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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O presidente do Mecanismo Único de Supervisão esteve em Lisboa e avisa que, apesar dos resultados já conseguidos, a banca deve continuar a limpar o balanço. Sobre a entrada de investidores chineses, que preocupam vários governos na Europa, diz que todos são bem-vindos desde que cumpram as regras.

Andrea Enria é presidente do Mecanismo Único de Supervisão (SSM, na sigla em inglês), o supervisor europeu da banca, que tem atualmente o controlo direto de mais de 100 bancos na zona euro. Esteve em Portugal para uma reunião fora de portas do SSM e, num encontro com jornalistas a escassos metros do seu ‘anfitrião’ Banco de Portugal, aproveitou para elogiar o desempenho da banca nacional nos últimos anos. “Os bancos portugueses fizeram um progresso significativo em termos de posição de capital, de liquidez e, especialmente, na limpeza do balanço de ativos problemáticos”, sublinhou, avisando, no entanto, que isto aconteceu num “contexto macreconomico favorável” e que “o processo não está ainda concluído”. Desde logo porque “o rácio de NPL (créditos problemáticos) é ainda o terceiro mais alto da zona euro e há ainda segmentos, como o das empresas, onde se mantém demasiado alto – 18,5% contra a média de 9,4%”.

 

A avaliação positiva estende-se ao conjunto da banca europeia que, nos últimos anos, fez “progressos importantes” em termos de reforço de capital e também de limpeza do balanço e melhoria da qualidade dos ativos. Mas nem tudo são rosas. Enria lembra que há também áreas onde as coisas não correram tão bem. A começar no valor de mercado dos bancos: “A valorização dos bancos, no price-to-book value, é muito baixa. Não são atrativos para os investidores. E isso é uma preocupação porque nós queremos que os bancos sejam atractivos.”

 

Isso acontece, na sua opinião, devido a um problema de baixa rentabilidade – presente e esperada – que tende a desvalorizar os bancos aos olhos dos investidores. Por isso, o presidente do SSM não é esquisito quanto à origem dos capitais, mesmo que venham do exterior e, em particular, da China cujos investimentos na Europa têm suscitado diversas reacções políticas de contestação nos últimos tempos: “Em geral, haver investidores estrangeiros a trazer o seu capital para o setor financeiro é positivo. A minha preocupação é a oposta, o facto de os bancos não serem suficientemente atractivos.”

 

“O importante é que, venham donde vierem os investidores, a governance dos bancos seja sólida”, avisa. E isso significa, entre outras coisas, o cumprimento criterioso de questões como a avaliação dos gestores (o processo de fit and proper), dos mecanismos de controlo de branqueamento de capitais ou o controlo da origem dos fundos”.

 

Outras questões que preocupam o supervisor da banca em termos europeus são o Brexit – embora diz terem feito “tudo o que puderam estar preparados para qualquer eventualidade –ou as questões tecnológicas (onde se incluem os ciberataques).

 

Enria desvalorizou a existência de preocupações com o risco de haver posições excessivas em dívida pública do seu próprio país por parte de bancos, ainda que reconhecendo que há casos onde os níveis são realmente bastante elevados: “Alguns bancos tem oito ou nove vezes o equivalente ao seu capital em dívida do próprio país, o que significa que, se houver uma variação nas yields (taxas de rentabilidade), as perdas podem ser muito elevadas”.

 

Sobre a reforma da supervisão financeira apresentada pelo Governo, que está em avaliação em Frankfurt, não adianta qualquer comentário e diz apenas que “o BCE deve emitir uma opinião que está em preparação provavelmente no final de maio”.

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