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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O plano Internacionalizar 2030 prevê que as vendas de bens e serviços atinjam os 50% do PIB apenas em 2027, um avanço de dois anos face às estimativas pré-covid. Já os valores recorde alcançados no ano passado poderão ser igualados só em 2023.

Devia ter sido apresentado em março mas foi travado pelo vírus. O programa Internacionalizar 2030, aprovado na generalidade pelo Governo na semana passada, manteve os objetivos traçados no início do ano, mas todas as metas foram recalendarizadas. Face ao crescimento dos anos anteriores, o Executivo considerava credível que as exportações atingissem os 50% do PIB em 2025. Devido à pandemia, amar canão deverá ser alcançada antes de 2027.


Também o recorde de vendas ao exterior batido em 2019, de 93,5 mil milhões de euros, só voltará a vislumbrar-se "em 2022 ou 2023", antecipa ao Negócios o secretário de Estado da lnternacionalização, Eurico Brilhante Dias. Devido ao retrocesso nas exportações, o foco do Internacionalizar 2030 estará, em primeiro lugar, na recuperação das vendas, até 2023, e só depois no seu aumento. "As exportações cairão de forma expressiva este ano, com uma nota particular para o turismo", admite o governante, sem adiantar números. As previsões do Banco de Portugal apontam para um tombo de 25,3%. Mas, se todos os pontos do programa forem cumpridos, Portugal chegará a 2030 com um volume de exportações equivalente a 53% do PIB, crê Brilhante Dias.


O plano revisto inclui medidas de "muito curto prazo", inseridas na "ação covid-19", como o lançamento de garantias de seguros de crédito à exportação para merca dos da OCDE. Em maio, o Governo aumentou em mil milhões de euros, para três mil milhões, o limite máximo para a concessão destas garantias. A novidade será a isenção de imposto de selo para estes instrumentos. Um trabalho que está a ser feito em conjunto com as Finanças, e que avançará "o quanto antes".


"Precisamos que os seguros de crédito sejam competitivos, e até agora eram um obstáculo".


Ainda no capítulo do financiamento, está prevista uma linha de crédito "urgente", orientada para as encomendas internacionais.

 

"Será lançada uma linha autónoma ou, em alternativa, esta especificidade será enquadrada nas linhas que já estão aprovadas", revela o responsável.


"Tinder" para empresas
O financiamento é um dos seis eixos de intervenção do programa. Outro é a aposta no acesso cada vez mais detalhado a informação de mercado. "Temos trabalhado com a AICEP para construir mais instrumentos com Inteligência Artificial, que permitam personalizar a informação recebida pelas PME". Neste campo, estáprevis- to o desenvolvimento de um módulo de "business matchmaking", que servirá para "encontrar mais rapidamente os parceiros de negócio ideais para as empresas ", explica Brilhante Dias.


Noutro ponto, o destaque vai para o investimento na qualificação de recursos humanos dedicados ao comércio internacional, um défice que as empresas têm "em quantidade e qualidade". Vai nascer um Programa Nacional de Capacitação para a Internacionalização e ainda um Programa de Reconversão de Recursos Humanos, que servirá para "garantir melhores oportunidades em setores emergentes, como os centros de tecnologia".


Rumo a 25 mil exportadoras
No capítulo mais extenso do Internacionalizar 2030, a prioridade é o acesso aos mercados e a atração de investimento para Portugal. Segundo o plano, o pai s conta com 21.214 empresas exportadoras, que deverão chegar às 21.500 em 2023. Em 2030, as expectativas apontam para 25 mil.

Para a concretização dos objetivos, Brilhante Dias destaca "dois grandes programas". O Mais Mercados é dirigido a PME quejáex- portem, mas que precisam de "diversificar a sua base de clientes, para diminuir o grau de risco".


Já o Programa Plataformas aponta à retenção de exportadores. "Em Portugal há muitas empresas que têm experiências exportadoras intermitentes, mas é preciso encontrar instrumentos para que haja continuidade", sublinha o governante.


Após ter sido aprovado em Conselho de Ministros, o Internacionalizar 2030 será agora sub metido ao Conselho Estratégico para a Internacionalização da Economia, seguindo depois para a Assembleia da República para ser discutido, entre setembro e outubro. Só depois será possível chegar aos "valores finais" de investimento do programa

COMERCIO INTERNACIONAL EM RECUPERAÇÃO ATE 2023
Previsões revistas anualmente e sujeitas a alterações


O plano Internacionalizar 2030 aponta para que as exportações portuguesas regressem aos níveis pré-covid em 2023, ano em que termina a atual legislatura. Nas metas traçadas pelo Governo, os valores de partida dos indicadores "Exportadores", "Mercados" e "Valor Acrescentado" referem-se a 2018, enquanto os restantes são relativos a dezembro de 2019.

Temos trabalhado com a AICEP para construir mais instrumentos com Inteligência Artificial, que permitam personalizar a informação.


EURICO BRILHANTE DIAS
Secretário de Estado da Internacionalização

Há muitas empresas que têm experiências exportadoras intermitentes, mas é preciso encontrar instrumentos para que haja continuidade.


EURICO BRILHANTE DIAS
Secretário de Estado da Internacionalização

"Promover Portugal não significa ter marcas associadas a produtos


Uma das bandeiras do Internacionalizar 2030 é a "promoção da marca Portugal" no estrangeiro. O Governo defende ainda que as empresas devem apostar na instalação de unidades de negócio noutros países.

A "promoção da Marca Portugal" é o "elemento central" de um programa extenso e será dos primeiros a sair do papel, revela o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias.


A estratégia não passará, porém, por impulsionar "produtos estrela". A ideia é "fazer com que Portugal seja associado à produção de bens e serviços de valor acrescentado", o que não significa "ter marcas associadas aprodu- tos em concreto", esclarece o governante.


"Somos reconhecidamente bons fornecedores de produtos como moldes, hortícolas, componentes automóveis, calçado, têxtil e vestuário". Porém, "não somos vistos da mesma forma no Vietname e nos Estados Unidos, logo a forma deptromoção tem de ser diferente. É nessa dimensão que vamos trabalhar", relata


Em concreto, haverá uma aposta "no reforço dos aspetos positivos" do pais enquanto fornecedor. "Será um trabalho quase cirúrgico que implicará a promoção em mercados onde os produtos portugueses são percebidos como de menor valor".

 

Espanha, França, Alemanha e Reino Unido são prioridades, tal como os Estados Unidos e o Canadá Mas também haverá campanhas no México, Brasil e "algum trabalho no Magrebe", em setores como a construção e as águas. O plano prevê ainda apontar a mercados como China, Japão, Coreia do Sul e Tailândia. E "continuar" no Golfo.


A estratégia debruça-se também sobre o Investimento Direto de Portugal no Estrangeiro (IDPE), que tem uma "dimensão diplomática importante". Ao Governo não interessa apoiar "apura deslocalização de empresas". O foco é ajudar empresas que queiram instalar filiais lá fora "como estratégia para alavancar mais exportações". Setor automóvel, construção civil, calçado e têxtil são alguns dos alvos. Na visão do Executivo, "Portugal não vai crescer se não tiver mais empresas internacionalizadas, com unidades de negócio no exterior".

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