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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A 14.ª edição do Portugal Exportador elegeu Angola, Alemanha e Espanha como os mercados em destaque, reunindo a opinião de empresários, responsáveis políticos e órgãos de apoio ao comércio para traçar-lhes o retrato.

Três países em tudo diferentes mas que apresentam oportunidades para as empresas nacionais. Ao longo da tarde de quarta-feira, Angola, Alemanha e Espanha estiveram em análise na 14.ª edição do Portugal Exportador.

 

Angola, a recuperar

 

As dificuldades dos últimos anos têm feito cair o número de empresas portuguesas que exportam para Angola. “Hoje, são 5800”, refere Miguel Fontoura, conselheiro económico e comercial para Angola da AICEP, que destaca a posição de alguns empresários portugueses que optaram por se manter. “Foram para ficar porque acreditam que é algo com futuro”, frisou.Atualmente, parece haver uma melhoria das condições para os empresários que queiram investir. Como adiantou Adérito Van-Dúnem, diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento Industrial de Angola, deixou de ser obrigatório ter um parceiro local para iniciar negócio, existem benefícios fiscais em algumas regiões e está em curso um processo de privatização de empresas estatais.“Angola é o segundo país que mais consome produtos portugueses, e é por isso que queremos que as empresas portuguesas invistam na industrialização do nosso país”, afirmou Van-Dúnem, que defende que Angola é hoje um mercado “apetecível”.

 

Além da dimensão, e de uma população jovem (dois terços dos angolanos têm menos de 25 anos), representa por si só 30 milhões de consumidores, um número que pode ascender aos 300 milhões, considerando os países vizinhos da África Austral.“O mercado é fértil, com oportunidades para se criar riqueza”, disse o responsável, sublinhando que a atual estratégia de diversificação da economia passa por atrair o investimento estrangeiro para atividades em que Angola não é autossuficiente. “A indústria agroalimentar é uma delas, e esta é uma área em que os portugueses têm experiência”, lembrou.

 

Alemanha, exigente

 

Exigente, estável, dinâmico, competitivo. É assim que pode caracterizar-se o mercado alemão, um dos principais importadores de bens e serviços a nível mundial. Com mais de 82 milhões de habitantes, a Alemanha é atualmente o terceiro cliente das exportações portuguesas no que toca a bens e o quarto em serviços. É um mercado que dá relevância aos produtos e à relação com os fornecedores.

 

“É a competitividade das empresas que vai determinar a entrada no mercado alemão: se os produtos têm qualidade, se são produzidos em Portugal numa altura do ano em que não existem na Alemanha, ou se apresentam outro valor acrescentado. São esses aspectos que têm de ser analisados e não os setores”, afirmou Hans-Joachim Böhmer, diretor executivo da Câmara de Comércio Luso-Alemã.

 

Uma característica que dá vantagem às empresas portuguesas na entrada de um mercado líder em inovação e que tem como algumas áreas prioritárias o clima, a energia ou a mobilidade. “Portugal exporta mais em bicicletas e componentes do que em vinho”, lembrou, no mesmo painel, Miguel Crespo, conselheiro económico e comercial para a Alemanha da AICEP.

 

A escala é outra. A Seven Berries, com sede no Poceirão, em Palmela, resolveu a questão ao associar na mesma estrutura cinco produtores locais de pequenos frutos. “Já trabalhávamos em conjunto e há pouco mais de um ano decidimos criar a empresa”, explica Lúcio Silva, o diretor-geral. “A economia de escala, a qualidade do produto – não é através do volume que conseguimos competir em países maiores -, o networking e a eliminação de intermediários são essenciais para entrar nestes mercados”, assume o responsável da empresa, que exporta 90% do que produz.

 

“Na Alemanha existe uma cultura empresarial muito exigente. É determinante surgir com um bom produto e não falhar”, alerta o responsável da Seven Berries. As exportações para a Alemanha absorvem 41% da produção da empresa de Palmela, podendo chegar aos 50% já no próximo ano.

 

Espanha, à porta

 

Espanha é, de acordo com o relatório Doing Business do Banco Mundial, o 30 melhor país no que toca à facilidade de fazer negócio numa lista de 190. A economia está a abrandar, mas para 2019 o crescimento esperado é de 2,2%, valor que deverá descer para os 1,8% no próximo ano. Em 2017, havia 5964 empresas portuguesas a exportar para Espanha, estando os veículos, os metais e os produtos agrícolas à cabeça dos bens e serviços adquiridos. “Espanha é o primeiro cliente e o primeiro provedor de Portugal”, assumiu Pedro Moryon, conselheiro económico e comercial da Embaixada de Espanha em Portugal, na sua intervenção. São já sete mil as empresas a exportar para Espanha, tendo sido registado um crescimento de 1500 entre 2015 e 2018. O valor das exportações para Espanha tem crescido ano após ano, somando 18 631 milhões de euros em 2018.

 

No mesmo painel, Francisco Contreras, secretário-geral da Câmara de Comércio Luso-Espanhola, lembrou que, das 50 províncias, sete fazem fronteira com Portugal, representando no seu total “um mercado com mais de três milhões de consumidores, com um PIB que atinge os 63 mil milhões de euros”. “É algo a que as PME portuguesas devem estar atentas, já que em toda a faixa transfronteiriça existe um potencial de negócio muito importante.”

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