A Manoel D. Poças Júnior acaba de entrar na Polónia, depois de ter celebrado contratos de venda de vinhos do Douro e do Porto com cerca de 40 garrafeiras daquele país da Europa Central.
O objectivo é conquistar um mercado "ainda embrionário" e onde o "preço é um factor muito sensível", avança o director comercial da empresa, Pedro Pintão. Os vinhos da Poças vão acompanhar a selecção nacional de futebol ao Campeonato Europeu que, na primeira fase do evento, irá ficar alojada na Polónia.
"Vamos aproveitar o facto de o futebol ser um sector exportador, de jogadores, treinadores e do País" e procurar assim contornar "as dificuldades e contrariedades de vender" produtos portugueses, justifica o mesmo responsável. "Como estamos a começar a trabalhar a Polónia, pareceu-nos que esta abordagem [o chefe da selecção, Hélio Loureiro leva os vinhos Poças para servir nos jantares e oferecer a convidados] seria interessante" para promover os vinhos da empresa, acrescenta. Até porque, realça: "Queremos fugir à guerra de preços e obter um valor acrescentado" com as exportações.
A Poças está a direccionar os esforços comerciais para os mercados da Europa de Leste, além da China, Brasil, Canadá e América do Sul, porque a política de preços na Europa está muito agressiva. "Estamos a desistir de alguns mercados e a apostar noutros", frisa Pedro Pintão, que adianta que as vendas para a Holanda, Bélgica ou França "estão a perder peso" face a outros destinos.
A empresa registou, no ano passado, um volume de vendas de oito milhões de euros, valor idêntico ao facturado em 2010. No entanto, em 2011, o mercado nacional apresentou uma quebra de 20% face a 2010, que acabou por ser compensada com as vendas internacionais. Como realça Pedro Pintão, a empresa coloca vinhos em 25 mercados, que valem 90% das vendas. Para este ano, a perspectiva é para uma manutenção das vendas, com a aposta na "transferência de mercados maduros por outros" destinos.
A China é um dos mercados onde a Poças tem vindo a apostar, mas Pedro Pintão sublinha que "vender para a China não é difícil, o que é difícil é vender na China". E apresenta as razões para essas dificuldades: "É um mercado muito volátil, com 'players' a aparecer e a desaparecer". Mas como é um destino "interessante", a Poças tem investido na angariação de distribuidores e na participação em feiras. Neste momento, a empresa tem três pessoas a trabalhar com o mercado chinês.
A Poças tem no vinho do Porto o seu principal negócio, que representa 85% das vendas. A produção atinge 1,5 milhões de garrafas/ano. Ainda assim, os vinhos de mesa do Douro têm vindo a ganhar espaço, desde que surgiu em 1992 a primeira experiência.