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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Projetos Expresso. Desde segunda-feira passada que o Expresso online está a publicar um texto por dia com visões para as exportações. No total são 10 visões, das quais estão agora a faltar três, que serão publicadas até ao final desta semana. O projeto insere-se no “Mês das Exportações”, uma iniciativa do Expresso e do Novo Banco.

Durante os meses de quarentena, principalmente em abril, o peso do comércio online de electrónica de consumo cresceu dos 10% que tinha antes da pandemia para 33%. E em alguns supermercados aumentou de 2% para 5%, mesmo estando abertos e a funcionar normalmente. Nos meses seguintes, com o desconfinamento e a reabertura das lojas, esse peso desceu ligeiramente, contudo não voltou ao que era antes, mostrando que o online, mesmo ainda sendo residual, é uma tendência crescente junto dos compradores.

Este foi o cenário no comércio dentro de Portugal. Mas então como terá sido no comércio para fora do país, ou seja, nas exportações? Apesar de não haver números, a percepção de quem trabalha no sector é de que o comportamento foi semelhante e, tal como no comércio local, foi também uma forma de reduzir as pesadas quebras nas vendas provocadas pela pandemia. “O online ainda é residual, mas demonstrou ser uma atividade complementar às exportações normais e as empresas que não tiveram acesso a ele durante a primeira fase de confinamento foram as mais impactadas”, diz ao Expresso Luís Castro Henriques. Aliás, de acordo com o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), algumas empresas até mostraram estar bem preparadas para utilizar os canais digitais, mostrando que antes da pandemia já existia uma procura por este tipo de comércio.

 

“Começámos há dois anos a promover oportunidades de exportações no comércio online, por exemplo, dando formação às empresas, e estava a correr muito bem e a ter muita adesão. As nossas iniciativas de formação estavam muitas vezes esgotadas. Mas, de repente, apareceu março de 2020, o que fez aumentar ainda mais o interesse. Tivemos de adiantar algumas actividades e no início de julho lançamos o acelerador das exportações online que estava previsto para o último trimestre do ano”, conta Castro Henriques.

 

De acordo com Carlos Andrade, economista chefe do Novo Banco, com a pandemia, o comércio online - e a digitalização do sector das exportações - “deixou de ser uma prioridade para passar a ser uma inevitabilidade”. O reforço da AICEP na formação neste tipo de negócio é uma prova disso, mas é também uma necessidade, porque fazer exportações online não é tão fácil quanto parece.

 

“Há muitas plataformas destas onde se podem exportar centenas de milhares de euros, ou seja, há uma oportunidade, mas tem de se entrar como se fosse um novo mercado. Há plataformas para cada sector e cada uma delas tem regras diferentes ao nível do embalamento, das entregas, da disponibilidade de produto”, explica Castro Henriques. Ou seja, “exige um grau de preparação ao nível legal e às novas regras do comércio online, e também ao nível logístico e de adaptação dos produtos”, acrescenta.

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