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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A startup quer mudar a forma de fazer seguros: passar de um contrato anual para uma subscrição mensal. Captou três milhões numa ronda.

João Cardoso não é um novato na criação de startups. Formado em Economia pela Universidade Nova de Lisboa, trabalhou seis anos na banca de investimento em Londres, até que um dia o bichinho de criar o seu próprio negócio falou mais alto. Em 2011, fez as malas, deixou a Europa e rumou ao Brasil, onde lançou duas startups. Ambas na esfera dos seguros. O conhecimento que adquiriu fê-lo entender que havia uma oportunidade de negócio.

 

Tipicamente, para adquirir um seguro os clientes têm de aceitar um período de fidelização mínimo e fornecer vários dados pessoais, o que torna a experiência de adesão longa. João Cardoso fundou a Lovys, em 2017, com uma visão diferente.

 

Conhecida em França – para já o único mercado onde estão presentes – como a “Netflix dos seguros”, aplica o mesmo modelo de negócio que a plataforma de streaming de filmes e séries: uma subscrição mensal mas de seguros, que pode ser cancelada a qualquer momento, e que também permite concentrar todas as apólices numa só mensalidade.

 

Com esta solução também é possível personalizar a proteção, permitindo aos clientes proteger objetos específicos, como por exemplo um quadro. Todo o processo é, além disso, 100% digital e pode ser executado em poucos minutos.

 

“A forma como conhecemos os seguros é extremamente estandardizada. Foi criada dessa forma porque tinham de ser distribuídos por corretores, em lojas físicas. O que é interessante é que, quando ocorreu a mudança da venda da loja física para os call centers, e depois para a internet, não houve qualquer mudança fundamental no produto.”

 

A Lovys é diferente, nota João Cardoso, CEO e fundador da startup. “O que estamos a construir é a possibilidade de dizer: quero proteger a minha casa, o meu carro, o meu telemóvel e o cliente paga uma única subscrição mensal de todas estas proteções.”

 

É uma insurtech (empresa tecnológica que opera na área dos seguros) que está a criar os seus próprios produtos, disponibilizando já seguros para smartphones (disponível em 24 países europeus) e habitação. O objetivo é lançar quatro outros produtos ainda em 2019: seguro de carro, viagem, bicicleta e saúde para animais de estimação. Para conseguirem atuar, têm parcerias com oito seguradoras nomeadamente a Generali e a La Parisien.

 

“Criámos os nossos produtos e depois trabalhamos com seguradoras que acabam por ser as tomadoras do risco. Para o cliente, a Lovys é a sua seguradora, com quem tem todo o contacto.”

 

A startup está, para já, a desenvolver os seus produtos para o mercado francês – exceto o seguro para smartphones, que funciona com mercado de teste – e estima avançar com a expansão geográfica nos próximos 18 meses. Recentemente, captou numa ronda de financiamento um total de 3,3 milhões de euros, em que a Portugal Ventures e a seguradora MAIF foram os principais investidores.

 

Com este montante, a startup pretende “focar o crescimento no mercado francês, mostrar que o modelo funciona, que o produto é interessante” e depois escalar para outros países, nomeadamente do Velho Continente.

 

A equipa desta startup divide-se entre Leiria e Paris. O desenvolvimento do produto é feito a partir de Portugal, enquanto as restantes operações estão na capital francesa.“O nosso hub tecnológico é em Portugal [Leiria], onde temos seis pessoas e contamos ter dez até ao fim do ano.” Em Paris, a empresa dá emprego a cerca de uma dezena de trabalhadores.

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