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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Algumas das grandes exportadoras portuguesas são grandes importadoras. Isto porque exportar em certos setores em Portugal obriga a importar muito. É o caso do setor petrolífero e do automóvel.

É uma característica antiga que continua a retratar grande parte das exportações de bens em Portugal: vender para fora obriga a importar primeiro grande parte das matérias-primas.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre as maiores exportadoras e importadoras mostram essa realidade.

Em 2019, a maior exportadora, a Autoeuropa, foi a terceira maior importadora. A segunda maior exportadora, a Petrogal, foi a maior importadora. A estes dois casos junta-se a PSA (fábrica de Mangualde) e a Faurecia, que fabrica sistema de escapes, que também constam dos dois rankings.

Estes são exemplos entre as grandes empresas de como as exportações portuguesas são a rubrica do PIB que mais depende das compras ao exterior, mais do que o investimento e o consumo privado. Os últimos dados do conteúdo importado, relativos a 2015, mostravam que as empresas portuguesas têm de importar 44% do que valor exportado. Esse rácio é particularmente expressivo no setor petrolífero e no automóvel.

No caso das exportações de produtos refinados do petróleo, um acréscimo de 100 euros daria apenas mais seis euros ao PIB, ao passo que o acréscimo nas importações seria de 94 euros, segundo dados do INE.

Como Portugal não explora reservas de petróleo, tem de importar o crude para refinação em Sines e em Matosinhos, onde opera a Petrogal. O produto final é depois consumido internamente ou exportado, mas a refinação pouco acrescenta ao seu preço. Além disso, a variação das exportações e importações de combustíveis resulta da procura (interna ou externa) e dos preços a nível internacional uma vez que Portugal é um “price-taker” neste mercado.

Já no setor automóvel, um estudo do Banco de Portugal, divulgado no ano passado, demonstrava que as fabricantes de automóveis têm de importar 70% daquilo que exportam. Ou seja, apenas 30% do valor final do veículo é de facto produzido ou acrescentado em território nacional.

Este setor está “fortemente integrado nas cadeias de produção globais”, explicavam os economistas do banco central, referindo que a maior parte das importações tem origem na Alemanha, seguindo-se Espanha, França, Reino Unido e a China.

Ao terem elevado conteúdo importado, tanto o setor automóvel como o petrolífero contribuem menos do que se poderia presumir (dado o top de exportadores) para a balança comercial de bens.

Ao contrário do comércio de bens, as exportações de serviços, nas quais se inclui o turismo, têm um conteúdo importado mais reduzido (20%). No entanto, esse rácio subiu nos últimos anos por causa dos serviços de transporte, nomeadamente os aéreos.

*Com MJB

 

Compra de aviões à Airbus faz disparar importações da TAP

 

Depois de não constar do top das importadoras em 2015 nem em 2016, a TAP voou para o ranking em 2017, subiu em 2018 e em 2019 aterrou no segundo lugar. Em causa está a renovação de 30% da frota com a compra de aviões à francesa Airbus que até setembro chegou a mil milhões de euros. Este investimento da TAP foi feito através de uma espécie de “sale and lease back” em que a transportadora aérea compra o avião à fabricante e depois faz uma “venda” a uma entidade estrangeira como forma de financiamento. Além disso, a TAP aumentou a compra ao exterior de peças e motores para os serviços que presta de manutenção de aviões (que é uma exportação de serviços), somando um valor entre 150 e 200 milhões de euros, sendo esta uma área de negócio em crescimento. No ano passado, os números mensais do comércio internacional de bens do INE mostravam que a categoria de aviões e componentes foi decisiva para o aumento significativo das importações com origem em França, a sede da Airbus.

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