Menos custos e mais garantias de financiamento: são estas as duas linhas mestras do novo pacote de ajuda para as empresas de construção, que o Governo está a ultimar e que deverá discutir brevemente no Conselho de Ministros. Serão, sabe o DN/Dinheiro Vivo, apoios às empresas exportadoras, mas também novas medidas para facilitar o financiamento de projetos, impondo novas regras para as garantias bancárias.
A quebra na procura interna e as dificuldades de internacionalização explicam o pacote: desde o início do ano, 811 empresas abriram insolvência em Portugal, número que acumula com as 14 mil que já fecharam portas na construção e imobiliário desde 2002. "A quebra da procura é significativa e exige soluções, que estão a ser preparadas em conjunto com as associações de imobiliário", admitiu, em Angola, Álvaro Santos Pereira. Sem querer adiantar pormenores, o ministro da Economia disse, perante uma plateia de empresários, que a nova legislação irá a um dos próximos Conselhos de Ministros.
Em paralelo, sublinhou Santos Pereira, o "Governo quer criar linhas de crédito para apoiar grandes empresas exportadoras e já não só as PME", reconhecendo a debilidade da construção face à queda abrupta da procura interna.
No último ano foi posto em marcha o fundo para a consolidação do sector da construção, depois de a construtora Edifer ter sido resgatada pela Vallis, a sociedade lançada por Pedro Gonçalves. Esse processo continua a correr - a Opway, a Monte Adriano e a Hagen também foram contactadas - e o objetivo é que estas empresas de média dimensão aproveitem este tipo de fundos e a consolidação do sector para evitar a sua insolvência.
Noutro plano, as associações de construção e imobiliário têm exigido ao Estado várias medidas para salvar o sector, nomeadamente o pagamento de 1,4 mil milhões, novos incentivos à reabilitação urbana e ao arrendamento. Ao mesmo tempo pedem, agora para as PME, o pagamento mais tardio do IVA e a concessão de linhas de crédito específicas.
LUSOFONIA
Impulsionar as trocas comerciais
O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, chegou ontem a Luanda para um programa de três dias que termina amanhã, com um encontro com o ministro de Estado e da Coordenação Económica angolano, Manuel Vicente, ex-presidente da petrolífera Sonangol. O primeiro passo para esta parceria foi dado em maio, com a assinatura da Declaração de Luanda pelos ministros do Comércio da CPLP. Um dos objetivos, reconheceu na altura a ministra angolana do Comércio, Idalina Valente, será impulsionar as trocas comerciais entre os vários países lusófonos, que hoje ascendem a 13 mil milhões de euros, apenas 2% do comércio total da CPLP com outros países.