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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Startup portuguesa criou um software que permite aos hotéis independentes fazerem uma gestão da oferta de uma forma mais transparente e rápida.

Há vários anos que José Pedro Almeida trabalha no mundo da hotelaria. Com formação na área, começou, em parceria com uma sócia, por dar apoio a hotéis, prestando consultoria na área comercial.

 

Analisavam dados do mercado, dados internos das unidades hoteleiras e traçavam um plano estratégico. A partir daí, monitorizavam a atividade através de dados analíticos. Em 2016, começaram a dar formações sobre este tema com o Turismo de Portugal. Mas, à medida que o tempo ia passando, foram percebendo que os hotéis não queriam este apoio de consultoria, nem uma empresa externa a desenvolver o trabalho de revenue management – ou seja, gestão da oferta. Perceberam que o mercado tinha preferência por uma solução interna. Decidiram em 2017 partir para o desenvolvimento de um software que faz esta gestão de oferta. E, no ano seguinte, o XLR8 chegou ao mercado.

 

“O software é uma espécie de GPS para hoteleiros. Recolhe dados de várias fontes de informação” e depois vai “dizer ao gestor hoteleiro: atenção, por exemplo, em setembro há menos reservas britânicas porque há menos voos, ou este canal está a vender melhor, ou há uma tipologia de quarto que está a vender pior. Vai trazer todos estes indicadores, seja internos seja de mercado, e dando alertas. É nisso que estamos a trabalhar com inteligência artificial”, explica ao Dinheiro Vivo José Pedro Almeida, CEO. IA dá ajuda Com o apoio da inteligência artificial, vão ser recolhidos dados, identificados padrões e, a partir daí, vai ser percetível uma tendência e assim dar informações aos gestores hoteleiros. “Integramos na base de dados do hotel e recolhemos também dados do mercado, como preços de concorrência e reputação do hotel. No fundo, todas as variáveis que têm impacto na procura de um hotel.

 

A partir do momento em que integramos esses dados, detetamos padrões, promovemos alertas e permitimos dizer ao utilizador: podia estar a vender mais caro ou mais barato, ou podia fazer uma campanha ou abrir mais canais de distribuição. O número de outputs são infindáveis e, no fundo, era o que fazíamos antes de ter o sistema.” O XLR8 está vocacionado para hotéis independentes e cadeias hoteleiras de média dimensão. Não é o único sistema de revenue management, mas “é o único que o faz desta forma”, ou seja, “ dá os resultados de uma forma mais transparente e mais intuitiva”.

 

O modelo de negócio assenta numa subscrição mensal do software e, para já, a startup conta com três dezenas de clientes nacionais. Captou uma ronda de financiamento da Portugal Ventures (sociedade pública de capital de risco) na internacionalização, algo que deverá acontecer nos primeiros meses de 2020. O primeiro destino será o Reino Unido e a Irlanda, pretendendo alargar o raio de ação ao resto da Europa. “A ideia é crescermos a equipa [para dez pessoas até ao fim do ano] para também crescermos em produto e conseguirmos em janeiro e fevereiro termos uma estrutura que nos permita internacionalizar. Temos uma visão muito clara de onde queremos estar daqui a três e cinco anos e, por isso, sabemos que temos este desafio grande. Queremos fazer crescer o produto e fortalecê-lo para garantir que no próximo ano estamos preparados para internacionalizar.”

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