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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

António Ramalho, CEO do Novo Banco, aponta a mudança de atitude das empresas nacionais como base do sucesso registado nos últimos anos.

A forma como as empresas portuguesas souberam dar a volta durante os anos da crise é, para António Ramalho, um fator de otimismo perante eventuais dificuldades no futuro. Em 12 anos, as exportações portuguesas quase duplicaram de valor, sublinha o banqueiro. Quais as expectativas para este Portugal Exportador 2018? O crescimento das exportações é uma evidência e, se em matéria das feiras, a maior importação que tivemos foi o Web Summit, a maior exportação foi o Portugal Exportador, que é o nosso grande summit. A nossa expectativa é bater o número de empresas, sobretudo no momento em que estamos também a bater o número de exportações no mercado português.

 

Porque é que este evento é importante para o Novo Banco? Esta é a 13ª edição e nós já há 12 anos que apoiamos as exportações. É bom lembrar que neste período as exportações portuguesas aumentaram cerca de 32 mil milhões de euros, um aumento de 76%. E naturalmente, como 60% das empresas exportadoras são nossas clientes, o que estamos a fazer é satisfazer as evidentes necessidades dos nossos clientes. Esta é uma parceria que temos com a Fundação AIP e com a AICEP no sentido de assegurar a maior aproximação às novas necessidades do mercado, e é algo que fazemos todos os anos. Mencionou o crescimento das exportações. Tendo em conta os dados mais recentes, considera que o futuro sorri a Portugal neste capítulo? Eu considero que houve uma revolução no perfil das empresas portuguesas durante o período de ajustamento que se manteve depois. Isso significa que as nossas empresas estão mais competitivas. Também houve a compreensão por parte das empresas que, sendo empresas exportadoras têm maior autonomia financeira, maior criação de valor acrescentado e maior rendibilidade de capitais próprios, e também menor risco, e que asseguram a maior facilidade de financiamento. Ganhámos a batalha interna. A batalha externa é ilimitada porque todo o mercado está lá fora. O nosso mercado de 10 milhões é um pequeno mercado face aos muitos milhares de consumidores que existem em todo o mundo. Por isso penso que, ganha a batalha interna, temos de estar optimistas para a batalha externa. O futuro acabará por sorrir? Eu penso que as nossas empresas estão mais bem preparadas do que nunca para perceberem essa realidade e nós, enquanto banco de empresas, confiamos muito nelas: nós somos o banco, elas são as empresas, mas temos a confiança de que os nossos gestores têm a capacidade de levar por diante esse desiderato da sociedade portuguesa. Referiu as novas necessidades do mercado. Em que é que o mercado mudou nestes 12 anos e quais os desafios que coloca? Nos últimos 12 anos é notório o crescimento das exportações portuguesas que quase duplicaram de valor, apresentando uma taxa de crescimento médio anual, nestes 12 anos (2005 a 2017) de 6%.

 

Esta realidade é também evidenciada quando analisamos a evolução do peso das exportações no PIB, pois em 2006 esta percentagem ascendia a 30% e, em 2017, atinge os 43%. Acresce também muito afirmativamente o saldo positivo da balança portuguesa de bens e serviços. Quanto aos desafios, são vários: desde a questão do crescimento das suas vendas e exportações, da diversificação dos países de destinos, à volatilidade, incerteza e concorrência inerentes aos próprios mercados, à digitalização e à participação num mundo globalizado. O peso das exportações no PIB nacional não é muito alto. Quais as estratégias para, por exemplo, ultrapassar a fasquia dos 50%? A estratégia passa por conseguirmos ter mais empresas a exportar e, para as que já exportam, encontrar mais mercados de destino, descobrindo nichos de mercado e afirmando-se pela qualidade dos seus produtos e serviços. O que faz hoje a diferença nos produtos portugueses que chegam ao mercado internacional? Portugal tem um conjunto alargado de ativos, constitutivos da oferta nacional e responsáveis por sucessos de afirmação no mercado interno e no mercado externo. Fatores distintivos dos produtos portugueses, alguns pela sua exclusividade e resultantes dos nossos recursos naturais, aos quais se juntam fatores como a inovação e o design, que catapultam a afirmação dos produtos portugueses. Como tem evoluído o apoio do Novo Banco ao esforço exportador das empresas portuguesas? O Novo Banco, que continua a ter uma quota de mercado de referência no trade finance, 22%, não tem segredos. A nossa atuação passa por estar sempre presente nos momentos e nos eventos estratégicos para os empresários. Seja, por exemplo, no Portugal Exportador, onde vamos desenvolver uma série de workshops dedicados às oportunidades de negócio em países e setores estratégicos para Portugal, seja apoiando as empresas no seu dia-a-dia em todas as suas necessidades. Em que se diferencia este apoio? O Banco tem para as empresas uma oferta com uma visão 360 para as necessidades dos nossos clientes. O nosso serviço vai muito para além da mera concessão de crédito. Temos soluções únicas e inovadoras que vão desde a gestão eficiente de tesouraria, ao aconselhamento na negociação de operações de comércio internacional, mas também uma oferta completa para o principal ativo das empresas, que são os seus recursos humanos. A conjugação desta oferta completa, com um espírito de parceria e proximidade é o que nos permite criar valor para as empresas.

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