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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Presidente da agência Aicep, Luís Castro Henriques, tem o apoio da fileira do calçado enquanto setor líder da nova vaga das exportações que já se perfila.

O abrandamento da atividade económica portuguesa projetado no Programa de Estabilidade 2019- -2013 - que prevê uma variação de 1,9% para o Produto Interno Bruto de 2019 e 2020 - "não altera os projetos de investimento estrangeiro em Portugal, nem os projetos de investimento externo programados pelas empresas portuguesas", comentou ao Jornal Económico o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal - Aicep, Luís Castro Henriques.

 

Confrontado com o objetivo estratégico de Portugal atingir um nível de exportações da ordem dos 50% do PIB - contra os 44% atuais -, Castro Henriques considera que o pipeline de projetos comunicado à Aicep não deverá sofrer reduções. Pelo contrário. Com a nova plataforma tecnológica digital "Portugal Exporta" - que já está operacional online em www.portugalexporta.pt - carregada com toda a informação relacionada com o setor do calçado, a Aicep pretende melhorar a qualidade do serviço prestado aos seus 15 mil clientes ativos e trazer mais empresas para a internacionalização, contribuindo para o alargamento da base exportadora nacional.


A modernização digital da Aicep resulta de um investimento próprio (da Aicep) de um milhão de euros - alavancado pelo recurso ao SAMA - Sistema de Apoio à Modernização Administrativa, que proporcionou um investimento total de três milhões de euros -, e que já permitiu lançar o "Portugal Exporta", resultante do desenvolvimento tecnológico da Cocoon, de engenharia da Tekever, e de web design da FullSix.


A seguir, a Aicep avançará com um portal dedicado ao investimento, que fará o designado business match making - já conhecido como o Tinder' das empresas -, com um acelerador da internacionalização online dedicado ao E-Commerce, e, finalmente, com um optimizador do investimento, que pretende sugerir a localização para grandes projetos de investimento.
Estas novas ferramentas digitais Aicep são relevantes para o universo das 44 mil empresas exportadoras existentes em Portugal, atendendo a que há 23 mil que recolhem regularmente informações sobre os potenciais mercados de destino dos produtos portugueses.


Luis Castro Henriques refere que a transformação digital que a agência portuguesa está agora a efetuar "foi pensada e trabalhada para e com as empresas". "Acreditamos que a nova plataforma tecnológica é absolutamente state of the art, vai ter um impacto positivo na vida das empresas, e vai com certeza trazer resultados importantes ao nível do crescimento das exportações", refere o presidente da Aicep.


A plataforma digital surge assim como um "assistente virtual", que responde às principais solicitações dos exportadores, dando-lhes a informação que necessitam e alguns conselhos úteis para a estratégia que devem seguir para fazerem crescer o número de destinos dos bens exportados.


O funcionamento da plataforma "Portugal Exporta" começou pelo setor do calçado, integrando os dados da globalidade das empresas que figuram neste sector, incluídas as caraterísticas das principais exportadoras, com os mercados de destino, cruzados com tecnologias de inteligência artificial - desde a machine leaming ao Big Data - de forma a disponibilizar a cada exportador as oportunidades de negócio ou a informação mais relevante a cada uma destas empresas.


Depois do sector do calçado seguir-se-á o sector têxtil-lar e depois o mobiliário e iluminação e o vestuário e moda, bem como todos os restantes que agrupam as empresas exportadoras. A Aicep prevê que no prazo de um ano todos os setores da economia portuguesa estejam cobertos.


Instrumento essencial


Para Luís Onofre, designer, empresário e presidente da APICCAPS, a nova plataforma é um instrumento essencial para liderar uma nova vaga de exportações, precisamente porque - alavancado em componentes de inteligência artificial, permite fazer o matching entre ofertas e procuras que, de outra forma, permaneceriam 'escondidas'. "O caso da Polónia como potencial para as exportações" é o primeiro exemplo, disse Luís Onofre, em declarações ao Jornal Económico.


O presidente da estrutura associativa afirmou que a nova ferramenta, "apesar de ser inaugurada pelo setor do calçado", poderá ser uma vantagem competitiva para toda a fileira das exportações, sem reserva em relação a seja que setor for. E esse é também, disse, um dos lados positivos da plataforma da AICEP.


Para Fortunato Frederico, dono do grupo Kyaia, a nova plataforma é muito importante, como é importante tudo aquilo que o Estado possa fazer para ajudar a crescer as exportações.


'Sentado' num grupo que exporta mais de 6096 de uma faturação que já ultrapassa os 65 milhões de euros, Fortunato Frederico considera que o novo instrumento irá ajudar qualquer empresa, para já da área do calçado, e posteriormente todas as outras que vão ser acrescentadas ao sistema.


O empresário afirma que a sua importância se verifica mesmo na Kyaia, apesar de, há cerca de um ano, o grupo ter lançado no mercado uma plataforma 'privada', a Overcube, na qual são vendidas online as marcas que quiseram aderir ao sistema.
Mesmo assim, disse Fortunato Frederico aoJE, a nova plataforma da AICEP é um precioso instrumento "para aumentar as exportações, principalmente porque há neste momento muita turbulência nos mercados internacionais", provenientes "das guerras comerciais que ainda por aí" e que de algum modo tomaram de surpresa um setor que já tinha atingido a velocidade de cruzeiro em termos internacionais.


O único problema com que a plataforma se depara, ou pelo menos aquele que se afigura mais claro, é o desconhecimento que alguns empresários ainda têm em relação à plataforma.


Um empresário que preferiu não ser identificado, dono de uma das maiores empresas exportadoras do norte, disse ao JE que "ainda não tomei conhecimento disso". Para Luís Onofre, as próximas semanas serão de trabalho reforçado na APIC- CAPS, que se prepara para levar aos empresários do setor notícia detalhada sobre o assunto.


O presidente da associação do calçado disse ainda que as virtudes da plataforma ainda não estão todas no terreno.


Para breve, haverá novidades em relação às valias que lhe estão associadas - todas no sentido de tornar as exportações ainda mais importantes em termos do PIB português. "O caminho do digital" é, para Luís Onofre, uma espécie de caminho sem regresso, a que nenhuma empresa do setor que representa pode ficar indiferente.

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