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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O mercado americano está no topo das prioridades das fileiras do vestuário e do calçado, que se reuniram, no Porto, para debater estratégias de entrada.

Os Estados Unidos estão na moda. Ou será Portugal que está a ficar in por terras americanas? A conferência “Road to USA”, organizada pela Apiccaps – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos e pela Anivec – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção, na última quinta-feira (ver Anivec e Apiccaps debatem mercado americano), debateu estratégias para vencer neste mercado, elencando, simultaneamente, os obstáculos que se mantêm nos domínios do tio Sam.

 

João Maia, diretor-geral da Apiccaps deu conta de um plano delineado pelo calçado, em parceria com o segmento do vestuário. «A Europa com dinheiro está muito concentrada entre Milão, Londres, Berlim e Paris. Aqui temos um quarto do nosso potencial de clientes e quando estamos a falar de resposta rápida é este o nosso mercado, e por isso é que a indústria do calçado exporta quase 90% para estes países. Mas há restrições e temos que crescer noutros mercados e os EUA emergiram como uma região que deveríamos avaliar», referiu o responsável. A análise que se seguiu chegou à conclusão que a população com poder de compra na América está muito mais dispersa e isso é um desafio.

 

Para vencer, as empresas das duas fileiras têm que apostar numa estratégia digital. A Apiccaps está a apoiar a ideia com o lançamento do site Portuguese Shoes, onde estão presentes as empresas de calçado com os dados necessários para que um cliente americano possa escolher um fornecedor português. O sector do calçado vai ainda lançar uma serie de ações de promoção que culminarão na presença na feira Magic, em Las Vegas, no próximo mês de agosto.  João Maia aconselhou as empresas a terem um plano a médio prazo, porque vingar nos EUA demora.

 

Já Bruno Mineiro, administrador da produtora de vestuário Twintex, sabe bem o tempo que leva ter sucesso lá fora. «Recebemos a primeira encomenda em dezembro, de um cliente que vínhamos trabalhando há 12 anos», revelou. A empresa, que trabalha em regime de private label para marcas de luxo e gama alta, já conseguiu entrar nos EUA, sendo que o mercado pesa 20% no total do volume de negócios. E deverá em breve atingir a fatia dos 34%.

 

Por seu lado, Ricardo Monteiro, da marca Cloud footwear conseguiu arranjar um distribuidor que «tinha já uma rede, em 50 estados, estava nos mercados mais importantes. Isto facilitou-nos um crescimento rápido». Hoje em dia os resultados neste país quase que quadruplicaram.

 

Importações em escalada

Luís Figueiredo, vice-presidente da Anivec, acredita que as importações americanas de vestuário português têm pernas para andar. «As exportações portuguesas, em cinco anos, triplicaram para os EUA», afirmou o responsável, salientando que a economia do país está num «período favorável» e que as compras à China começaram a reduzir-se. Os americanos gastam apenas 3,3% do seu orçamento em roupa e calçado, abaixo da média europeia. Luís Figueiredo destacou também que o retalho especializado tem um peso superior ao das department stores no país e que o online já está a apanhar os canais mais tradicionais.

 

O presidente da Apiccaps, Luís Onofre, explicou que a estratégia das duas fileiras assenta «num plano ambicioso e que está previsto a médio prazo. Contamos investir neste mercado ao longo de vários anos. É uma estratégia que acomoda estratégias diferentes para cada empresa».

 

Leslie Gallin, presidente da UBM Fashion, responsável pela feira Magic aconselhou as empresas a contar uma história. «Estamos a investir em espaços educacionais, para ajudar a comunidade. As gerações estão a falar em sustentabilidade, mas querem comprar de uma empresa familiar, uma empresa só de mulheres», elucidou. Sandi Mines, diretora da Footware News reforçou esta ideia. «Se é uma marca pequena tem que fazer barulho e criar uma história. E se é uma marca grande tem que estar por aí», acrescentou. Matt Priest, president da FDRA (Footwear Distributors and Retailers of America) disse que «a indústria começou a fugir da China. Quando vemos as importações de Portugal, o custo é mais elevado, mas mostra que o vosso produto é muito bom».

 

O presidente da AICEP, Luís Castro Henriques, acredita que «as empresas já perceberam que a internacionalização tem que ser o caminho de início, ao fim de dois anos de vida devem começar a dirigir-se para esse caminho».

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