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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

"Creio que as empresas estão claramente a par dos riscos que estão em cima da mesa", diz Luís Castro Henriques.

Opresidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) diz à Lusa que as empresas portuguesas “estão claramente a par dos riscos” do Brexit e reiterou que estas devem ter uma “estratégia de diversificação” preparada.


Sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, mais conhecida por Brexit, Luís Castro Henriques sublinhou que a AICEP fez “um conjunto de atividades muito grande e de divulgação durante todo este período pelo país fora, com associações e diversos setores”. 

 

Por isso, “creio que as empresas estão claramente a par dos riscos que estão em cima da mesa”, considerou o responsável.

Luís Castro Henriques apontou três aspetos a que as empresas devem estar atentas no âmbito do Brexit.

 

“O primeiro aspeto fundamental é qual vai ser o enquadramento tarifário futuro”, ou seja, dentro de dois anos, quando o processo acabar, como se espera.

 

“E que impacto é que isso terá para mim”, enquanto empresa, prosseguiu.

 

O segundo aspeto “que é preciso ter em conta é qual a perspetiva que se faz da evolução da economia britânica e que impacto é que isso tem para a libra”, salientou.

 

Isto porque as empresas vão estar a receber em libras. Além disso, é preciso não esquecer que, “há dois anos, quando começou a andar o processo, com alguma turbulência, houve muitas empresas portuguesas que tiverem efeito de câmbio”, recordou Luís Castro Henriques.

 

Por último, o terceiro aspeto, ao qual a AICEP “tem dado a maior tónica de todas” e que é “absolutamente fundamental”, é ter “uma estratégia de diversificação preparada e pronta”.

 

Este é um caminho “que hoje em dia muitas empresas já o fazem”, sublinhou o gestor.

 

Acima de tudo, é “fundamental que as empresas tenham preparado o seu plano de diversificação” perante a eventualidade de um Reino Unido que venha a atravessar “um período menos certo” em termos de padrão de consumo e comportamento económico, rematou.

 

As exportações de bens portugueses para o Reino Unido abrandaram 0,2% até novembro, face a igual período de 2018, para 3.383 milhões de euros, enquanto as importações subiram 13,2% para 1.972 milhões de euros.

 

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), até novembro do ano passado, o saldo da balança comercial era positivo para Portugal em 1.411 milhões de euros.

 

O Reino Unido é o quarto cliente de Portugal e o seu oitavo fornecedor.

 

Portugal é o 31.º cliente do Reino Unido e seu 27.º fornecedor, de acordo com dados do ITC – International Trade Centre.

Em 2018, havia 3.033 empresas portuguesas a exportar para o Reino Unido, mais 129 (2.904) do que em 2017, seguindo a tendência dos últimos anos.

 

A saída do Reino Unido da UE está prevista para 31 de janeiro, às 23h00 locais (mesma hora em Lisboa), iniciando-se então um período de transição até 31 de dezembro de 2020, durante o qual os britânicos continuarão a aplicar e a beneficiar das regras europeias, mas sem estarem representados nas instituições europeias.

 

Em 15 de janeiro de 2019, o Governo anunciou que iria disponibilizar 50 milhões de euros para apoiar as empresas portuguesas que exportam para o Reino Unido, para mitigar o impacto da saída do país da União Europeia.

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