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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Na Mundotêxtil, campeã europeia nos felpos, uma simples toalha pode ser inteligente.

Toalhas há muitas, mas na Mundotêxtil algumas parecem ter superpoderes para absorver mais água, secar mais depressa, repelir os raios UV, hidratar o corpo ou ajudar a pele a cicatrizar. “É que qualquer um pode fazer toalhas. Nós temos de oferecer algo mais para nos diferenciarmos", diz Ana Pinheiro, administradora da maior produtora europeia de felpos.

 

Nesta empresa de Caldas de Vizela, 607 trabalhadores fazem 500 toneladas de felpo por mês para servir 137 clientes de 43 países. Garantem uma faturação na ordem dos €40 milhões, assente em investimento contínuo. Nos últimos cinco anos, a empresa aplicou €15 milhões no reequipamento e modernização da fábrica, em nome da inovação, redução de custos como a energia e aumento dos níveis de competitividade.

 

O segredo, por aqui, “é ser mais rápido, mais eficiente, mais flexível. E não perder uma encomenda por mínimos de produção”, diz Ana Pinheiro que ao lado da irmã Helena assegura a transição para uma nova geração da empresa da família Vaz Pinheiro, fundada em 1975 pelo pai, José Pinheiro, e pelo avô Domingos.

 

Mais do que a quantidade, interessa garantir a incorporação de design, qualidade e serviço no produto final, o que justifica investir anualmente 1% da faturação em Investigação ou Desenvolvimento, ou ter equipas de 4 trabalhadores no desenvolvimento criativo e de 5 trabalhadores no desenvolvimento técnico, mais uma pessoa afeta à gestão da inovação num núcleo que junta vários departamentos. Mas contando, também, com o contributo de todos, através “da caixa de sugestões” e de parcerias com universidades e centros de investigação.

 

A toalha sai da fábrica diretamente para o escaparate da loja do cliente, com “a mais valia da etiqueta Made in Portugal”, especialmente valorizada em alguns destinos, da Escandinávia, ao Japão, Coreia do Sul ou EUA.

 

Para manter a quota de exportação nos 98%, a empresa continua apostada em encontrar mais mercados, sem esquecer a nova frente do negócio digital. “Há um mundo de start-up por descobrir. Crescem a uma velocidade vertiginosa, querem conceitos criativos e podem ser ótimos clientes”, refere a administradora desta empresa habituada a apresentar duas coleções por ano, às quais vai juntando algumas novidades ao longo do exercício, “de acordo com o feed back dos clientes”.

 

UM ADN INOVADOR

 

Entre os lançamentos da nova geração de felpos, está uma toalha com desenhos jacquard(feitos no próprio tear) a seis cores, o dobro da oferta convencional, ou a solução que usa fios reciclados de desperdícios de um produtor italiano para deixar uma pegada ecológica e poupar até 56,3% nas emissões de dióxido de carbono, 56,6% no consumo de energia e 77,9% no consumo de água.

 

Na última edição da Heimtextil, uma feira especializada em têxteis-lar, na Alemanha, uma das estrelas foi a toalha superabsorvente, desenvolvida em parceria com a Universidade do Minho para revolucionar a estrutura do felpo tradicional. “O que fizemos foi criar uma nova estrutura superabsorvente e que seca muito rapidamente porque a teia da toalha absorve a água do corpo, mas ao mesmo tempo repele a água da toalha”, explica Ana Pinheiro.

 

No portfólio da empresa também há uma estrutura de felpo que ajuda a manter o corpo quente e não fica húmida, indicada para roupões, assim como propostas de toalhas de praia com carregador solar e proteção de raios UV, desenvolvidas em colaboração com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e o CITEVE – Tecnologia Têxtil.

 

Toalhas impregnadas de microcápsulas para hidratarem a pele? Já existem, em parceria com a Universidade do Minho.

 

Toalhas com capacidade de cicatrização da pele? Vão existir, num desenvolvimento conjunto com a FMUP.

 

E vendem-se bem? Ana Pinheiro responde: “Vendem-se, mas ainda são produtos de nicho. O reflexo maior destas inovações nesta fase é serem uma montra da nossa capacidade de desenvolvimento e diferenciação, o que também ajuda a atrair clientes para a oferta mais tradicional”.

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