A mudança de bitola ibérica para europeia na fronteira de Irún não constituiu obstáculo para a DB Schenker rail realizar comboios de mercadorias entre Portugal e a Alemanha, referiu Frank Gutzeit, diretor-geral da Schenker Transitários, em conferência de imprensa, à margem da cerimónia realizada para apresentar a segunda ligação ferroviária semanal entre o mercado português e germânico, que terá início a 17 de setembro.
O transbordo das 32 caixas móveis em Irún está longe de constituir um problema, fazendo parte da própria operação, representando entre três a quatro por cento dos custos, e demora cerca de oito horas.
Para 2014, a DB Schenker rail pretende avançar com uma terceira ligação entre os mercados nacional e germânico. «Existe um volume importante de importação para Portugal pelo que um só comboio semanal não é suficiente», afirma o responsável da filial do grupo alemão Deutsche Bahn. «Todavia, os clientes pretendem uma maior frequência de comboios e regularidade para fazerem a transferência da carga do camião para o transporte ferroviário», explica, adiantando que «existe potencial de mercado na Alemanha para arranjar mais carga para importação».
A introdução da terceira ligação semanal em 2014 deve-se ao planeamento de longo prazo que é necessário fazer no transporte ferroviário. Frank Gutzeit adiantou que a operação de cada comboio entre Portugal e a Alemanha envolve um custo de aproximadamente 150 mil euros pelo que a prioridade da DB Schenker passa por rentabilizar o serviço existente. «Quanto maior é a distância, mais favorável é o transporte ferroviário de mercadorias em relação ao rodoviário», esclarece o responsável, adiantando que atualmente a taxa de cobertura na exportação é de aproximadamente 100 por cento enquanto na de importação se situação entre os 30 e os 50 por cento. Esta diferença deverá diminuir com o segundo comboio. «Os clientes alemães pedem mais frequência e regularidade para utilizarem o serviço para Portugal». Para potenciar o serviço, a DB Schenker passou a servir um segundo terminal ferroviário na Alemanha, em Frankfurt, que se veio juntar ao de Braunschweig.
A duplicação do serviço ferroviário para a Alemanha, a partir de 17 de setembro, prevê a circulação de dois comboios em cada sentido, cada um com 32 vagões, que correspondem ao comprimento máximo autorizado em Portugal, que é de 480 metros. Cada comboio transportará uma carga total de 703 toneladas, o que equivale a cerca de 30 camiões. «O nosso produto é ideal para clientes com grandes cargas. A grande vantagem é a estabilidade de preço. Atualmente, o preço do transporte ferroviário e rodoviário é idêntico, mas no futuro a realidade será diferente devido aos aumentos de custos – portagens e combustível – no rodoviário».
O serviço ferroviário entre Portugal e a Alemanha foi desenvolvido no tempo recorde de ano e meio, na sequência de diligências efetuadas pela AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo) junto de quatro operadores logísticos, tendo-os convidado a apresentar uma solução ferroviária para a indústria exportadora portuguesa, onde se incluía a AutoEuropa, que pretendia uma alternativa ao transporte rodoviário (os principais fornecedores da fábrica encontram-se a mais de três mil quilómetros). Durante ano e meio, a Schenker desenvolveu o projeto, juntando vários parceiros, designadamente a Deutsche Bahn para os terminais na Alemanha, a CP Carga para os terminais em Portugal e a Transfesa para os vagões, as caixas móveis e as gruas em Irún.
Os primeiros comboios de teste realizaram-se em novembro e dezembro de 2011, arrancando o serviço regular em fevereiro de 2012. Desde então, o comboio é carregado à sexta-feira pela Schenker, que sai na manhã seguinte da Pampilhosa da Serra, chegando a Braunschweig na Alemanha na terça-feira, após ter feito escala em Frankfurt. A entrega de mercadoria acontece às terças e quartas-feiras. O comboio no sentido inverso sai de Braunschweig na sexta-feira e chega segunda-feira de manhã à Pampilhosa. O principal cliente na exportação é a Portucel/Soporcel, com 27 por cento da taxa de ocupação, enquanto na importação é a AutoEuropa, com 43 por cento. A partir de 17 de setembro, o segundo comboio irá sair da Alemanha à segunda-feira para chegar a Portugal na quinta-feira.
A cerimónia de apresentação da duplicação do serviço ferroviário para a Alemanha contou com a presença de Frank Gutzeit, diretor-geral da Schenker Transitários, Pedro Patrício, diretor para Grandes Empresas do AICEP, Sandra Augusto, diretora de logística da AutoEuropa, Hermano de Sousa, diretor de logística da Altri e Gonçalo Vieira, diretor de logística da Soporcel/Portucel. Os representantes dos grandes carregadores sublinharam a importância do transporte ferroviário de mercadorias e da ligação para a Alemanha.