NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Exportações portuguesas cresceram 10% em 2017 face ao período homólgo. União Europeia lidera destinos de recepção, nomeadamente Espanha, mas mercado extra-UE cresce.

As exportações portuguesas têm como principal destino a União Europeia (UE), nomeadamente o mercado espanhol. O principal cliente de bens portugueses é Espanha, mas o país aposta numa diversificação dos destinos de vendas, nomeadamente os Estados Unidos.


Em 2017, as exportações de bens aumentaram 10% em termos nominais, face ao ano anterior, totalizando com 55 029 milhões de euros, à boleia do comércio intra-UE, ainda que se tenham registado aumentos nas transacções com países extra-UE, segundo as estatísticas do comércio internacional de 2017. No entanto, num olhar mais detalhado verificou-se que o peso dos países Intra-UE reduziu-se no total das exportações, atingindo 74,1%.


Segundo o organismo de estatística português, a balança comercial de bens atingiu um saldo negativo de 14 460 milhões de euros, o que corresponde a um aumento do défice em 3 075 milhões de euros face ao ano anterior, do qual 2 127 milhões de euros provenientes do comércio Intra-UE e 948 milhões de euros do comércio Extra-UE.


Espanha é o principal mercado


Espanha manteve-se como o principal parceiro de Portugal, tendo sido o mercado que mais contribuiu para o aumento global em ambos os fluxos. Em 2017, representou 25,2% das exportações portuguesas, o que representou um aumento de 5,6% face a 2013. A tendência manteve-se nos primeiros sete meses deste ano, com um aumento de 8,1%, passando de 8.195,6 milhões de euros para 8.863 milhões. A semelhança do ocorrido nos dois anos anteriores, em 2017 Espanha foi o país que mais contribuiu para o aumento global das exportações, com um aumento de 7,2%, ou seja, 931 milhões de euros, sobretudo devido aos metais comuns, produtos agrícolas e veículos e outro material de transporte. Contrariamente ao verificado em 2016, o défice bilateral com Espanha aumentou em 1 176 milhões de euros, correspondendo ao maior agravamento do saldo entre os parceiros comerciais de Portugal, permanecendo assim, destacadamente, como o mais elevado, atingindo um saldo negativo de 8 592 milhões de euros. Portugal posiciona-se assim no mercado espanhol como o oitavo país fornecedor de bens e serviços, mantendo-se a tendência dos últimos cinco anos.

Exportações para EUA recuperam em 2017


As exportações portuguesas para os EUA voltaram a aumentar em 2017, após o decréscimo verificado em 2016, com um crescimento de 15,4%. Com um acréscimo de 379 milhões de euros, as exportações para este destino foram impulsionadas pelo crescimento nos combustíveis minerais, metais comuns e aparelhos. No total em 2017, as exportações de bens para os EUA corresponderam a 2.844 milhões de euros, representando 5,17% das exportações totais portuguesas de bens. Em 2017, o saldo da balança comercial português de bens com os EUA foi positivo em 1.849 milhões de euros, correspondendo a um coeficiente de cobertura das importações pelas exportações de 286%, segundo dados recolhidos pela AICEP. Neste sentido, o número de empresas portuguesas exportadoras de bens para os EUA ultrapassou as 3 mil e 200 empresas. Segundo a AICEP, em termos globais, as empresas que exportaram para os EUA, em 2017, representaram 15,1% do tecido empresarial nacional exportador de bens, constituindo por 21.241 empresas. Nos primeiros sete meses a tendência de crescimento do ano anterior manteve-se. Com uma expansão de 5,1% face ao período homólogo de 2017, passando de 1.682,6 milhões de euros para 1.768,6 milhões de euros.


Angola fixa-se como oitavo destino


As exportações portuguesas para Angola totalizaram 1.789 milhões de euros em 2017, representando 3,2% das exportações toais portuguesas. As exportações de bens para o mercado angolano registaram, assim, um aumento de 19,1% face a 2016, fixando Angola como pelo segundo ano consecutivo como o oitavo cliente de Portugal. Segundo análise de exposição a mercados externos, realizada pela AICEP, o saldo da balança comercial portuguesa de bens com Angola foi positiva em 1.511 milhões de euros, "equivalente a um coeficiente de cobertura das importações pelas exportações de 643%". O mercado angolano comprou principalmente a Portugal, produtos agro-alimentares, com um peso de 26,7% nas exportações totais, com destaque para a exportação de óleo de soja e medicamentos, com um peso de 5% e 4,3%. Em termos globais as empresas portuguesas exportadoras de bens para Angola representaram 26,8% do tecido empresarial nacional exportador de bens, com 21 mil 762 empresas. Já nos primeiros seis meses deste ano, a tendência inverteu e caíram 16,4% face ao período homólogo de 2017, para 874,3 milhões de euros, que compara com os 1.045,6 milhões de euros.

Exportações para a China desaceleram em 2018


O mercado chinês foi pelo segundo ano consecutivo o décimo primeiro cliente de Portugal, com exportações no valor de 841,7 milhões de euros em 2017. Este valor representa um aumento de 8,2% face a 2016, com 34,2% dos veículos e outros materiais de transporte a representar o maior contributo de vendas para a China. No entanto, nos primeiros sete meses de 2018, segundo dados do INE, veri- ficou-se um decréscimo de 17% em comparação com o período homólogo de 2017. Até setembro as exportações portuguesas fixaram-se em 512,7 mihões de euros. O saldo da balança comercial entre ambos os países é negativo, tendência que se manteve em 2017, com - 934,6 milhões de euros, e entre janeiro e setembro deste ano, com - 1.224,7 milhões de euros.

Espanha, EUA, Angola e China, em evidência na 13ª edição do Portugal Exportador, são apostas para as exportações portuguesas

EXPORTAÇÕES


TENSÕES GLOBAIS AFETAM PROCURA EXTERNA


A União Europeia continua a liderar o ranking dos destinos das exportações portuguesas. Com Espanha a constituir-se como o principal receptor, França e Alemanha, assim como o Reino Unido insurgem-se como mercados-chave que contribuem para o dinamismo da economia. No entanto, as tensões externas poderão travar o comércio mundial este ano e o efeito chegar a Portugal por via da quebra da procura externa, segundo a última análise do Banco de Portugal. Após um disparo de 7,8% nas exportações em 2017, o crescimento foi de 6,7% nos primeiros nove meses de 2018. Segundo o INE, a paragem programada das refinarias nacionais condicionou, de forma significativa, o comportamento global quer das exportações quer das importações nos meses de agosto e setembro. O défice da balança comercial de bens atingiu os 1,2 mil milhões de euros em setembro de 2018, menos 49 milhões de euros que no mês homólogo de 2017.

Partilhar