Quando falava no seminário “PME as empresas e o futuro”, uma parceria Exame/ Banco Popular, que se realizou em Guimarães, há uma semana, o administrador do grupo Jerónimo Martins, evidenciava a necessidade de Portugal poder competir melhor nos mercados externos. Luís Palha da Silva entende que “só podemos falar de alguns bons exemplos” quando se trata de evidenciar o valor das marcas.
A questão é mesmo de longo prazo porquanto agora “apenas podemos falar de pistas que nos podem levar a ter mais marcas”. Não há um único caminho para afirmar marcas portuguesas no mercado global. Pode haver alguns exemplos e um deles “é fazer com que as mais atractivas possam seguir os sítios onde há crescimento e ele está onde estão os competidores da nossa indústria”. Neste momento, o administrador do grupo Jerónimo Martins que foi o convidado principal deste seminário, identifica como bons mercados “os que estão a crescer mais, nomeadamente o asiático e o sul-americano”. Não deixou de parte a Europa onde as empresas portugueses têm de competir com os seus habituais parceiros de competição. Luís Palha da Silva deixou a ideia de que mais do conquistar mercados, o importante é conhecer os consumidores. “Hoje não é importante enviar camiões cheios de produtos, é importante conhecer as regiões onde se trabalha”. Sobre a perspectiva de mudança de mercados, entende que a mudança não é solução mas “o trabalho intensivo sobre os mercados em que operamos é que é importante”. Contudo reconheceu que na conquista de novos mercados “as empresas portuguesas sabem o que têm de fazer”. Já na sua qualidade de “key note speaker”, Luís Palha da Silva falou para uma plateia repleta de empresários e quadros de empresas com expectativas nos mercados internacionais. Sobre “o relançamento das empresas” a sua ideia foi partilhada por uma assistência interessada. Identificou no conjunto das necessidades dos consumidores e dos seus hábitos de compra, “os consumos cruzados” que afectam hoje a sociedade, dando como exemplos o ver-se cinema em casa ou futebol na TV. “As empresas devem escolher bem os segmentos de mercado” notou sustentando que cada uma deve escolher o seu “foco” para trabalhar.
Sem nenhum pessimismo alarmista mas com uma certeza inquestionável, Luís Palha da Silva sustentou que o “relançamento das empresas portuguesas”,não se fará tão cedo, porque o crescimento vai tardar. E tudo porque as “empresas portuguesas estão habituadas a um cenário de crescimento atípico: porque estão dependentes de um Estado que lhe pôe a mão em cima e de um meio ambiente de crescimento descontrolado”. Afirmou mesmo que “em Portugal há a ideia de que tudo cresce...” “Não é possível às empresas ter um mercado interno assegurado e exportar para o estrangeiro” - sublinhou com natural ênfase e explicando que “o mercado externo deverá ser outro mercado e ser rentável”. Não tem dúvidas de que nos próximos dois a três anos “não haverá um ambiente favorável para as empresas”. “Estamos entregues a nós próprios” registou Luis Palha da Silva que não vislumbra “qualquer mecanismo exógeno de apoio às empresas”. Por isso, aconselhou todos os empresários a ter “uma estratégia de desenvolvimento sustentado”. Sobre a competitividade das empresas portuguesas explicou que elas terão “sempre concorrentes com mais baixos custos” enquanto que em Portugal “45% do PIB for alimentado por impostos dessas empresas”. E ajuntou que as empresas portuguesas operam em mercados “onde a marca faz a diferença”. Com o financiamento em “seca, sem apoios do Estado, as empresas portuguesas só podem sobreviver se conhecerem o consumidor e só assim podem atingir o sucesso”. Apesar deste cenário, Luís Palha da Silva mostra-se optimista sobre o futuro porque “os empresários portugueses são muito capazes”, aconselhando os empresários portugueses a “ir aos países” onde querem operar e “não vender para os países” onde colocam os seus produtos. Depois da intervenção de Luís Palha da Silva, seguiu-se um painel de debate moderado por Nicolau Santos, director do “Expresso” e onde participaram Mário Vila Nova, administrador da Petrotec e Isidro Lobo da José Júlio Jordão, as duas empresas vimaranenses que estiveram em evidência, juntamente com a Impetus, de Barcelos. José Mendes da Universidade do Minho e Vital Morgado do AICEP completaram o leque dos oradores convidados.