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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Rede diplomática vai recolher informação sobre quebras na 'supply chain' e passá-la a agentes económicos semanalmente, diz secretário de Estado ao JE.

O Governo quer que os agentes económico possam ter informação alargada e atualizada para poderem tomar decisões numa altura de potenciais constrangimentos na cadeia de fornecimento devido à propogação do coronavírus. Nesse sentido, lançou esta semana um procedimento de controlo de impacto nas importações e exportações portuguesas.


Através das redes externas, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) começou a recolher informação sobre mercados e setores com o objetivo de comunicar os dados às empresas, através das associações empresariais.


Eurico Brilhante Dias, secretário de Estado da Internacionalização, revelou ao Jornal Económico que foi lançado "um procedimento para vários postos, especialmente para os postos para onde Portugal mais exporta e de onde tem mais origem de matérias-primas às cadeias de abastecimento com um conjunto de perguntas".


"Passámos a fazer esta cobertura de forma regular por causa do impacto do coronavírus na economia a um conjunto de países", acrescentou. A China, Itália, Alemanha, França, Espanha, Japão, Reino Unido, EUA, Países Baixos, Bélgica e o Brasil são os principais países nos quais a informação será recolhida.


Brilhante Dias explicou que o procedimento inclui a recolha de informação sobre setores de atividades como o automóvel e o aeronáutico - que incluem os moldes e alguns equipamentos -, o farmacêutico, agro-alimentar, da aviação e das viagens e o setor têxtil.


"Passámos a seguir estes setores de forma transversal nestes mercados com questões em torno das cadeias de abastecimento que fornecem Portugal, da informação sobre stocks, aquilo que são encerramentos e reaberturas de unidades de produção e informação relacionada", disse.


Neste âmbito, também as medidas de contenção que tenham que tenham impacto no comércio internacional e de apoio que os governos locais estejam a desenvolver estão a ser acompanhadas pelo Executivo português para "fazer um benchmark com as que implementamos".


"Montámos este procedimento de forma ad-hoc, uma informação que foi passada aos postos diplomáticos, às embaixadas e às delegações da AICEP para que essa informação agora venha de forma periódica, acumulando nós esta informação", explicou.


"Queremos neste momento uma atualização numa base semanal", disse. A primeira compilação da informação já está nas mãos do secretário de Estado, e o Governo espera ter para a semana uma nova atualização destas circunstâncias em cada um destes mercados e dos setores.


"Na próxima semana faremos um novo ponto da situação. Vamos auscultando quer do lado internos os agentes económicos, as informações que possam ser pertinentes, cruzando informação e vendo quais as necessidades das empresas por um lado, permitindo que a informação que chega dos postos diplomáticos e das delegações da AICEP chegue às associações empresariais e através delas às empresas", frisou.


Para tal, foi desenvolvimento um novo modelo ad-hoc de contactos criado para este efeito, "para que a informação recolhida chegue às empresas e que a informação que recolhemos das associações empresariais chegue aos postos para estes pesquisarem informação de uma forma mais eficaz".


Brilhante Dias explicou que paralelamente, e em articulação com o Ministério da Economia, estão a ser feitos contactos com associações empresariais setoriais "que nos vão dando de alguma forma, como se fosse um termómetro, a circunstância que é vivida nos diferentes setores", especialmente no que diz respeito à reposição de stocks, às origens que possam estar ou não a ser mais constrangidas.

Setor logístico é um dos que mais preocupa


Sem alarmes, o Governo diz que é importante monitorizar os desenvolvimentos internacionais e admite que a logística "é um dos que nos preocupa".

"Há algumas informações que vão chegando de reabertura de operações na China progressivamente, até mesmo na administração pública", frisa o secretário de Estado.

"Mas encontram-se algumas restrições de natureza logística no transporte para a Europa".


Apesar de sublinhar que "Portugal não é um grande importador da China" quando comparado com outras economias europeias, alerta para a necessidade de "sermos muito cautelosos nos efeitos que a diminuição de procura na República Popular da China teve em exportadores como a Alemanha e que impactos poderá ter nas nossas próprias exportações para a Alemanha e para a França".


"O setor logístico hoje é muito importante porque a sua capacidade de reação a esta reabertura pode ser determinante para que mais rapidamente haja uma regularização do fluxo. Essa regularização do fluxo é muito importante para estabilizar stocks na Europa", concluiu.

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