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CABEÇALHO

Um alto quadro do Banco Popular da China anunciou em Xangai que o projeto de criar uma moeda digital está concluído. A China vai mesmo lançar uma moeda digital oficial?

Tudo indica que sim, ainda que não se saiba a data de lançamento oficial. Mu Changchun, diretor-adjunto da divisão de Pagamentos do Banco Popular da China, o banco central, referiu no Fórum China Finance 40, em Xangai, que o protótipo de moeda encriptada que se baseia na tecnologia blockchain (também usada pelas criptomoedas privadas, como a bitcoirí) está concluído. Depois de cinco anos de pesquisa pelo grupo de investigação da moeda digital do banco, a divisa encriptada está tecnicamente preparada e foi desenhada sobretudo para "cenários" de retalho de pequena escala altamente baseados em tecnologia, sublinhou aquele responsável.


Porque razão a China se meteu nesta corrida?
Pequim decidiu no seu plano estratégico de médio prazo apostar nas tecnologias digitais de modo a tornar-se um líder mundial em várias áreas. No plano financeiro, a China é o mercado de maior crescimento no uso da internet móvel para compras, pagamentos e uso das contas bancárias. Mais de 40% do valor das transações mundiais de comércio eletrónico regista-se neste país. As transações digitais anuais na China são superiores ao valor combinado do registado na Alemanha, EUA, França, Japão e Reino Unido. A título de exemplo, o valor dos pagamentos feitos na China por aparelhos móveis é 11 vezes superior ao que ocorre nos Estados Unidos. A China dispõe do maior exército de consumidores digitalizados.


Há outros bancos centrais com projetos nesta área?
Há. A Suécia está também na linha de frente. O projeto e-Krona (coroa eletrónica) desenvolvido pelo Riksbank, o banco central sueco, deverá estar concluído ainda este ano. O Banco Internacional de Pagamentos (BIS, no acrónimo em inglês), que funciona como o banco central dos bancos centrais, tem acompanhado o projeto sueco. Agustin Carstens, o ex-governadordo Banco Central do México que é diretor-geral do BIS, referiu em julho que a organização está a trabalhar com vários bancos centrais nesta área. O mexicano, que já foi candidato ao lugar de diretor-geral do Fundo Monetário Internacional contra Christine Lagarde, referiu que "mais cedo do que se pensa" os bancos centrais vão ter de emitir as suas próprias divisas digitais.


O BCE está envolvido num euro encriptado?
Não. Mário Draghi já disse que o Banco Central Europeu não vê "uma necessidade concreta" de enveredar por esse caminho. A ideia partilhada pelos académicos na Europa é que os riscos de circulação de divisas digitais dos bancos centrais são mais elevados do que os benefícios, segundo um estudo de Antonio Fatás, do INSEAD em França, publicado no portal Vox.eu. No entanto, a resposta dos bancos centrais ao desafio das moedas encriptadas tornou-se mais premente depois do anúncio da iniciativa da Libra em que está envolvido o Facebook e que tem sido criticada por poder criar uma situação de concentração de poder global de mercado por um pequeno grupo de entidades privadas.

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