Tradicional e importante parceiro económico de Portugal, a França é um dos mercados que mais interesse desperta junto dos empresários nacionais. A solidez da economia e das finanças do país, a par da proximidade geográfica e da longa ligação histórica e cultural entre Portugal e França, entre outros factores, contribuem para esta situação e abrem novas e numerosas oportunidades ao desenvolvimento deste relacionamento económico.
A França é uma das economias mais robustas da Europa e um dos grandes protagonistas da economia global. É também um importante parceiro económico e comercial de Portugal, sendo minha convicção que muito se pode e deve fazer em termos desenvolvimento e reforço das relações económicas entre os dois países e as suas empresas.
No contexto da crise internacional, iniciada em 2008, todos os chamados países desenvolvidos, e nomeadamente os países da União Europeia, foram afectados no seu crescimento económico. No entanto, os efeitos da crise não se fizeram sentir da mesma forma em todos os países. De acordo com a sua dimensão, recursos e exposição externa, a crise afectou mais fortemente uns do que outros.
A França foi dos poucos países europeus, juntamente com a Alemanha, Holanda ou Suécia, onde o impacto negativo da crise global foi relativamente moderado, sobretudo quando comparado com o impacto em países como o Reino Unido, a Itália ou a Espanha, que se viram obrigados à adopção de medidas e programas excepcionais para controlar o défice externo e o endividamento e, ao mesmo tempo, apoiar politicas sociais que minorassem esse impacto sobre o emprego.
Os dados da economia francesa para 2008 e 2009 mostram que depois da estagnação do PIB (Produto Interno Bruto) em 2008, registou-se em 2009 uma diminuição da ordem dos 2,5 por cento (enquanto a média na UE foi de menos 4 por cento), ao mesmo tempo que o défice público atingia os 7,8 por cento em 2009. Outros indicadores, como a taxa de desemprego (cerca de 8 por cento em 2009), o investimento estrangeiro em França (cerca de menos 20 por cento entre 2008 e 2009) ou as exportações (queda de quase 25 por cento entre 2008 e 2009) confirmam o impacto negativo da crise na economia francesa, se bem que longe dos efeitos verificados na economia de outros países europeus.
A esta situação o governo francês respondeu com um conjunto de medidas que incluíram a “injecção” de 26.000 milhões de euros na economia, para programas de apoio social e de reforço do sistema financeiro, em 2008, e, no ano passado, o lançamento de um programa de 36.000 milhões de euros para apoio ao investimento das PME. Ao mesmo tempo, a robustez e diversidade do tecido empresarial francês, a contenção das despesas do Estado e, já em 2010, a retoma das exportações para os seus principais parceiros europeus (a Alemanha, Bélgica, Espanha, Holanda e Itália), a reduzida exposição da banca francesa ao fenómeno do “subprime” da banca americana, contribuíram também para que a economia francesa conseguisse evitar os efeitos mais negativos da crise global tanto no plano económico como no plano social.
Os dados de 2010 e dos primeiros meses de 2011 confirmam a tendência para a recuperação e consolidação do crescimento da economia, em parte devida à retoma da procura externa e, por outro lado, devido à ligeira retoma do consumo interno e do investimento.
Estes dados, associados ao comportamento expectável da economia alemã (principal parceiro económico e comercial da França), levam a que as previsões, ainda que moderadamente optimistas, apontem para uma retoma do crescimento a partir de 2013 com uma taxa anual da ordem de 1,7 por cento.
Na conjuntura actual trata-se de uma taxa de crescimento francamente positiva e, dado o comportamento da sua economia, a França é hoje considerada, juntamente com a Alemanha, como a “locomotiva” do crescimento económico da União Europeia contando-se muito com o “efeito arrastamento” que o crescimento destes dois países tem, necessariamente, sobre as economias dos países vizinhos e parceiros da UE. Daí a importância crescente da economia francesa no contexto europeu e mundial.
Relacionamento económico com potencial para crescer
As relações económicas e comerciais entre Portugal e a França têm conhecido um desenvolvimento constante nos últimos anos e a França é hoje um parceiro importante de Portugal, seja em termos comerciais (a França é o nosso 3º parceiro, tanto importador como fornecedor, depois da Espanha e da Alemanha), em termos de IDE (a França tem sido, nos últimos anos, um dos cinco maiores países investidores em Portugal) e em termos turísticos (a França foi, em 2010, o 2º mercado emissor mais importante em termos de receitas, com 1.323 milhões de euros, a seguir ao Reino Unido, com 1.393 milhões de euros).
Para isto, contribuem factores como a já referida solidez da economia e finanças do país, a proximidade geográfica e a facilidade de acesso entre Portugal e França, a pertença a um mesmo espaço de integração económica e monetária como a UE, o apreço pelos portugueses em França e o reconhecimento da qualidade e facilidade de adaptação da nossa mão-de-obra.
Se acrescentarmos a estes dados o facto de viverem, estudarem e trabalharem em França mais de um milhão de cidadãos portugueses e seus descendentes que desenvolvem diferentes actividades económicas, muitas vezes por conta própria (são cerca de 45.000 as empresas francesas criadas por cidadãos portugueses e seus descendentes), a existência de quase 3.000 empresas portuguesas que exportam para França, a presença e instalação de cerca de 400 empresas francesas em Portugal e de várias dezenas de empresas portuguesas em França, nos mais distintos sectores da economia (bens alimentares e bebidas, serviços, moldes para plásticos, embalagem em plástico, construção, energias renováveis, etc.) e a longa ligação histórica e cultural existente entre os dois países, resulta claro porquê a França é hoje um dos mercados que mais interesse suscita entre as empresas portuguesas, como o confirma o número de pedidos de informação dirigidos à AICEP e o número crescente de empresas portuguesas nos diversos Salões e Exposições que se realizam em França.
As empresas portuguesas dispõem em França de uma rede de empresas criadas por portugueses que, um pouco por todo o país, podem ser (e são já, em muitos casos) parceiros privilegiados para aceder ou penetrar no mercado, seja enquanto clientes, seja enquanto parceiros na criação de empresas mistas ou outras formas de cooperação empresarial. Esta rede empresarial tem aliás expressão na existência de uma importante Câmara de Comércio e Indústria Franco Portuguesa em Paris e de um conjunto de núcleos empresariais noutras cidades importantes como Marselha, Lyon ou Bordéus.
Por outro lado, a realização de um grande número de Salões e Feiras e a sua importância enquanto instrumento promocional constituem uma oportunidade para as empresas portuguesas chegarem a potenciais clientes em áreas como os bens alimentares (SIAL), decoração (Maison et Objets), subcontratação (MIDEST) ou construção (BATIMAT). Uma visita inicial aos Salões e Feiras que se realizam em França e, caso se confirme a potencial utilidade, uma presença com stand nas edições seguintes, é um elemento importante de uma estratégia de abordagem do mercado francês.
Do mesmo modo, para muitos produtos e sectores, a selecção criteriosa de agentes e/ou distribuidores e as visita ao mercado para contactos e prospecção são elementos importantes para uma estratégia de internacionalização no mercado francês e que, aliás, são utilizados por concorrentes nossos como a Espanha, Itália, Hungria, Polónia ou Turquia.
Mas as empresas portuguesas dispõem, sobretudo, das muitas oportunidades – que podem e devem aproveitar – que uma economia robusta e em crescimento como a da França hoje oferece. Em áreas chamadas “tradicionais”, como os bens alimentares e bebidas, vestuário, calçado ou mobiliário, em sectores como a construção, máquinas eléctricas ou material de transporte, ou em sectores como as energias renováveis, TIC ou material e equipamento para a indústria aeronáutica, a oferta portuguesa, hoje muito mais diversificada e sofisticada tecnologicamente do que no passado, pode competir no mercado francês, que é fortemente concorrencial porque, como referimos, é muito procurado seja em termos comerciais, de investimento ou turismo.
Grandes projectos na área da construção (só em Paris, até 2025, o parque habitacional terá de ser aumentado em 20 por cento), nas energias renováveis (os novos empreendimentos terão que utilizar fontes de energia alternativas e ao mesmo tempo está em marcha um ambicioso programa para aumentar a utilização destas energias em habitações já existentes), no turismo (há falta de hotéis na região de Paris por exemplo) ou nas infra-estruturas de comunicação são outras tantas oportunidades para as nossas empresas destes sectores.
Finalmente, as empresas portuguesas dispõem em França de uma rede diplomática e consular com presença nas cidades mais importantes do país e do Centro de Negócios da AICEP em Paris com uma equipa motivada e profissional para apoiar os seus esforços de internacionalização no mercado francês.
AICEP – Centro de Negócios em Paris
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Este artigo faz parte integrante do número de Junho da Revista Portugalglobal da AICEP.