para impulsionar a diversificação da economia local.

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