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Helge Berger, Kenneth Kang e Changyong Rhee, que integram o departamento do FMI para a Ásia, alertam que “o choque do coronavírus é severo” e defendem que os restantes países podem tirar lições iniciais sobre o combate da China à epidemia: “escolhas difíceis”, “custos elevados” e “ação rápida”.

A experiência chinesa mostra que políticas correctas fazem a diferença no combate à doença e na mitigação do impacto, mas algumas dessas políticas acarretam, em troca, decisões económicas difíceis. É este o argumento de três membros do FMI, que num artigo publicado esta sexta-feira, enumeram as “lições iniciais” da China com as quais os restantes países podem aprender.

 

“O impacto do coronavírus está a ter um impacto profundo e sério na economia global e levou os decisores políticos a procurar formas de responder”, assinalam Helge Berger, Kenneth Kang e Changyong Rhee, que integram o departamento da instituição para a Ásia, numa análise no blog do FMI.

 

Sublinhando que existem “escolhas difíceis” a fazer no combate à epidemia, realçam que “o sucesso em conter o vírus tem o preço de desacelerar a atividade económica, independentemente do distanciamento social e da redução da mobilidade ser voluntária ou forçada”. Exemplificando que o impacto na China foi especialmente negativo na província de Hubei, alertam que este caso mostra que “dentro dos países – mas também entre os países” mais atingidos, estes precisarão de apoio para conter e retardar a propagação do vírus.

 

“A epidemia trouxe um sofrimento humano terrível na China, como continua a fazê-lo noutros lugares, juntamente com custos económicos significativos. Segundo todas os indícios, a desaceleração da China no primeiro trimestre de 2020 será significativa e deixará uma marca profunda para o ano”, antecipam. Explicam que as interrupções repentinas na atividade económica, rapidamente se espalharam à restante economia e se transformou num “choque completo”, que impede simultaneamente a procura e a oferta.

 

Para os três economistas “o choque do coronavírus é severo”, mesmo em comparação com a grande crise financeira de 2007 e 2008. Defendem assim, que atenuar o impacto “requer apoio aos mais vulneráveis”, exemplificando que a China está a procurar novas formas de apoiar empresas mais pequenas, ao renunciar a taxas da segurança social ou canalizar crédito através de fintechs.

 

“Proteger a estabilidade financeira requer ações assertivas e bem comunicadas”, sublinham, alertando que, no entanto, algumas das medidas disponibilizadas têm riscos. Exemplo disso poderá ser o aumento do tempo para cumprir as obrigações financeiras mais tempo do que o necessário poder prejudicar a solidez financeira no futuro, o crédito subsidiado pode ser mal abocado, ou “manter empresas já não viáveis vivas pode atrasar o crescimento da produtividade no futuro”.

 

Ainda assim, reconhecem que o combate à epidemia na China “ainda não terminou” e que embora existam “sinais tranquilizadores de normalização económica na China”, o país pode enfrentar “novas infecções à medida que viagens nacionais e internacionais são retomadas”.

 

“Mesmo na ausência de outro surto na China, a pandemia está a criar riscos económicos. Por exemplo, à medida que mais países enfrentam surtos e os mercados financeiros giram, consumidores e empresas podem continuar cautelosos, desencorajando a procura global por produtos chineses”, defendem.

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