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CABEÇALHO

A consultora Oxford Economics considerou hoje que a perspetiva de evolução da economia de Moçambique ensombrou-se significativamente devido à redução das exportações de matérias-primas, à violência no norte do país e à pandemia da covid-19.

"A perspetiva de evolução da economia a médio prazo deteriorou-se rapidamente no último mês, com a queda dos preços das suas principais exportações, o carvão, o alumínio e o gás natural, devido ao pânico global induzida pelo novo coronavírus", escrevem os analistas numa nota sobre Moçambique.

 

Na análise, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas da Oxford Economics escrevem que "a forte queda nos preços do gás natural, em particular, significa que o desenvolvimento dos principais projetos de gás natural liquefeito está em risco".

 

A este propósito, os analistas citam uma notícia da Reuters, segundo a qual a ExxonMobil já teria decidido adiar a Decisão Final de Investimento para o próximo ano, mas sobre a qual não há confirmação oficial, apesar de ser genericamente aceite entre os observadores que o adiamento vai mesmo acontecer, principalmente devido à incerteza trazida pela pandemia da covid-19.

 

"O desenvolvimento destes grandes projetos de gás natural é a base da nossa análise positiva sobre o crescimento do PIB, mas a queda no preço das matérias-primas causada pela pandemia e a escalada de conflito em Cabo Delgado e Sofala vão levar-nos a baixar significativamente a previsão de evolução da economia a médio prazo", alerta a Oxford Economics.

 

"Para tornar as coisas ainda piores, os dois ataques nestas províncias ameaçam deixar ainda mais vulneráveis as comunidades já de si arrasadas pelos ciclones do ano passado, e perturbar a logística das exportações", apontam os analistas.

 

Desde o princípio do ano, o metical desvalorizou-se em 6% devido à queda do preço das matérias-primas, prejudicando Moçambique, que é um importador da maioria dos bens de consumo "e, consequentemente, uma moeda mais fraca é fortemente associada a preços mais altos para os consumidores", que deverão ter de enfrentar perturbações na cadeia de distribuição e escassez de produtos".

 

No continente africano, já morreram 152 pessoas e registaram-se 4.871 casos da covid-19 em 46 países.

 

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 750 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 36 mil.

 

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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