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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Assumindo dois meses de quase paralisação da economia, o ISEG aponta para uma quebra entre 4 e 8% do PIB este ano.

A economia portuguesa terá estagnado no primeiro trimestre deste ano face ao período homólogo, com a quebra em março a anular o crescimento dos dois meses anteriores, de acordo com as estimativas do ISEG.

 

Na Síntese de Conjuntura de março, a universidade realça que os "indicadores parciais disponíveis sugerem que nos dois primeiros meses [de 2020] a economia não terá crescido menos do que no trimestre anterior", ou seja, pelo menos 2,2%.

Quanto a março, quando se fez sentir o início da pandemia do novo coronavírus, não existem ainda dados que permitam uma "fundamentação muito rigorosa da evolução da atividade (...) sendo contudo esperado um impacto negativo já significativo". E é já possível perceber que "o setor dos Serviços é o mais atingido e o setor da Construção o mais resistente".

 

Assim, o ISEG aponta para "uma variação homóloga em torno de zero" do PIB de Portugal no primeiro trimestre, o que corresponde a uma queda de 1,5% face aos últimos três meses de 2019.

 

Para o conjunto de 2020, fazer estimativas é mais incerto, mas o ISEG assume como "intervalo indicativo mais provável" uma contração do PIB de Portugal entre 4% e 8%, "na expectativa de que a fase mais restritiva não exceda os dois meses" e que aconteça depois um "retomar gradual da atividade económica".

 

O ISEG adianta que "este intervalo resulta de um conjunto de contributos individuais (também sobre a forma de intervalos) de vários elementos do Grupo de Análise Económica do ISEG tendo por base análises efetuadas a partir de abordagens em termos de procura agregada ou em termos do impacto na oferta de setores produtivos".

 

"Este intervalo assume, implicitamente, duas evoluções diferenciadas para a crise e emergência sanitárioeconómica em que vivemos: uma evolução menos penalizadora para a atividade económica em que as maiores restrições durarão cerca de dois meses com gradual relaxamento das restrições e regresso ao funcionamento das atividades encerradas nos meses posteriores; uma evolução mais duradoura da fase mais restritiva, ou uma abertura mais lenta das atividades económicas agora encerradas", explica o ISEG.

 

O segundo trimestre será o mais penalizado, sendo que posteriormente o ISEG projeta "uma progressiva recuperação do produto, trimestre a trimestre, mas não se consideram muito prováveis crescimentos homólogos positivos até ao final do ano".

 

"Em termos económicos, a atual crise começa por restrições de oferta que se irão transformar, muito rapidamente, devido ao desemprego e queda de rendimentos, numa crise de procura, que poderá ser mais ou menos profunda e duradoura consoante a política económica que venha a ser implementada para essa fase e a dinâmica de recuperação da confiança dos agentes económicos", refere o ISEG, acrescentando que "a saída mais ou menos rápida da presente emergência também irá depender da forma como os outros países da UE e nossos principais parceiros económicos o fizerem, quer pela interdependência das cadeias produtivas quer pela dependência de muita da nossa atividade da procura externa, e inclusive da procura externa presencial (turismo)".

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