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Impactos do coronavírus nos hotéis da região de Lisboa são avaliados pela consultora Neoturis, no pressuposto de que o pico do surto possa ser atingido em finais de abril e a situação ficar controlada no início de junho.

A consultora Neoturis, especializada em turismo, desenvolveu um modelo para estimar o impacto do coronavirus nos proveitos dos hotéis na área metropolitana de Lisboa, que revelam que as perdas neste sector atingem cerca de 2,2 milhões de euros por dia, contando a partir de 1 de março até 31 de dezembro de 2020.

 

Este cenário refere-se a projeções feitas à data de 17 de março, segundo frisa a Neoturis, tendo como pressuposto "que o pico do surto será atingido em finais de abril e que a situação "possa estar controlada no inicio de junho, quer em Portugal, quer na generalidade dos nossos mercados emissores", e também que "em junho as restrições ao tráfego aéreo irão terminar no espaço europeu, norte-americano e asiático".

 

Segundo explicita a consultora em turismo, a taxa de ocupação/quarto nos hotéis da região de Lisboa, que em 2019 se situou nos 76,1%, deverá cair mais de 30 pontos percentuais, ficando-se nos 45,6% em 2020.

 

E os proveitos totais por quarto ocupado na hotelaria de Lisboa, que se situaram nos €182 em 2019, ficarão baixar para €146,8 em 2002, envolvendo uma queda de 19,3%.

 

"Ou seja, para um total de proveitos de 1 359 milhões de euros em 2019, iremos evoluir para 674 milhões de euros em 2020, o que representa a uma redução de 685 milhões de euros, o equivalente a menos 50,4%", avança Eduardo Abreu, sócio da Neoturis, referindo que "o cenário é muito preocupante" e "é preciso começar a pensar em medidas que atenuem este enorme impacto nos hotéis".

 

Frisando que "o turismo e viagens estão a ser dos sectores mais afetados pela situação do Covid-19", a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) tinha avançado projeções a nível nacional apontando que os hotéis iriam perder, no espaço de quatro meses, de 1 de março a final de junho, 4,4 milhões de dormidas, o equivalente a receitas de 500 milhões de euros, num cenário de queda de 30% face ao ano anterior. Num cenário "mais gravoso", com quedas de 50%, a perda de dormidas nos hotéis nacionais cifra-se em 7,3 milhões de março a junho, associada a menos 800 milhões de receitas.

 

O estudo da Neoturis de impacto do coronavírus nos hotéis da área metropolitana de Lisboa não inclui alojamento local, circunscrevendo-se a hotéis, hotéis-apartamento, aldeamentos e apartamentos turísticos. A consultora propõe-se ir "acompanhando este documento de trabalho eminentemente interno" numa base semanal, e de acordo com o evoluír da situação, uma vez que "esta é a informação que temos hoje (17 de março, antes do anúncio do corte de voos entre Portugal e países da União Europeia), mas tratam-se de dados que vão evoluíndo de dia para dia".

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