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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Dizem que uma das razões da recessão é a falta de capital. Mas há muito capital parado. Falta eficácia nas burocracias de Lisboa e Bruxelas.

Algumas empresas aparentam sustentabilidade. Mas não seguem as regras das certificadoras sérias. As PME que o fazem são ignoradas pelos governos.

Há PME que lucram, mesmo na crise; são competitivas e sustentáveis. A Woolhouse, de Guarda, compra lã crua de microprodutores da Serra da Estrela e do Alentejo para produzir e exportar mantas, cobertores e outros produtos de alta qualidade e design. Compra ainda restos de algodão e outras fibras para desfiar, refiar e mesclar com lã. A Woolhouse emprega 25 na aldeia de Trinta mas gera rendimenros para centenas de famílias do interior distante.

A VE quer contribuir para a confiança dos investidores na competência lusa. Há centenas de ótimas PME, que podem expandir e exportar, sem favores. Iniciámos esta série de entrevistas que culminará com a atribuição de prémios às dez melhores. Escreva-nos, se quer concorrer a ser visitada.

A Empresária


Anabela Campos continua o trabalho de décadas do seu pai Vasco Costa. Ela é apaixonada pelo que faz, ótima vendedora, economista, casada, tem dois filhos.


Desde miúda, em casa humilde, aprendeu a aproveitar, reutilizar, reciclar e tratar a todos com carinho e responsabilidade.

 

Gera a sua casa dessa mesma forma. Começou a questionar porquê deitar fora milhões em resíduos de tecidos e com uma máquina os desfia, refia e trança para a matéria-prima de belas e aconchegantes mantas, cobertores e muito mais.


Ela faz tudo, interage com fábricas e empórios. É pelo site www.woolhouse.pt e em feiras que chega aos clientes e importadores. A empresa Vasco Costa tem mais de 60 anos. Tem bons equipamentos, pode exportar muito mais e assim gerar mais emprego.

Aproveita material


Diz-se que 13% das fibras para tecidos produzidas no mundo são desperdiçadas na fiação, tecelagem e confecção de roupas. A Woolhouse aproveita-as, ao comprar sobras dessas fábricas. Ela é muito importante para a sobrevivência das famílias do interior da Serra da Estrela e do Alentejo, ao adquirir lã crua. E ainda para as 25 famílias do interior de Guarda. A Woolhouse tem máquinas sólidas e flexíveis, que permitem atender as mais elevadas exigências técnicas de clientes norte-europeus.

 

Anabela Campos cria e produz belos cobertores, ponchos, chinelos, cachecóis, para lojas, hospitais, lares, e ainda vários tipos de fios de lã para outras fábricas do país. Tem como duplicar a produção.

Concorrência


O grande problema para muitas pequenas fábricas em Portugal é a concorrência da China, com produtos que aparentam boa qualidade mas não resistem ao tempo. E o preço baixo, possível ao ignorar o direito dos trabalhadores e o ambiente. Portugal, como outros países mediterrânicos, perdeu milhares de postos de trabalho que só os pode recuperar com novas regras para o comércio com a China, como Trump pretende impor. Mas pode, a curto prazo, se o desejar, controlar melhor a importação e o pagamento de taxas e impostos de dealers e comerciantes chineses. Por outro lado a AICEP quase nada faz pelos miniexportadores. Tem uma burocracia enorme e quase total desconhecimento da realidade de muitos nichos. Eles poderiam duplicar as suas exportações, equilibrar a balança de pagamentos e criar 160 mil empregos.

Cliente Interaje 


Anabela Campos está em contínuo contacto com os seus clientes e com os clientes finais. Atenta à moda, ao seu stock e ao seu equipamento, consegue produzir a um custo reduzido e com alta qualidade. O design é testado a cada ano, para garantir boas vendas. Tem página no Facebook para ler os comentários dos seus clientes finais. - Acreditamos plenamente que produtos naturais ajudam as pessoas a sentirem-se mais saudáveis e felizes, diz Anabela.


A sua publicidade é o passa-palavra, gratuita; pois o cliente satisfeito é quem a faz.


A crise afetou as suas vendas em Portugal. Já exporta para França e Espanha, mas poderia vender na Polónia e Hungria se a AICEP o quiser.

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