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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Objetivo é que no dia 21 de julho cada retalhista tenha entrado em pelo menos um novo mercado. Experiência de utilização, meios de pagamento, logística e apoio ao cliente são algumas das áreas que vão ser exploradas neste curso intensivo sobre como vender mais e melhor online.

Por ser uma das maiores empresas de publicidade digital do mundo, a Google sabe exatamente o que leva – e o que não leva – um utilizador a carregar num anúncio e a fazer a compra de um determinado produto. É este o conhecimento que agora a empresa quer passar para sete marcas portuguesas, para que possam crescer no comércio eletrónico internacional.

 

Os retalhistas que vão fazer parte deste novo programa de crescimento da Google são a Hôma (antiga deBorla), Continente, Dott, PcDiga, Mr Blue, Lion of Porches e Zippy. Sobre os critérios de seleção das marcas, Nuno Pimenta, responsável pelas áreas de startups, retalho e viagem na Google Portugal, disse que a dimensão das empresas responsáveis foi um dos elementos tidos em conta, mas não o único.

 

“Olhámos para o panorama de retalhistas nacionais e para quais nos pareciam ter potencial imediato de exportação. Havia também o tema da agilidade, das empresas e das equipas. É um programa de dez semanas e precisávamos de ter equipas ágeis para no final deste período conseguirem estar a operar noutros mercados”, disse num evento online de apresentação do Google Retail Export Accelerator (Google REx), na qual a Exame Informática participou.

 

O responsável garante ainda que apesar da pandemia da Covid-19 ter evidenciado a importância e o potencial de crescimento que há no comércio eletrónico, o Google REx já estava a ser preparado desde meados de 2019. “Fomos falar com todos os retalhistas sobre se ainda fazia sentido para eles ou não fazer parte do programa [tendo em conta a pandemia]. Todos foram unânimes: agora faz ainda mais sentido”, sublinhou o responsável da Google.

 

Ao longo de dez semanas, as marcas portuguesas vão receber formação e mentoria de especialistas da Google na área do comércio eletrónico e vão abordar temas específicos como a experiência de utilizador, a medição de resultados e a criação de anúncios para a captação de clientes. “A ideia é acabar no dia 21 de julho com o demo day [dia da demonstração, em português]. Cada uma das empresas vai apresentar idealmente os novos mercados em que entrou”, explicou ainda Nuno Pimenta.

 

Para Gaspar D’Orey, diretor executivo do mercado online Dott, o objetivo de participação no programa Google REx é claro: “Vamos procurar em que mercados os nossos 2,5 milhões de produtos têm tração, lançar tudo o que seja canal online para estes países, ver os custo de [do cliente], quanto cada cliente é esperado comprar, para ver onde é que equação é mais favorável”.

 

Na prática, a Dott quer aprender a ‘testar as águas’ antes de ‘mergulhar’ de cabeça num novo mercado. Se o custo de aquisição de um cliente for muito elevado ou se o mercado simplesmente não responder, então o esforço e investimento devem ser canalizados para mercados onde os números façam sentido do ponto de vista do negócio.

 

Se por um lado a Covid-19 fez desbloquear o comércio eletrónico do lado de muitos consumidores, também vai criar maior concorrência entre empresas que vão querer aproveitar o momento. Mas este é um tema que não preocupa Gaspar D’Orey.

 

“Nós temos estado a converter produtores do queijo da serra, até estes estão a entrar no online. Imagino que vamos encontrar concorrência nas diferentes geografias, mas cabe a nós fazer as diferentes experiências e encontrar as bolsas de oportunidade. Temos mentalidade quantitativa e numérica e é essa a base do nosso relacional”, disse também no evento de apresentação.

 

Como consequência da pandemia, a Dott, que já é casa para quase mil vendedores portugueses, atingiu objetivos que só tinha projetado atingir no final de 2021. “[A pandemia] Veio cimentar uma alteração em termos de mentalidade junto dos portugueses. (…) A sociedade está a mudar em termos de mentalidade e veio para ficar”, acredita.

 

Já Nuno Pimenta considera que apesar de o mercado mostrar sinais de maior abertura relativamente ao comércio eletrónico, há áreas importantes que os retalhistas precisam de dominar: a correta adaptação ao mercado de destino; os meios de pagamento; a logística de recolha, distribuição e devolução; e garantir que há um apoio ao cliente com escala suficiente para responder à maior procura que deverá ser sentida. “ Acreditamos muito no potencial que os retalhistas portugueses têm”, disse o responsável da Google Portugal.

 

O Google REx é o terceiro programa de aceleração e apoio ao negócio que a tecnológica norte-americana lança no mercado português num curto período de tempo: além do programa para startups anunciado no início do ano, a tecnológica é parceira de um projeto de aceleração de negócios com a empresa de investimento Indico.

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