A EMEF - Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário está a preparar um consórcio, em conjunto com a Visabeira, a Martifer e os Caminhos-de-Ferro de Moçambique para instalar no Maputo uma fabrica de vagões destinados ao transporte de carvão.
O objectivo é responder à grande procura daqueles veículos ferroviários por parte das duas empresas mineiras que operam em Moçambique - a brasileira Vale do Rio Doce e a australiana Rio Tinto, que transportam carvão do interior para os portos da Beira e Nacala.
Estima-se que estas empresas venham a necessitar de 300 vagões por ano durante a próxima década, o que significa um volume de negócios da ordem dos 270 milhões de euros, tendo em conta que um vagão de via estreita pode custar 90 mil euros.
O consórcio que está a ser montado não tem ainda definido o capital social (que seria de 25% por cada um dos quatro sócios) nem o montante do investimento, mas deverá ser liderado pela Visabeira, grupo que já está implantado em Moçambique e que poderá fazer a comercialização do material.
A Martifer, por sua vez, que já esta presente no Brasil, Angola, Polónia e Roménia, vê neste projecto uma boleia para conquistar o mercado moçambicano.
O know-how ferroviário é, porém, decisivo, tendo a EMEF larga experiência na construção de vagões, de cuja fábrica, no Entroncamento, já saíram há alguns anos centenas de unidades para a Bósnia num negócio de exportação pontual. Neste momento, ultima um contrato de 300 vagões para a CP Carga e o futuro é, no curto e médio prazo, um deserto de encomendas no mercado nacional.
O consórcio terá de decidir se os vagões para Moçambique seriam construídos em Portugal e enviados, desmontados, para Maputo, onde seriam terminados, ou se ali seriam integralmente fabricados.
O projecto depara-se com a concorrência da China e da África do Sul, que estão também interessadas neste mercado. A primeira tem preços imbatíveis, embora os portugueses garantam uma melhor qualidade, e a segunda depara-se actualmente com falta de capacidade produtiva porque tem de satisfazer encomendas para os caminhos-de-ferro sul-africanos.
A EMEF tem também em curso um contrato com os caminhos-de-ferro suíços para fazer a manutenção de parte da frota de comboios pendulares. É um negócio superior a 2 milhões de euros que consiste na manutenção de 90 caixas de transmissão daquelas composições, que viajam da Suíça para as oficinas de Contumil (Porto) onde os técnicos portugueses procedem à sua revisão.
Este acordo tem origem em 2010, quando se rompeu uma sociedade helvético-italiana para a exploração conjunta de comboios pendulares. Na altura, a frota foi dividida ao meio, tendo a Suíça recorrido ao tnow-hoif português para poder fazer a manutenção da sua parte.
Num outro paradigma tecnológico, esta empresa do grupo CP foi chamada no ano passado a Angola para reabilitar locomotivas a diesel dos Caminhos-de-Ferro de Benguela.