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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Um dos fundadores da recém-criada associação portuguesa, o ‘chairman’ da consultora Everis, António Brandão de Vasconcellos, afirma ao Jornal Económico que “há um desfasamento entre a investigação e o mercado”. PwC, Galp, Efacec ou Santander são alguns dos 19 fundadores desta “startup”.

Com apenas seis meses, a HiSeedTech é a nova associação sem fins lucrativos com selo português que pretende unir a investigação tecnológica e as empresas, “dois mundos que não se falam”. Nascida para incentivar a criação de valor a partir do conhecimento científico e intermediá-lo com as necessidades do mercado, a associação procura mais associados e parcerias, para se juntarem às 19 empresas fundadoras.

 

As associadas fundadoras são empresas portuguesas de diversos segmentos de atividade: a BlueClinical, a CIN, a Clarke Modet & Company, a Costa Verde, a Diergy, a Efacec, o Esporão, a Everis, a Galp Energia, a Hovione Capital, a Intercapital, a Lameirinho, o Banco Popular [Santander], a Promotor, a PwC, a Renova, a Snap!, a TauCapital e a Tecnimed.

 

A “startup” conta ainda com uma rede de cerca de 700 investigadores que são envolvidos nas iniciativas quando as empresas estão à procura de novas soluções. Em entrevista ao Jornal Económico, António Brandão de Vasconcellos, chairman da consultora Everis e mentor da HiSeedTech, afirmou que pretendem ser o player intermediário entre a investigação e o mercado.

 

Defendem a ligação entre a investigação e as necessidades das empresas. Como?

 

Quando comparamos a nossa investigação com a da Europa percebemos que estamos bem, que temos investigação ao nível externo. Neste século houve uma evolução brutal. O problema é a seguir, quando vamos comparar os resultados dessa investigação. Há um desfasamento entre a investigação e o mercado. Há uma lacuna. Não há ninguém a tomar conta deste meio. Uma coisa é do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, outra do Ministério da Economia e no meio não há ninguém. Há uma diferença de linguagem e há que saber traduzir. O que associação pretende é cobrir esta falha. A ideia é muito boa: unir dois mundos que não se falam. Na prática, nós somos uma startup. Entre a ideia e avançar foi um ano.

 

Estivemos a preparar a assembleia geral em outubro e neste momento estamos como todas as questões com que se deparam as empresas em nascimento. Temos de criar estratégias e programas, formar e juntar pessoas numa nova rede.

 

Através de que soluções?

 

Consegue-se com experiência e com colaboração com quem já faz isto lá fora. Temos associações com as [universidades norte-americanas] Rutgers, Brown, North Carolina State e em Portugal com a Porto Business School e Nova School of Business and Economics. Juntamos gente das escolas de Gestão com gente do mundo da investigação. É um trabalho que não é fácil mas que acreditamos que vá ter resultados. Temos mais empresas com intenções de aderir [à HiSeedTech].

 

Comprometem-se com uma quota anual e nenhuma participação nos projetos. Há quem se associe por ser venture capital que quer estar à frente dos outros quando vir algo surgir ou por responsabilidade social. Quem sabe o que está a acontecer – o nascimento de startups, a existência de todos os fundos que se estão a criar de investimento, a volatilidade em que se baseiam as startups que se dedicam apenas a fazer apps e que precisam de algo mais sólido – percebe perfeitamente o interesse disto. Quando o mercado está à procura de uma solução pode vir ter connosco e dizemos, por exemplo: “Isso está a ser feito em Nanotecnologia de Braga”. O mentor é alguém de fora que aconselha e orienta quando se está a tentar ajudar a ‘transformar’ os investigadores em empreendedores.

 

Em relação à Everis, como se tem posicionado no mercado?  

 

O nosso papel é ser atraente para os recursos e depois conseguir retê-los. Para isso temos de arranjar projetos complexos e interessantes, porque neste meio há falta de recursos. As pessoas saem da universidade e escolhem para onde querem ir por isso temos de ser bons. Se tivermos os melhores recursos, eles estiverem contentes a trabalhar connosco e tivermos valores e princípios os clientes vêm atrás. O grande desafio é arranjar gente boa. Queremos continuar a crescer. Como presidente do conselho de administração, pelas informações que tenho, diria que vamos continuar a crescer e a admitir gente. Temos novos desafios agora com a chegada de empresas como a Google e a Amazon, que vêm competir e ir buscar pessoas às universidades. Temos como grandes ‘fornecedores’ universidades de primeiro nível: Instituto Superior Técnico (IST), Universidade de Coimbra, Universidade do Porto, Faculdade de Engenharia do Porto…

 

Existem também muitas universidades e tecnológicas a apostar na descentralização…

 

Temos surpresas muito agradáveis de gente que vem de faculdades da província. Todas as tecnológicas têm a mesma questão: ter gente. Há um défice na Europa previsto de 900 mil pessoas em 2020, ou seja, “depois de amanhã”. As empresas estão a ir para onde existem recursos. As universidades estão a fazer um trabalho muitíssimo bom e muitos saem delas e vão lá para fora. Por isso temos parcerias muito antigas com o IST, com a Universidade Nova… Por exemplo, temos a Fundação Everis, que colabora com o Técnico ajudando os doutorandos e investigadores a ter uma ideia do mercado e a transformar conhecimento em valor.

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