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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A EY acaba de lançar, em parceria com a APIT (Associação de Produtores Independentes de Televisão), um trabalho onde propõe um conjunto alargado de medidas legislativas e regulamentares específicas, que visam a criação de um contexto económico mais adequado ao desenvolvimento do setor audiovisual e à sua internacionalização.

Este trabalho aprofunda e concretiza as recomendações tecidas no "Estudo Estratégico do Setor de Produção de Conteúdos Audiovisual em Portugal", realizado entre 2016 e 2017, pela sociedade de consultores Augusto Mateus & Associados.

 

Este  novo estudo recupera ainda as principais conclusões do diagnóstico de 2016 e 2017 e atualiza as tendências globais da procura de produtos audiovisuais.

 

Apesar das tendências de aumento da procura, de acordo com as conclusões agora divulgadas, a existência de um mercado em constante mutação e a adaptação às necessidades e gostos de uma audiência cada vez mais segmentada, mas também mais interessada, dinâmica e participativa, dificultam a consolidação do setor em análise.

 

De acordo com o estudo EY, nos últimos anos observa-se uma preferência pelo consumo indoor, em especial de conteúdos audiovisuais, e uma redução do número de idas ao cinema, teatro e exposições. Para além disso, o aumento da velocidade da circulação dos produtos, da acessibilidade e dos suportes tecnológicos de reprodução, permitiu o reforço das práticas culturais domésticas, indutoras da diminuição das receitas de bilheteira de cinema e, em sequência, da diminuição da presença em recintos culturais.

 

O aumento do poder dos consumidores e a própria produção de conteúdos obrigaram as empresas estabelecidas a adaptar-se ao mercado através do fornecimento de uma oferta integrada e competitiva e obrigou os players a estar onde estão os consumidores e a proceder a uma divisão do investimento em diferentes meios, nomeadamente no online.

 

O consumo televisivo continua a desempenhar um papel preponderante na vida dos portugueses, um dado sustentado quer pelo consumo televisivo diário, que no nosso país se situa entre as quatro e as cinco horas, quer pela percentagem de pessoas (70 por cento), entre os 15 e os 24 anos, que vê filmes, séries e documentários online. Em virtude destes resultados, verifica-se um crescimento do product placement, como estratégia alternativa à publicidade tradicional.

 

As tendências verificadas pelo estudo refletem ainda as estratégias implementadas pelos stakeholders do setor audiovisual afetados, nomeadamente a reconstrução da identidade do produtor, que passou de produtor de televisão a produtor de conteúdos audiovisuais. Registou-se ainda o alargamento das caraterísticas dos direitos de propriedade intelectual e a capacidade de produção e internacionalização de conteúdos.

 

Em termos de estratégias para a reinvenção do setor audiovisual português, a EY recomenda a realização de estudos que permitam conhecer as dinâmicas do mercado e deste modo criarem conteúdos adaptados aos gostos, interesses e rotinas dos consumidores, a fusão de pequenas empresas, visando impulsionar a construção de um tecido empresarial mais sólido e sustentável, com pluralidade e diversidade criativa, bem como a formalização de parcerias entre canais e produtoras.

 

A consultora apela para a importância do desenvolvimento de conteúdos apelativos que garantam audiências, investimento publicitário e sustentabilidade imediata, bem como a construção de produtos adaptados aos circuitos e mercados internacionais. E, reforça ainda a revisão das grelhas de programação dos canais free to air, a procura de novos espaços programáticos para emissão de conteúdos (canais pagos, plataformas OTT) e o desenvolvimento de uma estratégia online aguerrida.

 

No que respeita ao papel das políticas públicas para o desenvolvimento do setor, as conclusões evidenciam a importância da manutenção do serviço público de televisão e da existência de uma lei da televisão e dos serviços a pedido que garantam uma leitura clara e abrangente, por todas as entidades da cadeia de valor audiovisual e a efetivação de um level playing field capaz de promover o desenvolvimento da indústria dentro de um clima de concorrência saudável e equilibrado.

 

Tendo como fundamento a visão e estratégia para o setor audiovisual português, assim como os desafios exigentes que o desenvolvimento tecnológico acarreta, o presente estudo propõe um conjunto de medidas concretas capazes de potenciar o desenvolvimento deste setor em Portugal, garantindo um melhor equilíbrio de forças ao longo da cadeia de valor e o reforço dos valores da cultura europeia e da língua portuguesa em particular.

 

As propostas para um novo quadro legislativo do audiovisual em Portugal envolvem a utilização dos três instrumentos de política pública e que passam pelo estabelecimento e cumprimento de quotas de emissão de obras europeias, obras de produção independente e obras originalmente em língua portuguesa para todos os tipos de operadores (incluindo VoDe televisão); obrigações de investimento em obras europeias, obras de produção independente e obras originalmente em língua portuguesa para todos os operadores (incluindo os que não têm estabelecimento em Portugal) e regimes de incentivos mais completos e abrangentes que combinem apoios financeiros e fiscais, não só à produção audiovisual, mas também aplicáveis aos operadores que investem nessa produção.

 

Mais informações aqui.

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