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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

30% das empresas arranjaram novos clientes em pandemia.

Apesar da quebra nas vendas, quase um terço das empresas diz ter encontrado novos clientes. O Governo promete apoiar a internacionalização e quer exportações em 50% do PIB em 2027.

Pode ser apesar da crise, ou por causa da crise - é cedo para tirar conclusões. Mas quase um terço das empresas diz ter conquistado novos clientes em agosto, face aos que tinha antes da pandemia A conclusão consta do estudo Sinais Vitais, um projeto da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, em parceria com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE, apre sentado esta segunda-feira


"A pandemia provocou também uma abertura para novos clientes", conclui o estudo, indicando que 30% das empresas venderam em agosto a novos clientes, face àqueles que tinham antes da pandemia de covid-19.


A diversificação da carteira de clientes é um sinal positivo da recuperação que se está a verificar no terceiro trimestre deste ano. A primeira estimativa do PIB só será divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística a 30 de outubro, mas os indicadores de maior frequência dão algum ânimo, ao recuperar dos mínimos históricos.


"Os últimos meses, em particular na componente de bens, registam melhorias em cadeia e uma diminuição do gap face ao período homólogo", nota o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, em declarações ao Negócios.
'Apesar da incerteza criada pelo contexto sanitário, espera-se um ano 2021 de recuperação, o que aliás está em linha com as previsões de todas as organizações internacionais", reforça


No documento das Grandes Opções do Plano (GOP), já aprovado em Conselho de Ministros e enviado aos parceiros sociais para apreciação, o Executivo reforça o compromisso com a meta de internacionalização da economia O Governo explica que o Programa Internacionalizar 2030 terá "o triplo objetivo de alargar e consolidar a base de empresas exportadoras, diversificar os mercados de exportação e atingir um volume de exportações correspondente a 50% do PIB até 2027." Antes da pandemia, a meta era atingir este patamar em 2025, mas em julho foi revista


"Faz todo o sentido alterar a meta para 2027", avalia Fernando Alexandre, economista e professor na Universidade do Minho, ao Negócios. Desde logo, explica, "há imensa incerteza" e é preciso ter em conta que o turismo vai levar algum tempo a recuperar. "Tudo indica que em 2021 ainda vai haver muitas restrições ao turismo, até autoimpostas, pelas pessoas", antecipa
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), no segundo trimestre deste ano as exportações caíram 39,5% face aos mesmos três meses de 2019. Para este resultado contribuiu a contração de 32,6% nas vendas de bens, e a queda de 54,5% nos serviços. "É de destacar a diminuição mais acentuada das exportações de serviços", lê-se no boletim do INE, "sobretudo em consequência da forte contração da atividade turística", frisa


Para Fernando Alexandre, a velocidade de recuperação vai de - pender, em grande medida, da capacidade de Portugal aproveitar a estratégia de reindustrialização da economia europeia O economista sublinha que os sinais de retoma na venda de bens ao exterior são já bastante animadores e diz que a nova meta "é exequível".


Nas GOP, o Executivo indica que vai apresentar a primeira ver são do Plano de Recuperação e Resiliência, que procura tirar par tido dos apoios europeus, a partir de 15 de outubro. A estratégia vai contemplar "sistemas de incentivos e apoio ao desenvolvimento de conhecimento, que permitam a reanimação e a recuperação das cadeias produtivas e dos setores que saíram mais fragilizados da pandemia", promete o Executivo. Entre outros, dá como exemplo o "turismo e atividades conexas" e os "setores tradicionais exportadores".


69% dos empregadores esperam manter força de trabalho igual a 2019


A maioria das empresas que respondeu ao inquérito da CIP espera vender menos nos últimos quatro meses deste ano do que no mesmo período de 2019.


A maioria das empresas em Portugal espera manter o mesmo número de trabalhadores no período de setembro a dezembro deste ano, quando comparado com os mesmos quatro meses de 2019. A conclusão consta do estudo Sinais Vitais, um projeto da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, em parceria com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE, apresentado esta segunda-feira


De acordo com o inquérito, 69% das empresas disseram esperar manter a sua força de trabalho inalterada, apesar da cri se provocada pela pandemia de covid-19. Só 21% das empresas assumem que deverão ter no final deste ano menos funcionários do que os que tinham no mesmo período do ano passado. Entre as empresas que admitem despedir, o corte médio esperado nos recursos humanos é de 27%. Os restantes 10% indicam que vão contratar face a 2019, antevendo uma subida de 14%.


A promessa de não reduzir o emprego surge apesar das más expectativas quanto às vendas. Depois de atravessado aquele que se espera que tenha sido o período mais agudo da crise - abril e maio, quando a economia esteve em confinamento, em estado de emergência e vários setores parados - as empresas antecipam uma recuperação relativamente lenta

Quando questionadas sobre o impacto da crise nas vendas dos próximos meses, 61% disseram antecipar uma queda Em termos médios, o valor da redução prevista aponta para uma contração de 39% das vendas. Menos de um terço das inquiridas (27%) disse esperar manter o mesmo nível de vendas nos últimos quatro meses do ano, enquanto 12% afirmaram esperar uma subida (em média, de 22%).


Há 12% das empresas a afirmar que ainda estão a utilizar o lay-off e 17% a indicar que já recorreram ao incentivo extraordinário à normalização da atividade empresarial.


39% cortam investimento para metade


O estudo indica ainda que 39% das empresas inquiridas prevêem concretizar menos investimento este ano, do que em 2019. A queda, dizem os empresários em causa, é muito acentuada 54% em termos médios.


Apenas 17% das empresas afirmam que chegarão ao final deste ano com níveis de investimento superiores aos de 2019, sendo a subida em média de 34%.


Ainda assim, analisando a evolução das suas vendas e prestação de serviços, muitas empresas (30% do total de inquiridos) indicam que em agosto, face aos níveis pré-pandemia, conquistaram novos clientes. Estes novos clientes representaram 15% das suas vendas, naquele mês.


O estudo foi realizado com base numa amostra de 658 empresas e apresenta uma margem de erro de 3,8%, para um intervalo de confiança de 95%. Imp

INVESTIMENTO
39% das empresas dizem que vão cortar o investimento para cerca de metade, face a 2019. Só 17% indicam que vão investir mais.

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