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CABEÇALHO




Há vinhos portugueses que na primeira visita ao território já estão a conquistar

possíveis clientes.

As produtoras dos néctares lusos apostam na qualidade e na diferença para fazer vingar os produtos portugueses a Oriente. Trazer na bagagem vinhos muito antigos ou aliar as marcas a um corredor de automóveis são algumas das estratégias para levar Portugal mais longe. O JTM falou com quatro produtores que avançam para o mercado asiático com um parceiro local, a Palatium Fine Wines.

 

O mercado asiático está a tornar-se cada vez mais apetecível para os produtores de vinho portugueses. Conquistar o paladar do Oriente pode não parecer uma tarefa fácil, mas a persistência, a qualidade e a diferença poderão trazer bons resultados. Terminada a Vinexpo Ásia-Pacífico, em Hong Kong, quatro produtoras lusas passaram por Macau para dar os primeiros passos por cá ou incrementar a sua quota de mercado.

 

O grupo de empresas onde se insere a Agri-Rocão tem uma relação antiga com a Ásia, mas só agora a exportação de vinhos poderá começar a entrar nesta parte do mundo. A divulgação do vinho do Porto será a aposta forte da produtora. “Viemos a Macau com o intuito de dar a conhecer o Vinho do Porto, para que as pessoas comecem a ter outro conhecimento

acerca daquele vinho”, disse ao JTM Ana Ribeiro, gerente daquela empresa do Douro, notando que uma das garrafas que poderão introduzir no mercado data de 1885.

 

Apesar de ser um néctar com uma longa história, Ana Ribeiro entende que as pessoas tendem a ver o Vinho do Porto de maneira restrita. “Notamos que existe uma falta de informação. É necessária uma abordagem para que se saiba que não é exclusivo para se beber antes ou depois da refeição”, exemplificou, ao salientar que este vinho poderá ser apreciado na Ásia também pela sua história já que este continente se seduz por factores históricos.

 

Nesta abordagem ao território, o Vinho de Porto poderá vir a dar frutos. Isto porque os responsáveis da empresa tiveram um encontro com o Galaxy Macau que abriu perspectivas.

 

“Marcámos já uma reunião para amanhã (sábado). Pelo menos, temos alguma esperança de que algum trabalho pode ser feito”, frisou Ana Ribeiro, notando que a estratégia da empresa passa pelo gourmet, restauração e não pelo mercado de massas.

 

Com os olhos postos no Oriente, a Agri-Rocão começa a responder às exigências de um mercado diferente. Enquanto os contactos decorrem, a empresa está a planear “uma embalagem especial” para apresentar os seus néctares neste lado do mundo.

 

MAIS DIVULGAÇÃO E CRIATIVIDADE. A maneira como se dá a conhecer a marca e a promoção que dela se faz é um marco importante nas estratégias, até porque, frisa, Pedro Lobo, director-executivo da Palatium, verifica-se que é necessária uma maior divulgação do vinho português. “O problema que ainda existe e que irá existir a curto e médio prazo é a falta

de conhecimento do vinho português. Em Macau já está mais que estabelecido, mas é preciso continuar a trabalhar para que a quota de mercado não desça”, frisou o responsável da Palatium, que se assumiu como um parceiro ideal para as empresas que se reuniram em Macau. “É necessário trazer sempre coisas novas e inovadoras, não deixando cair as marcas que já estão presentes, com nome feito e as quais são incontornáveis”, referiu.

 

Para “a falta de marketing e visão” na promoção do vinho, a produtora Piorros já encontrou uma solução. A empresa vai aliar-se a um dos rostos do desporto automóvel, o piloto Tiago Monteiro, para dar a conhecer os produtos que vende e o país onde produz. “Temos uma mais valia que é o facto de um dos proprietários da empresa ser um piloto de corridas que anualmente vem participar no Grande Prémio de Macau (GPM), o Tiago Monteiro”, referiu o director comercial da Piorros.

 

Esta empresa fez a sua primeira abordagem ao mercado de Macau, no ano passado, durante a Feira Internacional (MIF) e, depois de uma acção promocional na última edição do GPM, já conseguiu conquistar o seu espaço. “As coisas estão a correr bem. Conseguimos encontrar um parceiro que é a Palatium. Iniciámos o trabalho no mercado há muito pouco tempo. Os

vinhos ainda estão no mar, a caminho”, precisou Hugo Pinto, notando que a China Continental é outro dos espaços comerciais que querem explorar passo a passo.

 

De facto, segundo Pedro Lobo, o gigante chinês é um potencial mercado. “A China tem de ser olhada por nichos. (...) Há um potencial muito grande, mas é preciso ir com calma. Abrimos o escritório em Xangai, em Janeiro, e está a correr bem. Já temos uma quota razoável em meio ano”, referiu, notando que aquela é a cidade chinesa onde mais néctares lusos são vendidos.

 

Confiante no crescimento do mercado asiático está também a Quinto do Pinto, um projecto recente. “A possibilidade mais real é trabalhar com a Palatium. Mas já temos alguns negócios em decurso na China. E em relação aos restantes mercados asiáticos ficámos com bons contactos da feira de Hong Kong. Temos de fazer ‘follow-up’ para ver se os concretizamos, mas acho que vamos conseguir pelo menos um ou dois mercados”, referiu David Ferreira, gerente de área da produtora.

 

A empresa não se vai lançar neste mercado apenas com castas portuguesas. As francesas também farão parte do menu a oferecer, isto porque, salienta “são mais conhecidas pelo consumidor internacional” pelo que poderão resultar em Macau que é “um pólo giratório de turistas”. Assim sendo, a empresa acredita que “nos próximos tempos o mercado asiático irá representar cerca de 60 por cento do total” das suas vendas.

 

Para a Quinta da Lixa, com presença mais antiga na RAEM, o mercado asiático já começa a ter “importância nas exportações”. Um ano depois de ter participado numa prova de vinhos organizada no território pela Palatium, Carlos Teixeira nota que “as vendas aumentaram”. “O mercado tem estado a crescer com alguma notoriedade. Temos vinhos colocados em locais de referência”, disse dando como exemplo um dos vinhos que integra a lista do Galaxy Macau.

 

“As coisas estão a funcionar com uma boa distribuição. Em Hong Kong também começa a haver algum conhecimento sobre os nossos vinhos e as vendas crescem. Já na China Continental, neste momento, contamos com alguns contactos e estamos na fase das encomendas, a tratar da rotulagem para enviar o primeiro contentor”, sumariou o enólogo e produtor daquela empresa.

 

Com a expectativa de entrar noutros mercados da Ásia, como Singapura e Malásia, a produtora gostaria que neste momento “as exportações em termos de mercado asiático representassem 4 a 7 por cento”, o que face ao volume total de exportação de vinhos seria já uma percentagem “considerável”.

 

As quatro empresas que se reuniram durante um jantar no Clube Militar trazem projectos diferentes, mas todos concordam que Macau e a Ásia em geral privilegiam produtos de qualidade. Tendo-os na mala basta viajar até cá várias vezes, porque é um mercado que se conquista com presença e relações de confiança à medida que se vai marcando o nome de Portugal mais longe.

 

http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=403903011