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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Em 1998, a Delta Cafés entrou em Angola através de uma empresa criada para esse efeito, a Angonabeiro. E desde o início desta aposta naquele país a Delta percebeu que em Angola, com todo o seu potencial para este mercado, vender café é redutor.

É preciso cultivar café para vender. Neste sentido, a marca portuguesa recuperou infraestruturas e investiu em capital humano para reabilitar a cafeicultura em Angola, expandido o seu negócio para horizontes muito mais abrangentes do que a mera comercialização de café para o grande público. Alberto Pinto, director dos mercados internacionais do Grupo Nabeiro — Delta Cafés, falou à Executive Digest sobre o percurso da marca no continente africano.

 

A Delta Cafés já está no mercado angolano desde 1998, através da Angonabeiro. Em Angola, o negócio passa pelo próprio processo de produção. Como tem contribuído a Angonabeiro para o desenvolvimento da cultura do café em Angola nos últimos 20 anos?

 

Quando em 1998 a Angonabeiro entrou no mercado angolano, existia uma significativa falta de matéria- prima. Para contrariar esta dificuldade, a empresa apostou na recuperação de infraestruturas, na formação de recursos humanos e na oferta de meios técnicos para ajudar na recuperação da cafeicultura em Angola.

 

Hoje a empresa acompanha os produtores locais, desde a plantação à colheita, para garantir que a qualidade do café é a melhor possível, e financia, inclusivamente, pequenos produtores sem comissões adicionais. E, no sentido de garantir o escoamento do produto dos seus fornecedores, a Angonabeiro celebra contratos de compra de café, nos quais são definidos os preços, em função das cotações do mercado internacional. Esta iniciativa oferece segurança ao produtor, uma vez que lhe permite, logo à partida, assegurar uma margem para o seu negócio.

 

Este procedimento contribuiu, definitivamente, para que muitos pequenos agricultores e produtores tenham voltado à cafeicultura, que até aí estava praticamente abandonada. Hoje, a Angonabeiro continua empenhada no desenvolvimento do café em Angola. A empresa faz, por isso, investimentos constantes no país, tentando sempre aproveitar o sabor rico deste café. A marca Delta Cafés coloca café proveniente de Angola em vários lotes, que exporta para mais de trinta países no Mundo através do Grupo Nabeiro.

 

Numa outra perspectiva, o consumidor angolano está a recuperar os hábitos de consumo de café, perdidos nos anos de guerra colonial e civil. E a Angonabeiro tem contribuído activamente para o regresso destes hábitos através das suas três marcas de café: Delta Cafés (disponível nos canais retalho, horeca e institucional), Ginga (a marca nacional de café angolano, acessível a um preço mais competitivo) e Delta Q (a marca mais inovadora do grupo).

 

De que forma a economia angolana, com todo seu potencial, mas também instabilidade, representa uma oportunidade para a Delta Cafés?

 

Há bastante espaço para crescer no mercado angolano. E a Delta Cafés, através da Angonabeiro, tem contribuído em duas dimensões: na restauração do prestígio do café angolano e na alteração dos hábitos de consumo. Estes esforços têm dado frutos. Reconhecemos a qualidade do café angolano, pelo que o compromisso do Grupo Nabeiro com Angola é de longo prazo.

 

A Delta Cafés tem uma representação dupla em Angola, como fornecedor de café e como cliente de matéria-prima. Isto torna este mercado ainda mais importante do ponto de vista da produção para exportações? Quais os planos de expansão na exportação?

 

A Delta Cafés tem vindo a fazer um esforço activo de capacitação dos produtores de café, de forma a estimular o crescimento das culturas no país, que já foi um dos principais produtores do mundo, e hoje ocupa um lugar de menor destaque. O mesmo acontece com o consumidor final, que está novamente a despertar para o consumo de café, mas ainda não o tem nas suas rotinas. Significa isto que o esforço do Grupo Nabeiro na recuperação do café angolano acontece nas vertentes da produção e do consumo, mas também no fomento das exportações. Do ponto de vista de exportação de café verde, ela continuará a crescer, na medida em que o café angolano tem vindo a aumentar áreas de cultivo e existem hoje mais de 20.000 famílias que trabalham esta cultura. Quanto à exportação de café torrado para outros mercados, já o fazemos para três países do continente africano e estamos no processo de avaliação da possibilidade de iniciar a comercialização para alguns países na Europa.

 

Em Moçambique está presente desde a década de 90, mas através do distribuidor MEGA, sem operações directas. Porquê?

 

Principalmente porque a parceria que temos com a MEGA é de longa data e tem sido uma das chaves do nosso sucesso nesta geografia. Por vários motivos: pela estrutura e conhecimento do mercado moçambicano, mas também pela cobertura dos vários canais de distribuição e principais zonas do país.

 

Quais as características do mercado moçambicano que o tornam uma oportunidade para a Delta?

 

É um mercado com ligações históricas a Portugal e a marcas de origem portuguesa, onde estamos presentes há muitos anos. Actualmente, as nossas principais marcas gozam de elevada notoriedade e reconhecimento junto dos consumidores moçambicanos, para além, claro, de ser um mercado com uma presença importante de portugueses.

 

É um mercado onde tradicionalmente se bebe mais chá do que café. Como contornar este aspecto cultural?

 

Adoptamos um pouco a estratégia de Angola. Vamos, pouco a pouco “educando” as camadas mais jovens para beber e apreciar o café expresso. Estamos cada vez mais presentes em eventos, estendendo o contacto com os consumidores também para fora do ponto de venda. Estas actividades têm sido vitais para promover a notoriedade das marcas Delta e Delta Q mas também da categoria café junto do consumidor.

 

E quanto aos outros mercados africanos, nomeadamente Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe?

 

O que têm de comum e de diferente dos mercados de referência do continente africano? São mercados mais pequenos, mas com as mesmas ligações históricas a Portugal e a marcas portuguesas. No entanto, a notoriedade e reconhecimento das nossas marcas é similar ao que temos em Angola e Moçambique. De um ponto de vista de canais de distribuição, temos muito menor presença de estabelecimentos de retalho, sendo os mercados informais o principal canal de colocação dos nossos produtos, a par da presença no canal horeca. Tal como em Moçambique estamos presentes através de parcerias com distribuidores em cada um desses países, com um vasto conhecimento e experiência local.

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