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O diretor executivo da Bial, António Portela, afirmou hoje que nos últimos dois meses a farmacêutica produziu "mais 50%" do que o habitual e que vai criar um fundo de 500 mil euros para auxiliar no combate à covid-19.

“Nos últimos dois meses, produzimos mais 50% do que aquilo que era normal nesta altura do ano, o que nos dá uma garantia de que não vão faltar medicamentos às pessoas”, revelou hoje Antonio Portela.

 

Em declarações à Lusa, o diretor executivo da Bial afirmou que, a pedido do Infarmed, reforçaram os ‘stocks’, nomeadamente de antibióticos, por forma a criar uma “reserva nacional”.

 

“O Infarmed pediu-nos, em geral, para reforçarmos os ‘stocks’ e depois, especificamente, em alguns medicamentos. Nessa lista, pediram para reforçarmos os nossos antibióticos para criarem uma reserva nacional, caso existam falhas para termos antibióticos”, explicou.

 

Apesar de estar a reforçar o ‘stock’, a farmacêutica não está a produzir “nenhum medicamento em específico” para a pandemia da covid-19.

 

Com a “maioria” dos colaboradores em regime de teletrabalho e mais de 100 pessoas na empresa, nomeadamente da área da produção, qualidade e distribuição, a farmacêutica tem, apesar das “limitações”, assegurado que “os medicamentos chegam à população e às farmácias, seja em Portugal, França ou Itália”.

 

“As duas grandes preocupações que temos neste momento é mantermos as nossas pessoas seguras e protegidas e, a segunda, garantirmos que os nossos medicamentos chegam aos doentes que necessitam, estejam eles onde estiverem. Felizmente as coisas tem corrido bem apesar de todas as limitações”, assegurou.

 

Por forma a cumprir as indicações e medidas de prevenção das autoridades de saúde, a Bial contratou oito pessoas para “reforçar a produção e distribuição”, sendo que este reforço da equipa permite também “espaçar turnos” e evitar o surgimento de contaminação interna.

 

À Lusa, António Portela adiantou ainda que a Bial tem recebido “muitos pedidos de ajuda”, desde centros de investigação a profissionais de saúde, para ajudar no combate ao surto de covid-19, e que, por essa razão, decidiu criar um “fundo” no valor de 500 mil euros.

 

“Talvez por trabalharmos nesta área, temos recebido muitos pedidos de ajuda das coisas mais diversas, mas nós não temos capacidade industrial, nem conhecimento para fazer esses produtos. Entendemos que queríamos dar também resposta a esses pedidos e, portanto, criamos um fundo de 500 mil euros”, explicou.

 

E acrescentou: “uma vez que nós não conseguimos produzir ou investigar nesta área, podemos apoiar os profissionais de saúde, hospitais, institutos e a nossa comunidade local naquilo que eles necessitam já e com urgência”.

 

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 750 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 36 mil.

 

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

 

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 140 mortes, mais 21 do que na véspera (+17,6%), e 6.408 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 446 em relação a domingo (+7,5%).

 

Dos infetados, 571 estão internados, 164 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

 

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

 

Além disso, o Governo declarou no dia 17 o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.

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