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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Apesar do protecionismo dos EUA, o comércio global de bens e serviços permaneceu relativamente forte este ano.

Em 2019, a dinâmica comercial deve estabilizar nos + 3,6% (em 2018 registou + 3,8%), em linha com o abrandamento do crescimento global, devido às condições de financiamento mais restritas e às incertezas em torno do comércio.

 

Independentemente de um hipotético crescimento do protecionismo, as empresas devem preparar-se para um aumento dos custos e do risco político

 

O estudo Global Trade: The show must go on, elaborado pela Euler Hermes, acionista da COSEC, líder em seguro de créditos e caução em Portugal, apresenta as tendências da dinâmica comercial para 2019.

 

Em 2019, a dinâmica comercial deverá desacelerar, em linha com o abrandamento do crescimento do PIB.

Apesar do discurso protecionista dos EUA, o comércio global de bens e serviços manteve-se relativamente forte durante este ano, com um crescimento de + 3,8%.

 

O volume do comércio de mercadorias subiu 2 a 4% acima do desempenho médio do período entre 2012 e 2016, suportado por um sólido crescimento da procura global. Em 2019, a dinâmica comercial deverá desacelerar, em linha com o abrandamento do crescimento do PIB. O volume do comércio global de bens e serviços deverá abrandar o ritmo de crescimento, situando-se nos + 3,6% (contra + 3,8% em 2018).

 

Em termos financeiros, espera-se que o comércio aumente em +1.3 mil milhões de dólares em 2019 (comparado com +1.7 mil milhões de dólares em 2018).

 

Os pressupostos económicos que servem de base a esta previsão são os seguintes:

 

O crescimento económico global deverá desacelerar ligeiramente em 2019 (para + 3,1%, face a + 3,2% em 2018).

Espera-se que a política monetária mais restrita dos EUA leve a um crescimento mais lento e menos dinâmico do investimento – especialmente nos mercados emergentes.

 

Quanto aos preços das trocas comerciais, embora seja estimado que o preço do barril de Brent baixe, em média, para os 69 dólares em 2019, as moedas mais fortes e a inflação vão sustentar o crescimento do comércio em termos de valor.

 

Guerra comercial? Não propriamente

O protecionismo tem tido um impacto muito limitado, no entanto, o sentimento, refletido pelo declínio das principais economias do Índice de Gestores de Compras (PMI, na sigla em inglês), tem sido afetado pelas ameaças comerciais.

Ainda que a média das tarifas suba de +1.7 p.p. para um valor estimado de 5,2% (o que corresponde ao nível dos preços praticados nos anos 80), esta política protecionista manter-se-á controlável a nível global.

 

O aumento da pressão e o agravamento do desentendimento comercial (tarifas médias dos EUA acima de 6%) poderá custar meio ponto percentual do PIB, que se encontra em crescimento nos EUA, enquanto que uma guerra comercial (tarifas médias dos EUA acima de 12%) custaria dois pontos do PIB, nos EUA, e poderia provocar uma recessão global.

 

As reformas de incentivo ao comércio e os novos acordos de comércio livre compensam, parcialmente, o conflito entre os Estados Unidos e China. Excluindo os EUA, os restantes países tendem a favorecer iniciativas de comércio livre. A última edição do relatório do Banco Mundial Doing Business (Doing Business 2019) ressalta uma tendência positiva: o resultado positivo do comércio internacional aumentou em quase todas as grandes economias, especialmente nos mercados emergentes.

 

Novas ameaças estão a surgir: custos do comércio, desvios comerciais e risco político

Para além do protecionismo, as empresas devem preparar-se para maiores custos do comércio, desvios comerciais e aumento do risco político.

 

Em primeiro lugar, o défice do financiamento do comércio (1,5 mil milhões de dólares) crescerá à medida que as condições monetárias e financeiras do dólar se retraiam e aumentem os riscos cambiais, políticos e de não pagamento.

Em segundo lugar, os desvios de fluxos comerciais podem criar vencedores e vencidos: os maiores beneficiados deverão ser os pivôs comerciais asiáticos.

 

Por último, esperamos 400 novas medidas protecionistas a nível global (de 560 em 2017), mas os riscos de confisco e expropriação podem aumentar, à medida que a economia venha a registar um abrandamento.

Último Relatório do Comércio Mundial, publicado em 29 de novembro de 2018, disponível aqui.

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