NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A Dinamarca encontra-se agora na segunda fase de reabertura, de entre as 4 fases previstas. Ainda assim, as estatísticas demonstram um colapso na economia dinamarquesa no primeiro trimestre do ano, com uma redução no PIB de 1,9 por cento face ao último trimestre de 2019. Este foi o maior declínio trimestral do PIB desde 2009.

Na passada segunda-feira, a Dinamarca avançou com a segunda fase do processo de reabertura da economia. Ainda que o setor do retalho tenha recebido permissão para abrir a 11 de maio, abriram agora, entre outros estabelecimentos, restaurantes e cafés. Relembremos que o país foi um dos primeiros a impor a quarentena, que teve início a 11 de março.

 

O governo dinamarquês tem-se demonstrado eficaz no que toca à gestão e controlo da pandemia que vivemos. No entanto, e como seria de esperar, os indicadores macroeconómicos refletem já algumas das consequências do COVID-19 na economia.

 

O relatório publicado pela Eurostat a 15 de maio demonstra um colapso na economia dinamarquesa no primeiro trimestre do ano, com uma redução no PIB de 1,9 por cento face ao último trimestre de 2019, sendo este o maior declínio trimestral do PIB desde 2009. As expectativas são de uma queda ainda mais elevada no segundo trimestre do ano, seguida de uma melhoria na segunda metade de 2020. Apresentando uma visão otimista, o banco dinamarquês Arsbejdernes Landsbank estima um crescimento do PIB nacional de 2,5 por cento para 2021, sendo que este valor está extremamente dependente do decorrer do presente ano, assim como da conjuntura internacional. Na União Europeia, a queda no PIB foi de 3,3 por cento (e de 3,8 por cento na Zona Euro), comparativamente com o último trimestre de 2019.

 

De acordo com a Statistics Denmark, as maiores perdas registaram-se na indústria dos serviços, com fortes quebras nos transportes, hotéis e restaurantes, uma vez que a indústria dos serviços foi diretamente afetada pelas medidas de combate à propagação da pandemia. Setores como o agrícola e indústrias como a de construção demonstraram alguma resiliência. Em Abril, o ministro das finanças dinamarquês – Nicolai Wammen - estimou uma contração de entre 3 e 6 por cento no PIB para o presente ano, dependendo da rapidez da reabertura da economia, entre outros fatores. Sendo a Dinamarca uma pequena economia, aberta e orientada para o comércio externo (com as exportações a representar mais de 50% do PIB nos últimos 10 anos), a sua recuperação estará bastante relacionada com o desenvolvimento da crise a nível internacional.

 

Considerando outros indicadores, prevê-se uma redução de 13 por cento nas exportações dinamarquesas em 2020, de acordo com a Confederação da Indústria dinamarquesa.

 

Já o consumo privado recuperou como resultado da primeira fase de reabertura, e é expectável que continue com o início da segunda fase. As expectativas são as de uma quebra de 4 por cento neste indicador, em termos anuais. De acordo com a Statistics Denmark, o Índice de Confiança do Consumidor foi, no passado mês de abril, o mais baixo dos últimos 10 anos, tendo passado de 0,4, em março, para -11,9, em abril. Observou-se uma ligeira melhoria em maio, sendo atualmente -8,8.

 

Quanto ao desemprego, registou-se uma redução de 1.128 no número de desempregados, nas últimas 2 semanas, mas ainda assim a pandemia fez aumentar em 47.679 o número de desempregados no país. Dados do Ministério da Economia dinamarquês estimam em 170.283 o número de trabalhadores abrangido pelo novo acordo de compensação salarial no setor privado, correspondente a aproximadamente 10 por cento do mesmo. No período anterior ao COVID-19, a Dinamarca encontrava-se próximo do pleno emprego, com uma taxa de desemprego de 3,7 por cento - a mais baixa da última década.

 

Para combater os impactos negativos da pandemia, o governo dinamarquês lançou já diversas medidas de apoio à economia, sendo que o pacote de ajuda ronda os 400 mil milhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente 53,5 mil milhões de euros).

 

Mais informações sobre o impacto do COVID-19 no mercado dinamarquês aqui.

Partilhar