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Professor de Finanças no IESE Business School antecipa que num cenário de paralisação da atividade económica durante 1,5 mês, a crise provocada pela Covid-19 terá um impacto económico de 4,5% do PIB, estimando uma contração do crescimento económico de 2,9%.

Portugal deverá entrar em recessão este ano, com uma queda no PIB que pode variar num intervalo para entre -2,9% a -10,7%, consoante a extensão das medidas de paralisação da atividade económica, projecta Nuno Fernandes, professor de Finanças no IESE Business School e chairman do Conselho de Auditoria do Banco de Portugal.

 

No artigo “Economic effects of coronavirus outbreak (Covid-19) on the world economy”, publicado esta segunda-feira, Nuno Fernandes explica que num cenário moderado (de shutdown da atividade económica de 1,5 mês), a crise provocada pela Covid-19 terá um impacto económico de 4,5% do PIB, estimando uma contração do crescimento económico de 2,9%.

 

No entanto, num cenário mais adverso no qual as “medidas extremas relacionadas com a Covid-19” se estendam até meio de junho, “Portugal irá ver o seu PIB cair para -7%”. Caso as medidas se prolonguem até ao final de junho, esta contração será ainda mais acentuada para -10,7%, antecipa.

 

“Globalmente, em média, cada mês adicional de paralisações irá custar 2% a 2,5% do PIB global”, refere. Antecipa ainda que se “as medidas durarem até o final de julho de 2020, a queda média do PIB seria próxima de 8%. E a diminuição do PIB pode, em alguns casos, ser superior a 10%”, acrescenta.

 

O professor de Finanças da IESE estima que a maioria dos países europeus irá enfrentar recessões “significativas”, com contrações no PIB de -2% a -3%. “A julgar pelas recessões anteriores, um declínio no PIB dessa magnitude irá aumentar significativamente o desemprego”, refere.

 

“Nesse cenário, quase todos os países analisados irão sofrer um crescimento negativo do PIB, além da China (embora o crescimento ainda seja reduzido de uma estimativa pré-crise de 6% para abaixo de 3%)”, explica.

 

No cenário de paralisação de 1,5 mês, o economista projecta um crescimento este ano da economia alemã de -2,4%, de -2% em França e no Reino Unido, de -3,2% em Itália, de -2,1% em Espanha e de -0,8% nos Estados Unidos.

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