NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Um dos efeitos do fim do “confinamento” em França, no contexto da pandemia COVID-19, é uma forte procura de compra de bicicletas por parte da população francesa, sobretudo da que reside nos grandes centros urbanos.

A 11 de maio, iniciou-se em França o período de "desconfinamento" progressivo, traduzido principalmente pela reabertura faseada das escolas primárias e colégios e, sobretudo, na abertura dos estabelecimentos comerciais e locais de trabalho (exceto bares, restaurantes e salas de espetáculo). Estas reaberturas coincidiram com o acesso dos trabalhadores aos transportes públicos (mediante uso obrigatório de mascara), e ao respetivo aumento da oferta desses meios de transporte: autocarros, metros, comboios urbanos e grandes linhas de caminho-de-ferro (nacionais e internacionais).

 

No entanto, na quase totalidade das metrópoles francesas, o receio dos utilizadores de transportes públicos, nomeadamente no que respeita às distâncias de segurança ou à higiene dos equipamentos, está a levar uma parte da população urbana a optar pela compra de bicicletas para o seu trajeto casa-trabalho-casa, a que também não será alheio o facto das condições meteorológicas deste período de primavera.

 

Esta opção também é largamente incentivada tanto pelas câmaras municipais, como pelas autoridades regionais e centrais francesas. Sempre numa lógica de diminuir os contactos, de evitar sobrecargas nos transportes públicos e acessoriamente por razões ecológicas, estas entidades estão a implementar medidas de natureza estrutural e financeira.

 

Ao nível estrutural, a Câmara de Paris anunciou a criação de 50 km de ciclovias adicionais gradualmente implementadas em toda a cidade e às quais se juntarão mais 100 km nos departamentos limítrofes. Também a metrópole de Lyon informou que até setembro serão criados mais 77 km de ciclovias.

 

A estas medidas de política pública urbana, assiste-se também ao lançamento de diversas medidas de apoio financeiro que têm origem em empresas, municípios, departamentos regionais e em vários ministérios franceses. Assim, depois de lançar um prémio de 50 euros para a reparação de bicicletas, o governo acaba de anunciar uma nova medida especificamente orientada para os trabalhadores. A partir de 11 de maio, as empresas poderão implementar um pacote de "mobilidade sustentável". Oficializada pelo decreto publicado no 10 de maio, a medida permite aos empregadores conceder uma ajuda até 400 euros por ano aos trabalhadores que venham trabalhar utilizando como meio de transporte a bicicleta ou bicicleta elétrica (apoio financeiro isento de impostos sobre o rendimento e as contribuições para a segurança social).

 

Por seu lado, a Câmara de Paris comparticipa com um valor até 400 euros na compra de uma bicicleta ou na conversão de uma bicicleta clássica em elétrica. Também a ajuda financeira da operadora de transportes públicos da região parisiense, "Ile-de-France Mobilités", poderá chegar até 500 euros na aquisição de uma bicicleta elétrica. Estes dois apoios não são cumulativos, mas um parisiense pode complementar os 400 euros da ajuda municipal com alguns apoios da operadora regional.

 

Como resultado de tudo isto, tem vindo a crescer exponencialmente a aquisição de bicicletas por parte da população francesa. A cadeia de lojas especializadas "Go Sport" estima o aumento da venda de bicicletas via web de 300 por cento durante o período de confinamento. Mesmo se os especialistas não preveem ruturas de stock, esta procura vai continuar a dinamizar a fileira. A cadeia de lojas Decathlon nota que já "2019 foi um bom ano para o ciclo", com "crescimento de quase dois dígitos", e que a tendência será muito provavelmente confirmada em 2020.

 

Segundo dados de outubro 2019 da "Union Sport et Cycle", principal federação de empresas do setor, o mercado das bicicletas continuou a crescer em 2018, superando os 2 mil milhões de euros de vendas (mais 2,3 por cento) com quase 2,7 milhões de bicicletas vendidas. O segmento de bicicletas elétricas (BAE) é o que mais contribui para o dinamismo do setor.

 

Mais informações sobre este assunto podem ser obtidas junto da Delegação da AICEP em Paris.

Partilhar