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A economia timorense deverá crescer 3,9% este ano, impulsionada por um aumento dos gastos públicos, após dois anos consecutivos de contração causados pela incerteza política no país, segundo o último relatório do Banco Mundial.

O relatório económico semestral do Banco Mundial, hoje divulgado, prevê que contração dos últimos dois anos, que chegou aos 3,8% em 2017 e aos 07% no ano passado, deverá ser revertida este ano e nos próximos -- a previsão é de um aumento de 4,9% do PIB em 2021 -- impulsionada por mais gastos públicos e maior consumo privado.

 

"Com a aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2019 em fevereiro, esperamos que ocorra alguma recuperação económica", disse Pedro Martins, economista chefe do Banco Mundial.

 

"O Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer 3,9% num cenário de maior estabilidade económica e política. Um maior gasto público, a par de um consumo privado mais forte, conduzirá a recuperação económica", indicou.

 

A queda no gasto público e as incertezas políticas e consequentemente económicas dos últimos dois anos tiveram "um impacto notável no setor privado, afetando a confiança dos consumidores e das empresas", com queda no consumo privado.

 

"Os gastos públicos com salários e benefícios e benefícios pessoais caíram em 1-2% e, assim, não conseguiram sustentar o consumo como fizeram em 2017", nota o Banco Mundial, referindo que o investimento privado também foi relativamente moderado.

 

O relatório confirma o impacto da redução dos gastos públicos em 2017 e grande parte de 2018, que só começou a ser corrigida no último trimestre do ano passado depois da aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE).

 

A economia, refere o relatório, está "razoavelmente protegida contra choques externos", mas pode estar vulnerável a preços, à queda do dólar, ou a um agravamento das condições financeiras globais.

 

Internamente, o Banco Mundial continua a referir elevados riscos domésticos, notando que "as tensões políticas" dos últimos anos "diminuíram, mas não se dissiparam", recordando que o Governo não está completo.

 

O saldo fiscal deverá deteriorar-se devido aos maiores gastos dos cofres públicos, menos Rendimento Sustentável Estimado (RSE) do Fundo Petrolífero e moderadas receitas domésticas, continuando a ser "uma preocupação chave a médio prazo".

 

O Banco Mundial nota que o Fundo Petrolífero continuar a ver o seu saldo reduzido, sendo essencial proteger a população e os investidores privados, situação que pode ser colmatada com a eventual produção dos campos de Greater Sunrise e com "melhorias na qualidade do gasto público, que pode ter efeitos multiplicadores sobre a economia".

 

Historicamente, o relatório vinca que o desempenho da economia timorense se tem enfraquecido desde 2008, quando atingiu o crescimento de dois dígitos, com aumentos médios do PIB de 9% entre 2007 e 2011 e em média de 4% entre 2012 e 2016.

 

Em 2017 e 2018, "o crescimento económico negativo contribuiu ainda mais para uma divergência em relação às tendências regionais", refere o estudo.

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