De acordo com o estudo da Central de Balanços do Banco de Portugal, o crédito concedido às empresas da indústria das bebidas aumentou 26 milhões de euros no primeiro semestre do ano passado, representando em junho de 2016 o segmento do vinho "a maior parcela dos empréstimos concedidos ao setor", na ordem dos 68%.
Já por classes de dimensão, a maior parcela dos empréstimos cabia às Pequenas e Médias Empresas (PME), com 58%, seguidas das grandes empresas, com 27%, e das microempresas, de 15%.
Quanto ao crédito vencido do setor, situava-se no final de junho de 2016 nos 7,7%, sendo de 10,6% no segmento do vinho.
O volume de negócios da indústria das bebidas aumentou 2% em 2015, evolução semelhante à observada no total das empresas.
Por segmentos de atividade económica, o aumento do volume de negócios do setor esteve associado à evolução registada no vinho (contributo de três pontos percentuais). A cerveja e os refrigerantes e águas contribuíram negativamente para a variação do volume de negócios do setor.
Em 2015, a indústria das bebidas tinha cerca de mil empresas, representando 0,3% do total das empresas em Portugal, com o vinho de novo em destaque ao possuir 88% das empresas.
O vinho agregava ainda a maior parcela do volume de negócios (52%) e do número de pessoas ao serviço (64%) neste setor, enquanto a cerveja e os refrigerantes e águas representavam, respetivamente, 25% e 23% do volume de negócios e 14% e 21% do número de pessoas ao serviço.
Mas enquanto as microempresas predominavam no setor (75%), eram as grandes empresas que dominavam no volume de negócios (50%), enquanto as PME agregavam a maior parcela do número de pessoas ao serviço (54%).
Em termos médios, em 2015, as empresas da indústria das bebidas geraram quatro vezes mais volume de negócios e tinham duas vezes mais pessoas ao serviço do que a empresa média em Portugal.
O setor exportador englobava 17% das empresas da indústria das bebidas, uma proporção superior à observada para o total das empresas (6%) e era responsável por 64% do volume de negócios do setor e 53% do número de pessoas ao serviço.
No mesmo período, 19% das empresas do setor apresentavam capitais próprios negativos, constituindo os empréstimos bancários e financiamentos de empresas do grupo as componentes mais relevantes da dívida remunerada.
No que diz respeito ao passivo da indústria das bebidas, 18% correspondia à dívida comercial, um valor próximo do observado para o total das empresas (16%).
Os dados mostram ainda que as empresas da indústria das bebidas esperavam, em média, 319 dias para converter os pagamentos decorrentes da compra de mercadorias e matérias nos recebimentos associados à sua venda, um período 2,7 vezes superior ao observado para o total das empresas e 3,4 vezes superior ao observado para as indústrias transformadoras, em que os ciclos de conversão em liquidez são de 120 e 94 dias, respetivamente.
Aquele resultado decorria do segmento do vinho, que apresentava em 2015 um ciclo de conversão em liquidez de 509 dias.