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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O grupo dedicado ao setor aeronáutico encontra-se numa fase de franca expansão e crescimento, marcando já presença, além de França e Portugal, em países como o Canadá, México, índia e Irlanda.

Passados quase 17 anos da chegada do grupo Lauak ao território português o balanço não podia ser mais positivo, e Armando Gomes, CEO da Lauak nacional, afirma mesmo que esta aposta foi decisiva para o sucesso e desenvolvimento da empresa aeronáutica. Mas este foi um processo "win-win" já que ao ter sido a primeira empresa aeronáutica sediada em Portugal, a Lauak está na base de todo o desenvolvimento ao nível da formação e de outras vertentes dentro do ramo aeronáutico. Com a sede originária em França, a multinacional fabricante de componentes para a indústria aeronáutica dá os primeiros passos em Portugal em 2003. O objetivo era o de impulsionar o desenvolvimento e dimensionamento do grupo, pois Portugal revelava-se interessante devido à sua localização europeia e herança aeronáutica. Embora os primeiros anos não se tenham revelado pródigos por circunstâncias externas - baixa geral do ramo aeronáutico causada pelos ataques de 11 de setembro de 2001, em Nova Iorque - não durou muito até que a decisão de vir para território nacional tivesse dado frutos e se tenha convertido numa aposta vencedora. "O grupo Lauak desenvolveu-se graças ao negócio realizado em Portugal. Esta foi a verdadeira alavanca que fez com que conseguisse conquistar projetos decisivos. Hoje temos mais de 700 colaboradores, instalações de 18 mil metros quadrados em Setúbal e 12 mil metros quadrados em Grândola, filial em funcionamento desde meados de 2019." A oferta de preços razoáveis com uma qualidade elevadíssima é, segundo o CEO, um dos principais fatores que mais destacam a Lauak num mercado tão competitivo: "Sem sermos lowcost somos bes- tcost. A nossa qualidade europeia, que nos possibilita simplificação ao nível alfandegário, e o investimento na formação, foram também fulcrais para a expansão do grupo".


Além da presença no pódio mundial de contratados para a Airbus, a Lauak tem também como um dos seus grandes clientes a Dassault.

 


INDUSTRIA DE PONTA EM GRÂNDOLA
Prestes a ser inauguradas, as recentes instalações localizadas em Grândola representaram um investimento de 32 milhões de euros - tendo contando com o apoio do AICEP e do programa Portugal 2020 - e abrigam uma fábrica de excelência do grupo que se vai centrar no projeto e produção de peças grandes para aviões: "A fábrica tem três linhas autónomas de produção e produz componentes para o avião A320 da Airbus sendo que, posteriormente, fabricará também peças para os modelos A330, Falcon 6X, 7X,8X e motor Leap" explicita. A necessidade de criar uma mecânica mais automatizada e robotizada e o facto de ser uma região onde nãohá praticamente indústria comandaram esta decisão. "Um dos próximos passos é implementar uma logística única para as duas filiais portuguesas. Entretanto, convidei uma empresa francesa que distribui, compra e vende matéria prima e que se instala no terreno ao nosso lado para nos fornecer toda a matéria que precisamos. O interesse neste negócio é o facto de serem detentores de um vasto mercado de venda de ma- téria-prima e, desse modo, não necessitamos ter stock. Em termos de desperdícios também nos compensa, porque a peça já chega com a dimensão que vai ser utilizada".
A equipa Lauak tem exercido um papel preponderante na dinamização da região, ao criar protocolos e centros de formação em parceria com o IEFP - Instituto de Emprego e Formação Profissional, com a Câmara Municipal de Grândola e o IPS - Instituto Politécnico de Setúbal, com o objetivo de formar técnicos superiores em produções aeronáuticas e ainda criar uma academia de formação. 


À CONQUISTA DO MUNDO


Apesar de até há poucos anos ser essencialmente um grupo francófono, hoje a Lauak está presente na índia, Canadá, México e Irlanda. Satisfeito com o trabalho preconizado pela empresa que dirige, o responsável confessa que lhe dá particular satisfação saber que, mais uma vez, a implementação nacional foi decisiva para que a entidade assumisse esta dimensão global. "A escolha das novas localizações prende-se, essencialmente, com o acompanhamento dos clientes.


No entanto, a índia, é um mercado que vai assumir cada vez mais importância em termos aeronáuticos e muitos fabricantes de aviões estão a instalar-se lá, por isso é uma rota crucial para manter e potenciar a competitividade."


As várias filiais distribuídas pelos seis países vão permitir repartir tarefas e criar especializações e, por conseguinte, centros de excelência. Armando Gomes exemplifica: "A montagem estrutural será um centro de excelência em Portugal para fabricar estruturas aeronáuticas de grande dimensão".


Com uma pegada de referência dentro do setor da aeronáutica, a relevância e enorme expressão da Lauak têm merecido a visita das mais elevadas figuras do governo português, que reconhecem o grupo enquanto um exemplo a nível nacional.

Não é por isso de admirar que aempresa tenha vindo a conquistar inúmeros prémios ao longo do seu percurso. A mais recente distinção foi o prémio PME Excelência 2019, atribuído pelo IAPMEI: "Este é mais um galardão que reconhece o nosso esforço, dinamismo e trabalho. Porém, o prémio que mais me orgulhou foi o primeiro, atribuído em 2006 pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa, pois no momento ainda éramos uma empresa com poucos trabalhadores e só com essa entrega tomámos consciência do nosso impacto". Sempre com o crescimento consolidado no horizonte, os novos projetos em Portugal são uma constante e têm sempre em vista a expansão e desenvolvimento das instalações e da capacidade de produção: "Queremos englobar mais 12 mil metros de construção no centro de produção de Grândola", desvenda o CEO.

UM RAMO EM ASCENÇÂO


Em 2018 o mercado da aviação transportou 4,4 biliões de passageiros e a tendência é que este número continue a aumentar, já que, como é de conhecimento geral, a indústria aeronáutica encontra-se em rota ascendente: "Este é um fenómeno normal, na medida em que as pessoas viajam cada vez mais de avião. Estudos recentes prevêem que este número continue a crescer anualmente na ordem dos 6%, pelo menos até 2030", informa o responsável.


Armando Gomes alerta ainda para o facto de, contrariamente ao expectável, existirem muitos países cujos aeroportos têm já poucas estruturas para acolher mais aviões: "Portugal é um exemplo gritante onde é urgente construir um novo aeroporto já que o Aeroporto de Lisboa brevemente vai deixar de ter capacidade, pois quase todas as companhias aéreas duplicaram as suas rotas com destino e partida no nosso país".

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