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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O apoio aos empresários agrícolas, as novas oportunidades e os desafios de Alqueva estiveram no centro das Conversas Soltas no espaço do Santander na Ovibeja.

A agricultura era um parente pobre da economia", disse António Vieira Monteiro, presidente do Santander, colocando a tónica no passado. Hoje, a agricultura, em especial a de regadio que se desenvolve em torno do grande reservatório de água de Alqueva, já está a dar frutos e tem um futuro promissor. Atraído pela barragem de Alqueva, a maior reserva estratégica de água da Europa, o Banco Santander reforçou a sua presença com a inauguração de um Centro de Empresas em Beja para acompanhar as empresas desta zona, adiantou o líder do Santander durante as Conversas Soltas, debate conduzido por António Perez Metelo, que aconteceu entre 27 e 30 de abril no espaço Santander Advance Empresas na Ovibeja. "A incorporação do Banco Popular pelo Santander trouxe conhecimento que não tínhamos. Juntámos a força do Santander como primeiro banco doméstico privado com a força do conhecimento do mundo rural detido pelo Banco Popular", explicou o líder perante empresários, gestores e dirigentes associativos. O banco quer criar condições para que se desenvolva a agroindústria nesta zona e apoiar os investidores - muitos vêm de Espanha mas também dos Estados Unidos. Além dos produtos financeiros, o Santander oferece cursos de formação presencial e à distância para criar profissionais qualificados e paga estágios a universitários que coloca em empresas agrícolas da região do Alentejo, como explicou Carlos Santos Lima da Direção Coordenação de Negócios do Santander. O quadro acredita no futuro da região, a avaliar pelas manifestações de interesse que lhe têm chegado da parte de investidores estrangeiros. Também a Câmara Municipal de Beja se prepara para abrir as portas de um novo centro de empresas. Paulo Arsénio, presidente da Câmara Municipal de Beja, explicou que o Espaço Empresas está a ser desenvolvido em parceira com a AICEP e com o IAPMEI e pretende apoiar os empresários que queiram investir com informação sobre os apoios financeiros disponíveis. Além disso, o autarca disse estar a preparar o lançamento do Fundo de Apoio ao Investimento com cerca de um milhão de euros para ajudar as PMES a instalarem-se no concelho.

DA MATÉRIA PRIMA AO PRODUTO ACABADO
Até aqui Alqueva permitiu a instalação e crescimento de explorações agrícolas, fonte de matéria-prima. Mas faltam as fases seguintes: a agroindústria e a comercialização de um produto acabado de valor acrescentado. Todos os presentes concordam com esta necessidade, que veem como oportunidade de negócio, mas não hesitam em lembrar constrangimentos, como a falta de mão de obra qualificada e não qualificada e a falta de espaços com dimensão suficiente para instalar indústrias, como indicou João Ferreira, sócio-gerente da Irricampo, empresa de equipamentos de rega de Santarém que se instalou na zona de Alqueva. A mesma preocupação é manifestada por Luís Azevedo Vasconcellos e Souza, presidente da cooperativa de produtores Agromais, especializada em cereais e hortícolas da zona da Golegã. "Falta fazer a transformação do produto da terra", indo além da produção de matéria-prima", diz, acrescentando que "não existem terras disponíveis para comprar e instalar fábricas." O que aconteceu, segundo Vasconcellos e Souza, foi que a capacidade de investimento foi maior do que o que se previa e não se fez planeamento para toda a cadeia produtiva- da matéria-prima à comercialização e um produto acabado. Paulo Arsénio apontou a falta de acessibilidades como um dos principais entraves à captação de investimento e mostrou-se disponível para abordar o assunto com o poder central, pois o concelho de Beja perdeu 1700 habitantes nos últimos seis anos.


EXPANSÃO DE ALQUEVA EM MAIS 50 MIL HECTARES DE REGADIO
"O que mudou Alqueva no concelho de Beja", perguntou António Perez Metelo, economista e ex-jornalista. "Mudou tudo." "A paisagem alterou-se." "Estamos a extrair mais-valias que não sabíamos que tínhamos", foram algumas das resposta dos presentes no stand do banco em plena Ovibeja.
Este é o cenário atual: os 120 mil hectares de regadio da primeira fase estão concedidos. Agora, é urgente acrescentar mais área de regadio, um projeto já aprovado. A produção das explorações agrícolas de Beja mais do que duplicou. É tempo de complementar esta produção com a atividade de PME a operarem no setor agroindustrial que transformem a matéria-prima proveniente do regadio em produto acabado. No final, este crescimento deverá gerar emprego que permita a fixação das pessoas neste território. "Entre 2019 e 2021, deverão estar finalizadas as infraestruturas que permitem a extensão de mais 50 mil hectares para juntar ao regadio já concluído. Para isso, já estão aprovados dois empréstimos bancários até 280 milhões de euros", explicou José Pedro da Costa Salema, presidente da EDIA, a empresa que gere Alqueva. Alqueva é um projeto de fins múltiplos. A eletricidade é um deles. E neste ponto, para José Pedro Salema "Alqueva é uma bateria gigante para o sistema elétrico." O que aprendemos com Alqueva? A modernizar
empresas e a estender a área irrigada para outras zonas do país. "Em Portugal, quando a temperatura sobe, a água deixa de ser suficiente. Há um desfasamento entre a chuva que cai e a nossa necessidade de água", defendeu o responsável pela empresa que gere o "grande lago" de Alqueva. Por isso, "temos de armazenar através de barragens." No Plano Nacional de Regadios prevê-se a reabilitação do regadio existente e a criação de novas áreas de regadio para não perder pitada de água. Mas, "faltam barragens no país", lança o líder da EDIA.

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