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CABEÇALHO

As propostas do Brexit apresentadas pelo primeiro-ministro Boris Johnson acarretam um custo económico maior do que o acordo proposto pela sua antecessora, Theresa May, de acordo com o "think tank UK in a Changing Europe".

A diferença entre os dois assenta essencialmente no facto de Johnson defender uma saída da união aduaneira com a União Europeia (UE) radical, sem os acordos de condições de igualdade, nem o acordo de comércio livre limitado, a que May aspirava.

 

Sendo certo que qualquer um dos cenários propostos até ao momento é desfavorável ao crescimento económico do Reino Unido (RU), o think tank garante que o cenário mais prejudicial será sempre o de um hard-Brexit que leve à aplicação das regras gerais da Organização Mundial do Comércio (OMC). Este desfecho levaria a uma contração da economia de 8,7 por cento do PIB.

 

Comparando os termos propostos pelos dois Primeiros-Ministros que lideraram até agora as negociações para o Brexit, o UK in a Changing Europe sustenta que as condições de Johnson serão mais prejudiciais que as apresentadas por May, representando, respetivamente, uma queda de 7 por cento e 5,5 por cento do PIB per capita em 10 anos.

 

Seguindo a proposta de Johnson, a prevista redução do PIB britânico é equivalente a um decréscimo de aproximadamente £2,000 no rendimento anual por pessoa. Já sob os termos propostos por Theresa May, a perda representaria £1,500, enquanto que, num cenário de no-deal a redução pode chegar às £2,500.

 

Focando na imigração, tudo indica que Boris Johnson adotará uma abordagem mais liberal do que May, baseada no sistema de pontos australiano. Em linha com este modelo, o think-tank, estima que a mão-de-obra proveniente da UE com ordenados anuais abaixo das £30,000, diminuiria cerca de 67 por cento, enquanto que a mão-de-obra oriunda de países fora da UE com salários anuais acima dos £30,000 cresceria 50 por cento.

 

Neste contexto, a eventual diminuição do número total de migrantes poderá contribuir ligeiramente para a contração do PIB. No entanto, o simultâneo crescimento do nível médio de mão-de-obra qualificada levará ao aumento dos salários, o que se traduzirá num crescimento de 0,6 por cento no rendimento per capita.

 

Se Johnson vier a adotar uma abordagem mais restritiva à imigração, estima-se uma queda de 75 por cento da mão-de-obra não qualificada vinda da UE e o crescimento em 25 por cento da mão-de-obra qualificada vinda de países fora da EU, o que levaria a uma diminuição de 1,8 por cento do PIB, por esta via, e ao decréscimo do nível médio salarial por pessoa, consequência da perda de imigrantes qualificados proveniente da UE.

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