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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Passavam poucos minutos das 9h30 da manhã de hoje (hora de Lisboa) quando os autarcas de Montalegre e Boticas recebiam das Nações Unidas, em Roma, a distinção de património mundial. A partir de agora, os pastos de montanha do Barroso já não pertencem só aos que lá estão, também são do resto da humanidade.

Se já é adepto de uma boa posta de carne barrosã (ou maronesa), a partir de agora tem mais um motivo para se sentir um privilegiado. Faz parte do grupo daqueles que valorizam um produto tipicamente regional mas que, desde hoje, tem origem numa paisagem classificada como património mundial.

 

Foi esta manhã, em Roma (Itália), que os autarcas de Montalegre e de Boticas, receberam, na sede da FAO - Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, o certificado de reconhecimento público do Sistema agro-silvo-pastoril do Barroso como Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (GIAHS em inglês).

 

O Sistema agro-silvo-pastoril do Barroso, que abrange os concelhos de Boticas e Montalegre, é o primeiro a ser aprovado em Portugal e um dos primeiros a ser aprovado na Europa.

 

Um 'mosaico' de pastagens tradicionais

 

Trata-se de uma paisagem montanhosa historicamente relacionada com os sistemas agrícolas tradicionais, em grande parte baseados na criação de gado e na produção de cereais.

 

Daqui acabou por resultar um mosaico de paisagem em que as pastagens antigas, as áreas de cultivo (campos de centeio e hortas), os bosques e as florestas estão interdependentes, e onde os animais constituem um elemento chave no fluxo de materiais entre os componentes do sistema.

 

O processo de candidatura que agora se traduziu no reconhecimento mundial, teve o patrocínio do Ministério da Agricultura. Foi entregue à FAO em agosto de 2017 e desenvolvido por uma parceria que inclui a Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega (ADRAT), as câmaras municipais de Boticas e Montalegre, as Universidades do Minho e de Trás-os-Montes, organizações e associações de produtores agrícolas, profissionais do setor e cidadãos da região.

 

O GIAHS, é um processo de certificação promovido pela FAO que visa identificar e certificar, em todo o mundo, os sistemas de agricultura tradicional que, pelas suas características notáveis do ponto de vista da diversidade, saber tradicional, biodiversidade, paisagem, modelo socioeconómico e resiliência face às alterações humanas, climáticas e ambientais, possam contribuir para melhorar a gestão dos agro-sistemas modernos.

 

Para além de Portugal, esta manhã foram distinguidos em Roma sistemas agrícolas da China, Egito, Japão, Coreia, México, Espanha e Sri Lanka.

 

Base de sustentação económica

 

No caso do Barroso, a pequena agricultura ainda é a base de sustentação sócio-económica de uma grande parte das populações. O Barroso é uma região agrícola onde predomina a produção pecuária e outras culturas típicas das regiões montanhosas.

 

Do ponto de vista cultural, os habitantes do Barroso “desenvolveram e mantiveram formas de organização social, práticas e rituais que os diferenciam da maioria das populações do país em termos de hábitos, linguagem e valores. Isso resulta das condições endógenas e do isolamento geográfico, bem como dos limitados recursos naturais que os levaram a desenvolver métodos de exploração e uso consistentes com sua sustentabilidade”, explica a câmara de Boticas, num comunicado agora divulgado.

 

No mesmo documento pode ainda ler-se que “o comunitarismo é um dos valores e costumes mais característico de Barroso, intimamente associado às práticas rurais de vida coletiva e à necessidade de adaptação ao meio ambiente”.

 

Atualmente, tudo isso representa um recurso fundamental promover o turismo rural e de natureza, que desempenham um papel cada vez mais importante nas atividades da região.

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