NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O valor acrescentado bruto por trabalhador reduziu-se 0,6% em 2018 mantendo o perfil decrescente observado desde 2014, constata o Boletim Económico do Banco de Portugal, publicado esta quarta-feira. A evolução desfavorável da produtividade não tem permitido sustentar uma dinâmica mais forte dos salários e do rendimento, alerta o banco central.

A economia portuguesa abrandou em 2018 – o crescimento do PIB ficou pelos 2,1%, o que compara com 2,8% em 2017 – mas registou o quinto ano consecutivo de expansão económica. Ao mesmo tempo, “o processo de ajustamento macroeconómico prosseguiu, designadamente na sua vertente de redução do endividamento dos vários setores da economia e, por esta via, dos desequilíbrios acumulados no passado”, aponta o Banco de Portugal (BdP) no Boletim Economico de Maio, publicado esta quarta-feira.

 

O problema, alerta o supervisor, é que “tal ajustamento tem-se caracterizado por uma maior abertura da economia ao exterior, mas não por um aumento da produtividade”.

 

Numa análise ao desempenho da economia portuguesa no ano passado, o BdP frisa que “o crescimento do produto tem decorrido, essencialmente, de um crescimento do emprego e não de um aumento da produtividade”.

 

Com os salários a acelerarem no ano passado – o salário médio cresceu 2,2%, mais 0,6 pontos percentuais do que em 2017 – a produtividade do trabalho, medida pelo valor acrescentado bruto por trabalhador, reduziu-se 0,6%, aponta o BdP.

 

O banco central não tem dúvidas em considerar que “a retoma de um perfil ascendente da produtividade constitui um dos desafios cruciais enfrentados pela economia portuguesa”. O problema afeta também os trabalhadores: “Com efeito, a evolução desfavorável da produtividade não tem permitido sustentar uma dinâmica mais forte dos salários e do rendimento”, lê-se no documento.

 

Emigração penalizou a produtividade

 

O BdP aponta que a produtividade do trabalho em Portugal “tem estado estagnada no período de recuperação da atividade”. Isto depois dos “ganhos durante os episódios recessivos, associados ao desaparecimento de empresas e postos de trabalho menos produtivos”. Uma evolução em que “Portugal tem divergido face à área do euro ao longo do último quinquénio”.

 

Explicação? Indicando que a estagnação da produtividade em Portugal “insere-se numa tendência de longo prazo de baixo crescimento”, o banco central considera que “terá sido agravada pelo impacto adverso do processo de ajustamento na acumulação de capital”.

 

Mas há outros fatores a ter em conta. “O saldo migratório negativo que persistiu até 2016, incidindo particularmente sobre as faixas etárias mais jovens, teve um impacto desfavorável sobre o capital humano”, argumenta o BdP.

 

Certo é que “desenvolvimentos positivos, designadamente as reformas implementadas no âmbito do programa de ajustamento e a grande melhoria das qualificações da força de trabalho que se vem operando nas últimas décadas, parecem não ter conseguido colocar a produtividade numa trajetória ascendente”.

 

Numa análise a este problema – a produtividade é o tema em destaque no Boletim – o BdP aponta que a evidência microeconómica “confirma a imobilidade da produtividade em termos intrassetoriais nos últimos anos”. Ou seja, a queda do VAB por trabalhador desde 2014 “parece resultar de diminuições da produtividade dentro de cada setor de atividade”.

 

Uma evolução que “aparece, em particular, associada a dificuldades de crescimento das empresas ao longo do seu ciclo de vida, que são comuns aos diversos setores”. Em contrapartida, “verifica-se um padrão de convergência rápida das empresas chegadas ao mercado ao longo da última década para o patamar de produtividade das empresas mais antigas”.

 

Já “os ganhos têm sido sobretudo conseguidos através do aumento do peso dos setores mais produtivos na economia”. Isto porque “o contributo da componente intersectorial, que resulta dos fluxos de trabalhadores entre sectores, tem-se mantido positivo, sendo mesmo de magnitude superior ao observado entre 2009 e 2013”, lê-se no relatório.

 

“Tal sugere que, no atual período de recuperação económica, tal como durante a anterior fase de recessão económica, ocorreu uma orientação dos fluxos de emprego para setores da economia com maior produtividade, nomeadamente os mais expostos à concorrência internacional”, enfatiza o BdP.

Partilhar